Praticamente sozinho entre os democratas eleitos, Dean Phillips estava disposto, na disputa das primárias deste ano, a dizer a verdade sobre a condição mental e física do presidente Biden. Phillips fê-lo com firmeza, mas educadamente, numa candidatura falhada à nomeação presidencial. No entanto, mesmo depois de ter obtido 20% dos votos no Estado do New Hampshire, a classe política do partido continuou a ignorá-lo e a fingir que tudo estava bem com o presidente.

Pouco antes de Biden abandonar a corrida, Phillips repetiu a mesma frase por todo o New Hampshire em Janeiro: “Suprimir a verdade é um jogo perigoso”, dizendo que quando chegou ao Congresso em 2019, havia ficado impressionado com a cultura de silêncio e perturbado pelos colegas republicanos que elogiavam publicamente o então Presidente Trump, mas o criticavam em privado. Isso refletia uma lealdade deslocada, dirigida a uma pessoa e a um partido, em vez de a princípios e a um qualquer tipo de patriotismo. Os democratas fizeram exactamente o mesmo até que o desempenho de Biden no debate os obrigou a reconhecer as evidências.

O que os membros do Partido Democrata fizeram foi, nada mais que ajudar a suprimir a verdade. Muitos eleitores democratas, particularmente os menos informados que nunca consultam os meios de comunicação conservadores, não faziam ideia do quanto Joe Biden estava a definhar psiquicamente. Os democratas eleitos, com a complacência dos seus aliados nos media, rejeitaram qualquer expressão de preocupação com a acuidade do presidente. Não estavam a curvar-se à vontade dos eleitores do partido e a queixar-se disso em privado, estavam mesmo a esconder a verdade a esses eleitores enquanto a diziam claramente aos seus correligionários da classe política.

O preço desta conduta pode sentir-se no que resta da corrida, e pode sair caro demais. Mais caro do que ter lançado um novo candidato ao invés de colocar Biden para uma corrida a um segundo mandato que termina antes de começar.

A base democrata nunca foi tão leal a Biden como a base republicana é a Trump, e não teria sido necessária uma coragem transcendente para que alguns democratas eleitos no Outono de 2023 sugerissem em voz alta que talvez o Presidente se devesse contentar com um único mandato. Os mais ambiciosos poderiam ter apresentado os seus nomes como candidatos presidenciais. Apenas um o fez, Dean Phillips. E tinha razão.

Suprimir a verdade e ignorar a realidade é um jogo perigoso, os soviéticos que o digam.

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