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Depois do chumbo da reforma laboral, na sexta-feira, as atenções viraram-se para as negociações sobre a prestação social única (PSU). É que, na sexta-feira, parecia haver um acordo entre o PSD e o Chega para aprovar o pacote laboral que, à última da hora, caiu por terra, adensando as dúvidas sobre o destino da PSU. |
A PSU quer concentrar 13 apoios sociais, incluindo o rendimento social de inserção, numa única prestação. O executivo de Montenegro estima que, com esta nova roupagem nas prestações sociais, seja possível alcançar uma poupança anual de “cerca de 3,2 milhões de euros”. Poucas horas após o chumbo do pacote laboral, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social defendeu a PSU no Parlamento. “Não estamos dispostos a retirar o diploma”, assegurou Maria do Rosário Palma Ramalho. |
As votações da PSU na especialidade estão marcadas para esta quarta-feira. Durante a manhã, o PSD pediu o adiamento da votação, sugerindo movimentações nas negociações. |
Reuniões que parecem ter dado frutos, pelo menos do lado do PS. Eurico Brilhante Dias, líder da bancada parlamentar socialista, anunciou, já durante a tarde, que foi possível chegar a acordo. O PS conseguiu a “queda do canal de denúncias” e um trabalho social que “deixa de ser obrigatório e passa a ser opcional”. |
Na proposta que fez chegar à Assembleia, o Governo tentou uma aproximação ao Chega, ao incluir um aumento de um para dois anos no mínimo de residência legal para ter acesso à PSU. E, se no congresso do PSD chegou a falar-se numa “convergência” com o Chega no que toca à PSU, esta quarta-feira André Ventura anunciou que “não foi possível chegar a nenhum acordo em relação à PSU”. |
Após este acordo com o PS, falta ainda passar pela votação final global. |
A ambição de ter um fundo soberano português |
A ideia surgiu em pleno congresso do PSD, no fim-de-semana passado. Ainda que estivesse a discursar no encerramento do congresso na qualidade de presidente do partido, Luís Montenegro também fez promessas de governação. E, entre as várias ideias, está a vontade de que Portugal tenha o seu próprio fundo soberano. |
Segundo Montenegro, este fundo será criado junto da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública, o IGCP, com a intenção de ser “um instrumento de autonomia e intervenção do Estado em setores estratégicos”. Foi ainda manifestada a vontade de que este fundo terá “participações acionistas relevantes em empresas estratégicas para o desenvolvimento do país e para a sua resiliência”, em áreas como a “energia, (…) banca, comunicações ou mesmo a gestão de infraestruturas aeroportuárias se os concessionários das mesmas não cumprirem as suas obrigações”. |
Ficaram fora das declarações de Luís Montenegro os detalhes sobre como será financiado o fundo soberano. Nomeadamente devido à questão da dívida pública alta, que está acima dos 80%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) já se pronunciou sobre o assunto, considerando não ser incompatível a criação de um fundo com a dívida alta. “Um fundo soberano é uma ferramenta bastante generalizada para gerir ativos e passivos públicos. Ter uma dívida elevada não impede, por isso, que faça a gestão dos seus ativos através de um fundo soberano”, disse Jean-François Dauphin, chefe de missão para Portugal do FMI. |
As propostas para reforçar a independência dos reguladores nacionais |
No ano passado, o Governo criou uma comissão com o intuito de estudar a autonomia e a independência das entidades reguladoras. Liderada por Jorge Vasconcelos, ex-presidente da ERSE, a comissão foi criada na dependência de quatro ministros: Finanças, Presidência, Economia e Coesão Territorial e Reforma do Estado. |
E, desde o início, esta comissão tinha um prazo de validade: funcionaria apenas até à produção do relatório final, que foi apresentado esta quarta-feira. |
O documento contém várias propostas e recomendações para o reforço da independência dos reguladores. Por exemplo, a diminuição do período de nojo após um cargo num regulador, de dois anos para 18 meses, ou a não permissão de cativações. Ou, no que toca a remunerações, a sugestão para que passe a existir um ajuste à tabela que é usada pelas agências europeias. O relatório recomenda ainda a criação de uma Comissão de Acompanhamento do Funcionamento das Entidades Reguladoras. |

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A EMPRESA |
Um ano e oito meses depois da abertura do concurso inicial, a Teixeira Duarte foi a escolhida para assegurar os trabalhos de reabilitação da septuagenária Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca de Xira. |
As obras até estiveram programadas para começar no ano passado, mas ficaram suspensas durante mais de um ano devido a uma impugnação judicial. A Infraestruturas de Portugal (IP) chegou a escolher a Conduril para assegurar as intervenções naquela que é a primeira e mais antiga travessia rodoviária do rio Tejo na região da Grande Lisboa. |
Porém, a decisão da IP foi contestada pela Teixeira Duarte, que foi a segunda classificada no concurso inicial. Em novembro de 2025, a construtora avançou com a impugnação judicial, justificando que a decisão era “não apenas para defesa dos seus legítimos interesses, mas também para salvaguarda do interesse público”. Após as pronúncias dos tribunais e a exclusão da concorrente, a IP trocou de empreiteiro e adjudicou, em maio, as obras da ponte à Teixeira Duarte. |
Os trabalhos, que incluem o reforço da resistência sísmica da Ponte Marechal Carmona, já arrancaram e vão durar mais de dois anos. |
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