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A Space X bateu todos os recordes de uma oferta pública inicial (ou IPO, na terminologia anglo-saxónica, que significa Initial Public Offering). Ao ser colocada a 135 dólares por ação, foi avaliada em 1,8 biliões (isso mesmo ou trillion nos Estados Unidos) de dólares (1,6 biliões de euros). Nunca empresa alguma entrou em bolsa a valer tanto e em três dias de negociação já é a quinta empresa mais valiosa em bolsa (atrás da Nvidia, Alphabet, Apple e Microsoft). Mas como avisa ao Observador o professor Jay Ritter, conhecido como “Mr. IPO”, o potencial de valorização é menor, dado o valor elevado a que entrou. |
Elon Musk sai, para já, como vencedor desta colocação em bolsa de uma empresa que vende futuro — uma presença multiplanetária do Homem — mas também tem presente. A sua constelação Starlink é lucrativa e a sua aposta na inteligência artificial já resultou na compra da Cursor (de programação). E consegue colocar em bolsa, arrecadando 75 mil milhões de dólares, uma empresa deficitária. Porque faz Elon Musk agora esta entrada multimilionária em bolsa? “Estamos numa fase de crescimento e é preciso dinheiro”, respondeu o empresário (agora feito bilionário ou trillionaire). |
Quem duvida da avaliação da SpaceX em bolsa ainda não teve razões para dizer “tenho razão”. Nos primeiros dias de cotação ainda não houve descidas, só subidas. E em breve a empresa até poderá integrar o índice Nasdaq — que alterou as regras para permitir que cotadas com 15 dias de negociação possa entrar no índice. Com isso gerará procura de fundos que têm de replicar os índices. E a oferta, para já, não subirá muito. Os períodos de inibição para vários acionistas vão determinar a colocação gradual e faseada de mais ações em bolsa. Tudo joga a favor da cotação de curto prazo da SpaceX. Falta o teste final, que chegará com o fim do período de inibição (lock up). Mas antes poderemos ainda ter mais dois mega-IPO: o da Anthropic e o da OpenAI. |
A “óbvia” e não “preventiva” decisão do BCE de subir juros (dias antes do anunciado acordo Irão-EUA) |
2022 ainda está fresco na memória. O BCE foi acusado de agir tardiamente, nessa altura. Agora foi o primeiro a mexer-se. Na última reunião de política monetária subiu os juros. Mas Christine Lagarde garantiu que não foi uma decisão preventiva, ou seja, não subiu agora os juros para evitar problemas no futuro. A presidente do BCE assumiu que foi tomada por ser “necessidade” “óbvia”. E unânime. Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, não votou nesta reunião (as votações são rotativas), mas não deixou de uns dias antes admitir que a decisão do BCE seria aquela que acabou por acontecer — subir taxas, para placar a subida da inflação. Isto apesar de, nos bastidores, o BCE ainda não vislumbrar descontrolo da inflação. |
A decisão do BCE aconteceu no dia em que se começou a noticiar a proximidade do acordo entre Estados Unidos da América e Irão para pôr fim ao conflito. Já há um memorando de entendimento que ainda não foi assinado, mas o petróleo já começou a descer — o Governo está atento para cortar nos apoios. Assim o Estreito de Ormuz fique aberto. Jotaro Tamura, presidente executivo da Mitsui OSK Lines, admitiu ao Financial Times que muitas empresas vão continuar a evitar a travessia do estreito, apesar do acordo que prevê a reabertura da via marítima. Ou seja, uma normalização da circulação ainda vai demorar. |
Ainda a reforma laboral e mais uma acha para a fogueira da ministra do trabalho |
Não há ainda acordo entre Chega e Governo para as mudanças da lei laboral. Mas há negociações. É uma abstenção que basta para as propostas descerem à especialidade para negociação entre partidos. Luís Montenegro pediu ao Parlamento para deixar a reforma seguir o seu caminho. André Ventura faz exigências, e coloca algumas propostas em cima da mesa — alterações na amamentação, licença para avós que ajudam a cuidar dos netos, trabalho por turnos e mais férias. O primeiro-ministro mostrou abertura para negociar algumas dessas medidas, deixando a porta aberta para voltar a pôr o número de dias de férias em 25 dias (com base na assiduidade) como existia antes da intervenção da troika. O Governo já lá esteve e recuou para agora poder voltar aos 25 dias. A discussão sobre a reforma laboral é amanhã, quinta-feira, com a primeira votação a acontecer na sexta-feira. |
Esta não é a única “luta” que a ministra do Trabalho trava no Parlamento. A prestação social única (PSU) está no Parlamento (na especialidade, para onde desceu sem a primeira votação na generalidade), à espera de um acordo também com o Chega. O trabalho social está no centro da discórdia, tendo Maria do Rosário Palma Ramalho realçado já existir essa possibilidade — mas ao Observador o Ministério do Trabalho não revelou quantas pessoas já o fizeram. A discussão na especialidade vai ser feita em contra-relógio, já que a medida está relacionada com dinheiros do PRR. |

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A EMPRESA |
Uma guerra pela água do mar em Sines. A EDP, que tinha a central termoelétrica em Sines, tinha a exploração da captação de água do mar para arrefecer a central. E na sua ótica ainda tem e por isso considera poder negociar a água que capta com outros promotores de investimentos em Sines que precisam de água, como a Start Campus. Só que o Governo tem ideia diferente. Em diploma legislativo entregou à Águas de Santo André a concessão dessa captação e gestão. O caso foi parar ao tribunal. |
Além de salvaguardar o acesso ao recurso hídrico, a EDP quererá ser compensada pela infraestrutura a entregar à Águas de Santo André. Esta é uma história que o Observador revelou durante esta semana. |
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