Começaram a circular nas redes sociais fotografias que mostram manifestantes a hastear uma bandeira da Palestina no topo da Torre Eiffel, em Paris, durante os protestos que marcaram este mês de outubro. As publicações atribuem o episódio a imigrantes e apresentam as imagens como prova de uma alegada tomada do espaço público por manifestantes.
“Colocaram a bandeira da Palestina na Torre Eiffel. Isso é uma afronta ao povo francês”, lê-se numa das publicações partilhadas no Facebook. Outra afirma que “França está em chamas” e que o episódio é uma consequência das “fronteiras abertas e liderança fraca” de Emmanuel Macron.
Nas fotografias, é ainda possível ver uma segunda bandeira, identificada como sendo da Jordânia.
As publicações circulam num contexto de manifestações em várias cidades francesas. A onda de protestos em massa, intensificada em outubro, começou como um movimento estudantil focado na crise na Educação e rapidamente escalou para uma crise política de grande escala contra o Governo. O descontentamento social une diferentes setores contra as medidas económicas de austeridade e o aumento do custo da vida.
Porém, apesar da extensa cobertura noticiosa que tem sido feita dos protestos em Paris (e em várias outras cidades francesas), a alegada colocação das bandeiras no topo da Torre Eiffel não foi noticiada por órgãos de comunicação social franceses ou internacionais. Também não foram encontradas imagens publicadas por agências noticiosas que documentem um episódio semelhante durante os protestos.
O conteúdo foi produzido por inteligência artificial (IA). Uma análise das imagens em sites especializados na deteção de conteúdos gerados com IA permite identificar várias inconsistências visuais na estrutura do monumento, nomeadamente diferenças nos padrões metálicos e falta de alguns detalhes característicos da torre.
Conclusão
É falso que manifestantes tenham hasteado as bandeiras da Palestina e da Jordânia no topo da Torre Eiffel, em Paris, durante os protestos. As fotografias partilhadas nas redes sociais foram geradas por IA, apresentando inconsistências na estrutura do monumento. Além disso, não há registos jornalísticos ou imagens independentes que confirmem o episódio.
Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:
ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.