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Em outubro deste ano, o Observador lançou a secção DOR, dedicada exclusivamente a temas relacionados com a dor, respetivo acompanhamento clínico e impacto na sociedade. Nesta newsletter fica a conhecer alguns dos conteúdos publicados este mês. Não precisa de pesquisar, basta manter-se por aqui, acompanhar-me nas linhas seguintes e aceder aos links que irei partilhar. |
São muitos os custos invisíveis ligados à dor. Quem o diz é o médico anestesiologista Nuno Franco, convidado do podcast Conversas sobre Dor, com novo episódio todos os meses. |
A dor crónica é um dos grandes problemas de saúde pública em Portugal, muito vivido em silêncio, e que afeta entre 36 e 40% da população adulta. Falamos de mais de três milhões de portugueses, um milhão dos quais sofre de dor crónica moderada a severa. O também diretor de Serviço de Anestesiologia e coordenador da Unidade de Dor Crónica da ULS Médio Tejo acredita que este problema acentua as desigualdades sociais e tem vários custos associados, não só humanos, mas económicos. De acordo com o estudo liderado por Luís Filipe Azevedo, professor e investigador no CINTESIS, o custo total anual da dor crónica estimado, no nosso país, é de 4,6 mil milhões de euros, o correspondente a cerca de 3% do produto interno bruto. “A dor crónica está ao nível — ou até acima — de doenças como a diabetes e as doenças cardiovasculares, que dominam o debate público” defende. |
Estes custos nem sempre debatidos afetam “desproporcionalmente algumas franjas da sociedade, como os idosos, pessoas com trabalhos mais desgastantes, com menos proteção social e menos acesso a cuidados de saúde; tem uma prevalência superior nas mulheres e amplia as vulnerabilidades previamente existentes”, reforça o convidado. Os custos diretos traduzem-se em mais de 40% das despesas (medicamentos, fisioterapia, consultas médicas, exames, procedimentos e cirurgias), e os custos indiretos, mais invisíveis, “são mais difíceis de estudar e de quantificar porque estão fragmentados nas faltas ao trabalho, na baixa laboral, na baixa de produtividade [presentismo, que se traduz na presença física do trabalhador, mas não consegue produzir o mesmo], nas reformas antecipadas por incapacidade, na perda fiscal e no desemprego”. |
Nuno Franco lamenta a falta de incentivos para o Ministério da Saúde investir num programa em que outros ministérios trabalhassem “de forma integrada” e a escassa partilha de dados, o que impede uma poupança a médio, longo prazo. “Estamos a falar de orçamentos de ministérios que não comunicam, quase como se pertencessem a países diferentes.” |
Pode ouvir este e outros episódios do podcast Conversas sobre Dor, no site do Observador e nas plataformas habituais de podcast. |
Sabia que a lombalgia é o tipo de dor crónica mais frequente e incapacitante no mundo? Preparámos um Explicador sobre esta que é mais do que uma simples dor de costas. “Estima-se que afete um terço da população portuguesa”, refere Simão Serrano, médico fisiatra e coordenador da Unidade de Técnicas de Intervenção em Dor do Hospital Rovisco Pais – ULS de Coimbra. Pode afetar pessoas de todas as idades, inclusivamente crianças, mas é mais frequente em adultos entre os 30 e os 50 anos. Quais os principais sintomas? Quando deve pedir ajuda? Como se diagnostica? E como se trata? Quais as consequências a médio-longo prazo? É possível prevenir? Conheça as respostas aqui. |
Clara Abadesso é médica pediatra, subespecialista em cuidados intensivos pediátricos no Hospital Prof. Dr. Fernando da Fonseca (HFF) e a mais recente protagonista da rubrica O que aprendi com a dor dos outros, da autoria da jornalista Sofia Teixeira, com fotos de Tomás Silva. Dedica-se a prevenir e a tratar a dor infantil e acredita que esta área ainda é muito negligenciada. |
Na enfermaria, na urgência e nos cuidados intensivos do HFF, existe uma caixa a que a equipa chama “O kit sem dor” que contém materiais de distração, como livros, jogos, bolas de sabão e brinquedos. E já que comecei a falar sobre custos económicos no começo desta newsletter, também aqui o financiamento é um tema. “Somos nós que organizamos ações para angariar dinheiro para comprar este material ou, muitas vezes, compramos do nosso próprio bolso. Ainda não é considerado prioritário ter materiais que permitam distrair uma criança da dor e ansiedade dos procedimentos. Eu entendo que é tão prioritário como ter paracetamol”, defende. |
É muito importante perceber a dor da criança e não a ignorar. Por outro lado, a pediatra defende que não se deve dizer a uma criança com medo ou com dor “não chores”. É importante validar “o que sente, ajudá-la a sentir-se segura e dar-lhe ferramentas: escolher a posição, fazer uma respiração comigo, apertar a mão do pai ou da mãe, focar-se numa imagem ou numa história”. E, em simultâneo, há que dar “colo” aos pais, que é como quem diz, explicar-lhes que a equipa fará “tudo o que é possível para controlar a dor do filho”. |
Ninguém quer sentir dor. Viver todos os dias com sintomas desagradáveis e associados a sofrimento altera por completo as rotinas. Desde o arranque desta secção, temos recebido e-mails de doentes e relatos tocantes de pessoas que partilham com a equipa o que sentem. E publicamos artigos de opinião escritos por pessoas que têm dor de forma permanente. Nem sempre constante, mas muitas vezes incapacitante. |
Se tem uma história que gostasse de partilhar, escreva-nos. E se chegou até aqui e consegui reter a sua atenção, não perca a oportunidade de aceder às novidades desta secção e desta newsletter. É fácil, basta ativar os alertas. |