A acusação do site Direita Política é que foi governo venezuelano a derramar o petróleo que afetou as águas do Nordeste brasileiro, um desastre ambiental que já afetou 10 Estados do Brasil. O site denuncia que o nordeste do Brasil está “a braços com um desastre ambiental provocado pelo petróleo derramado por Maduro” e questiona onde estão “as personalidades e os intelectuais”. Não há provas de que o petróleo tenha sido derramado propositadamente, ou que isso tenha sido feito pelo governo de Nicólas Maduro. As investigações oficiais apontam para um navio grego. É, por isso, falsa a acusação de que foi o governo Maduro a derramar petróleo no Brasil.

A ligação a Maduro chegou a ser feita pelo ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, no dia em que o site Direita Política publicou o artigo. Mas, mesmo assim, o governante não ia tão longe: dizia apenas que o petróleo era venezuelano. E não que o governo de Maduro o derramou, como afirmou o site. A 21 de outubro, Ricardo Salles respondia no Twitter à deputada federal do PSL, Sâmia Bonfim, que acusava o governante de incompetência e de não ter um “pingo de vergonha na cara” ao acusar a Greenpeace de não ajudar a limpar as praias.

O ministro dizia então à deputada que ela é que não tem vergonha, mas “deveria ter”, uma vez que o “petróleo que está atingindo o Nordeste e o Brasil, é venezuelano, cujo governo ditatorial comunista vocês apoiam”.

Quatro dias depois, como consta de um comunicado, estudos da Petrobras e da UFBA (Universidade Federal da Bahia) confirmaram que as “amostras de resíduos de óleo são similares a três campos petrolíferos da Venezuela”. Isto provava que o petróleo tinha sido recolhido na Venezuela, mas não torna o país responsável pelo transporte nem pelo derramamento de quem faz a recolha. Embora o governo de Jair Bolsonaro tenha empolado esta informação e o próprio presidente (dois dias depois da publicação do site Direita Política) ter acusado asssociado as ONG e a esquerda brasileira ao de óleo nas praias do Nordeste e ter falado no “apoio desses partidos ao ditador Maduro”. Isto sem concretizar a acusação.

A investigação acabou por avançar quando uma empresa tecnológica brasileira, a Hex Tecnologias Geoespaciais, conseguiu identificar a origem do derrame. Com base nestas informações, dois meses depois de aparecerem as primeiras manchas, o governo brasileiro chegou ao principal suspeito: o navio grego Bouboulina, uma vez que era a embarcação que tinha passado nesse local. A empresa Delta Tankers, a dona do navio, já negou qualquer derrame do navio e diz ter provas de que não houve anomalias detetadas. O Brasil terá pedido informações a outras três empresas gregas de transporte de petróleo e cujos navios circularam a zona. Para já, a investigação ainda não tem uma conclusão sobre quem é o responsável pelo derrame, nem tão pouco se foi propositado ou um acidente.

No mesmo texto, o Direita Política ataca a ONU como sendo cúmplice da Venezuela, pelo silêncio, deste desastre ambiental. Para isso coloca no texto uma imagem do secretário-geral da ONU, António Guterres, com Nicólas Maduro tirada a 27 de setembro de 2018 na sede da ONU.

Conclusão

Não há nenhuma prova de que tenha sido o governo de Nicólas Maduro a derramar petróleo no nordeste brasileiro. A única ligação que existe à Venezuela é que o petróleo terá sido recolhido naquele país, o que não o torna responsável pelo transporte. Tendo em conta a localização geográfica da Venezuela também não é pouco habitual passarem por ali navios após recolha de petróleo no país de Maduro. O governo brasileiro enfatizou essa origem, mas não atribuiu oficialmente e de forma taxativa culpa ao governo da Venezuela. Nem até 21 de outubro, quando saiu o artigo do site Direita Política, nem agora. As autoridades brasileiras têm, aliás, como principais suspeitos neste momento empresas gregas.

De acordo com o sistema de classificação do Observador este conteúdo é:

Errado
De acordo com o sistema de classificação do Observador este conteúdo é:
FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

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