Conhece os valores do seu colesterol? E da pressão arterial? Antes de começar a ler esta newsletter ajude-nos a melhorar o ARTERIAL, o projeto do Observador dedicado exclusivamente às doenças cérebro-cardiovasculares (mas depois volte!), através de um mini-questionário, totalmente anónimo. Participe AQUI.
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Esteve oito horas desmaiada no chão da cozinha. Tentava chamar pelo marido, mas o som não saía. O dia tinha sido tranquilo, tinha dado aulas e partilhou o almoço com colegas. A professora não queria mais assumir a direção de nenhuma turma e os amigos de profissão ofereceram-lhe um colar. |
Sentia dores nas pernas. Foi o único sintoma fora do comum. Não poderia imaginar que estava prestes a ter um AVC. A história, contada na primeira pessoa, à jornalista Sofia Teixeira, pode ser vista em mais um episódio da rubrica “Quando a minha vida mudou”, com realização e edição de Nuno Neves. Apesar da afasia (dificuldade em comunicar), muito frequente em sobreviventes de AVC, Paula esforça-se para se fazer entender. Assume que a capacidade de falar é mesmo o mais difícil. Tudo o resto, no seu corpo, está bem. E apesar de deixar de saber ler e escrever, e até de nadar, assumiu a recuperação com determinação e voltou a aprender tudo. |
Com um sorriso fácil e uma mensagem positiva, Paula conta que passou a ter demasiado tempo livre, a contrastar com a vida muito ocupada de outrora, e que vai ao ginásio, conduz, bebe café com as amigas e faz voluntariado. |
Também Carlos Teófilo foi professor de várias gerações, como Paula. Conhecido em Seia, onde mora, por ser também advogado e por organizar vários espetáculos culturais, teve um AVC, em 2023. As sequelas são outras, sobretudo ao nível do equilíbrio. Perdeu algumas capacidades e enfrentou meses de fisioterapia e reabilitação. Contou com uma rede de amigos, família, médicos e terapeutas, e sempre que podia, escapava às regras dos cuidados intensivos e mantinha o sentido de humor. A história do “governo-sol”, grupo de WhatsApp criado em forma de rede de apoio a Carlos, pode ser lida aqui. A reportagem é assinada pela jornalista Paula Sofia Luz e as fotos são do fotojornalista Rui Miguel Pedrosa. Ambos viajaram até ao coração da Serra da Estrela, mas conhecer o protagonista da rubrica “A minha rede”. |
O Dia Mundial do AVC celebra-se no dia em que publico esta newsletter, a 29 de outubro. Este ano, o tema escolhido pela Organização Mundial de Saúde é “Every M1nute Counts”, traduzido para português como “Cada minuto conta”, como forma de alertar para os sinais que não devemos ignorar. São os chamados três F: Força, Fala e Face. Logo no arranque do Arterial chamámos a atenção para estes sinais e para a necessidade de solicitar ajuda. “Tempo é cérebro”, defendem os médicos e alerta constantemente a Sociedade Portuguesa do AVC, um dos parceiros do Arterial, lembrando que a rapidez pode ser a diferença entre viver ou morrer, e sobreviver com mais ou menos consequências. Nunca é demais repetir estas mensagens. |
Como forma de assinalar a data, são muitas as atividades disponíveis e gratuitas em todo o País (veja mais abaixo, em agenda, algumas delas), e as muitas mensagens disponíveis nas redes sociais de sociedades científicas, associações de pessoas com doença [como a Portugal AVC, parceira do Arterial] ou organizações de saúde de todo o mundo. É importante não esquecer esta mensagem todo o ano, e não apenas neste Dia Mundial de AVC: ligue o 112 se sentir falta de força num braço ou numa perna, boca ao lado e dificuldade em falar. O mesmo se aconselha se notar algum destes sinais num familiar ou amigo. Não vá ou não leve ninguém pelos seus próprios meios ao hospital nem “espere que passe”. Através deste contacto, pode ser acionada a Via Verde AVC e a pessoa ser encaminhada para uma unidade de tratamento especializada e totalmente preparada para o atendimento e tratamento destes casos com mais rapidez. |
A prevenção é também essencial e as farmácias podem ser verdadeiras aliadas da saúde cardiovascular. É o que defende Ana Valério, diretora da Farmácia Oeiras Figueirinha, que escreveu um artigo de opinião em que explica que “nove em cada dez adultos portugueses têm, pelo menos, um fator de risco cardiovascular”. A estatística não é animadora. Ao serem um lugar de fácil acesso, de porta aberta, a questão impõe-se: “Por que não continuar a estimular o poder político para incluir as farmácias na prevenção de um conjunto de doenças que em Portugal tem tanto impacto?”. Além da sensibilização dos utentes, a promoção da literacia em saúde em projetos de intervenção na comunidade é uma estratégia vencedora, alerta a farmacêutica, suportando-se de um estudo publicado em 2017 e que conclui que “cada euro investido em prevenção pode gerar uma poupança de 14€” em tratamento”. |
Todos podemos fazer a diferença em alguns fatores de risco, pelo menos, os modificáveis, como a alimentação cuidada, evitar o tabaco e o álcool, e praticar atividade física. Se não sabe por onde começar, são muitas as iniciativas gratuitas organizadas por juntas de freguesia ou outras entidades locais. Procure, esteja atento, e experimente. Uma caminhada, por exemplo, pode fazer a diferença no seu dia a dia e melhorar a sua saúde. Se tiver dúvidas, fale com o seu médico. |
Foi precisamente a pensar nos fatores de risco e no conhecimento que os nossos leitores têm sobre a sua saúde que lançámos um breve questionário. Se não respondeu, ainda vai a tempo. Demora menos de 30 segundos. As suas respostas ajudam-nos a melhorar o projeto ARTERIAL. Pode fazê-lo AQUI. |