|
|

|
Antes de começar a ler esta newsletter gostaria de saber um pouco mais sobre si e do seu conhecimento acerca da saúde. Não é mera curiosidade. As suas respostas podem ajudar-nos a melhorar o ARTERIAL, o projeto do Observador dedicado exclusivamente às doenças cérebro-cardiovasculares, através de um mini-questionário, totalmente anónimo. AQUI. |
Estamos há quase dois anos a alertar para a principal causa de morte em Portugal. As doenças cérebro-cardiovasculares, sobretudo o AVC e o enfarte, matam mais do que o cancro, mas nem sempre são referidas com o mesmo impacto. Foi também a pensar nisso que o Observador organizou o grande evento “Debater para avançar”, realizado no passado dia 17 de novembro, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Foi o momento de levar o Arterial, a palco, mas chegando também a todos os que não puderam estar presentes, com transmissão em direto nas várias plataformas do jornal. |
Juntámos sobreviventes, médicos, profissionais de saúde, decisores, representantes de associações de doentes e de sociedades científicas e os parceiros — desde o primeiro dia — num encontro que discutiu se os hospitais e os centros de saúde beneficiariam ao ter melhores estratégias de comunicação entre si, mas também a forma como a inovação — da ciência à prática — pode ajudar a combater os números que deveriam colocar estas doenças como uma prioridade nacional. |
Fizemos contas às políticas de saúde e abordámos o impacto da longevidade. Vivemos mais, mas devíamos viver melhor. Saíram muitas conclusões deste evento, que podem ser lidas nos artigos de cobertura disponíveis na secção do Arterial e também nesta newsletter. É possível também assistir ao vídeo integral do evento aqui. |
Três dias depois deste debate, ao início da noite, surgia a notícia: Nuno Markl teve um AVC. Pouco se sabia ainda, mas a onda de solidariedade foi rápida. A preocupação sobre o estado de saúde — e a gravidade do episódio — invadiu as redes sociais. Primeiro, o choque. Depois, o alívio, ao perceber-se que o humorista tinha sido rapidamente socorrido e a situação estava controlada. Nas horas seguintes, foram surgindo notícias dadas pelo próprio e pela equipa das Manhãs da Comercial. Temos insistido no Arterial com a ideia de que as doenças cérebro-cardiovasculares não atingem apenas os mais velhos, não acontece só aos outros e as primeiras horas são essenciais para o rápido tratamento e para a recuperação. |
Nem todos os casos correm como seria desejável e o diagnóstico pode tardar ou ser confundido com outras doenças. Foi o caso de Celmira Macedo, professora e empreendedora social. Teve dois AVC, mas só ao final de quatro anos recebeu a confirmação do que anteriormente tinha sido identificado como depressão. Perante os primeiros sintomas e mesmo com a realização de uma ressonância magnética foi aconselhada a “esquecer” e a fazer a vida normal. Percebeu depois, num novo episódio, que “vivia numa situação de bomba-relógio”, como conta, no mais recente episódio da rubrica “Quando a minha vida mudou”, com entrevista da jornalista Sofia Teixeira, imagem de Nuno Neves e Larissa Lewandoski, e realização de Nuno Neves. |
As histórias de Nuno Markl e de Celmira Macedo são distintas: no caso do primeiro, felizmente, o socorro rápido poderá ter feito a diferença na gravidade e na forma como recuperará daqui para a frente. No caso de Celmira, o mau acompanhamento inicial poderia ter corrido mal, uma vez que os fatores de risco não estavam controlados, a professora não estava a ser acompanhada e um novo episódio poderia ter sido fatal. Mas ambas têm um denominador comum: alertar consciências e sensibilizar para os mitos ligados ao AVC. |
No passado dia 21 de novembro, a Direção-Geral da Saúde, através do Programa Nacional para as Doenças Cérebro-Cardiovasculares, divulgou os dados da mortalidade por doenças do aparelho circulatório, no evento Doenças cérebro e cardiovasculares em Portugal – Progresso clínico e organizacional na última década. Em comunicado de imprensa, a DGS revela que, entre 2012 e 2023 “registou-se uma redução relevante da taxa de mortalidade por doenças do aparelho circulatório, tendo a proporção de óbitos por estas doenças atingido, em 2023, o valor mais baixo das últimas três décadas”. |
O documento indica ainda que “relativamente à taxa de mortalidade padronizada por doenças cerebrovasculares e por enfarte agudo do miocárdio, assistiu-se, entre 2017 e 2023 a uma redução acentuada, bem como a uma diminuição dos internamentos por doenças do aparelho circulatório, salientando-se uma redução substancial nos internamentos por insuficiência cardíaca”. |
Apesar de melhorias registadas entre 2015 e 2024, no que respeita ao aumento de doentes com pressão arterial controlada, pessoas com diabetes com níveis de colesterol LDL [mau colesterol] controlado e um aumento marcado das consultas de cessação tabágica, o que assinala uma melhoria na vigilância dos fatores de risco cardiovasculares, subsistem como desafios importantes. Por exemplo, “as desigualdades regionais no acesso a cuidados diferenciados 24/7, a elevada letalidade dos AVC hemorrágicos, o crescente número de adultos com cardiopatia congénita e a necessidade de reforço dos cuidados primários, da reabilitação cardiovascular e da integração de cuidados”. |
Estes foram também alguns dos problemas identificados, não só antes do evento, com entrevistas que alguns oradores deram à Rádio Observador, como também no próprio evento organizado pelo Arterial / Observador, que notaram os atrasos na reabilitação pós-evento, na falta de comunicação em rede entre os centros de saúde e os hospitais, a necessidade de acesso ao médico de família. |
Estamos precisamente a um mês do Natal e, logo a seguir, da passagem de ano. Lembro-me de um professor num ginásio dizer aos alunos, há uns anos, que o grande problema da alimentação em excesso e do maior sedentarismo por estes dias não se cinge “ao que se faz do Natal à passagem de ano, mas sim da passagem de ano ao Natal”. Era uma forma de alertar para os excessos durante vários meses, e não “apenas” nos dias em que as tradições familiares obrigam a mais doces, mais partilha, mais abundância e a menos equilíbrio. |
Celebre da melhor forma, com os seus, aproveite os tempos de união e de tempos em família, mas não se esqueça que a saúde não folga, nem tira férias. Se possível, tente manter as suas rotinas de atividade física, cumpra a medicação que lhe é prescrita e não corra riscos. Os “sustos” não acontecem só aos outros. |
Talvez seja cedo para lhe dizer Boas Festas, mas como só nos voltamos a encontrar por esta via, no final do ano, é mesmo esse o meu desejo. Até lá, não perca os conteúdos do Arterial. Continuaremos por aqui a trabalhar para partilhar a informação mais fidedigna possível. |
É também por isto que o breve questionário do projeto ARTERIAL faz sentido. Ajude-nos a perceber se conhece os seus fatores de risco e o seu conhecimento sobre estas doenças. É rápido, não chega a 30 segundos, e as suas respostas ajudam-nos a melhorar. Pode participar AQUI. Muito obrigada! |
|
REPORTAGENS E ENTREVISTAS
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
No âmbito da secção Arterial, o Observador promoveu esta segunda-feira um evento sobre a principal causa de morte em Portugal. Com a participação de especialistas de várias áreas.
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
Há uma resposta rápida e eficaz quando ocorre um enfarte ou AVC, mas, antes e depois, o sistema continua a falhar. A prevenção e a comunicação ainda são o ponto fraco do sistema nacional de saúde.
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
É preciso apostar na prevenção e no cruzamento de dados, para melhorar o custo-eficácia do tratamento das doenças cérebro-cardiovasculares. As conclusões saíram do evento "Debater para avançar".
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
É preciso trabalhar mais em conjunto e a aposta efetiva na prevenção de doenças cérebro-cardiovasculares. As conclusões saíram do evento do Observador “Debater para avançar”, realizado esta semana.
|
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
As dificuldades no acesso à reabilitação após um AVC ou um enfarte, as claras assimetrias regionais no tratamento e também na recuperação tornam a longevidade, em Portugal, um desafio ainda maior.
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
Celmira Macedo tinha sintomas que ninguém valorizou. Sobreviveu a dois AVC até ter um diagnóstico e um tratamento adequado. Hoje vive com sintomas difíceis, mas invisíveis aos olhos dos outros.
|
|
|
|
|
Rádio Observador
|
|
|
|
Muitos dos estilos de vida que contribuem para a aterosclerose podem ser evitados. Devia atuar-se "o mais cedo possível e em força", defende Henrique Lopes, diretor do NOVA Center for Global Health.
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, defende reorganização do circuito do doente cardiovascular nos hospitais. É preciso investir na prevenção e diagnóstico precoce.
|
|
|
|
|
|
Arterial
|
|
|
|
A falta de ligação entre hospitais e centros de saúde não depende dos profissionais, mas das limitações dos sistemas, diz Nuno Jacinto, presidente da associação que representa os médicos de família.
|
|
|
|
|
Rádio Observador
|
|
|
|
Um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública alerta para o encargo no tratamento das doenças cardiovasculares num total de 1.8 mil milhões de euros, alerta o investigador Francisco Madeira.
|
|
|
|
|
|
Rádio Observador
|
|
|
|
"O doente tem de manter o plano de recuperação sem interrupções", diz Vítor Tedim Cruz, presidente da Sociedade Portuguesa do AVC, e alerta para o maior número de pessoas a precisar de reabilitação.
|
|
|
|
|
Rádio Observador
|
|
|
|
Seja em medicamentos, tecnologias ou programas de prevenção, a inovação procura chegar a mais pessoas, diz Sónia Dias, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA.
|
|
|
|
OPINIÃO
|
|
|
|
Cerca de 85% de todas as mortes por doença cardíaca devem-se à aterosclerose. A pergunta impõe-se: deve investir-se em prevenção e salvar milhares de vidas, ou continuar a pagar o preço da inação?
|
|
|
|
|
Seria benéfico que os privados passassem a ter um papel mais interventivo em episódios agudos de doenças cerebrovasculares, por exemplo, na integração da Via Verde AVC e Via Verde Coronária.
|
|
AGENDA
|
|
|
O QUE SE ESCREVE LÁ FORA
|
|
|
|
|
|
|
|
|