Quatro notas definem a Igreja: é una, santa, católica e apostólica. É una porque foi só uma a Igreja fundada por Jesus Cristo, instituída na pessoa de Pedro e dos seus sucessores na primazia da caridade. É santa, porque santo é o seu divino Fundador, bem como santos são o fim e os meios que oferece aos seus fiéis que, chamados pelo baptismo à santidade, são, no entanto, pecadores. É católica, porque é universal na comunhão dos seus fiéis, sem ser de nenhuma nação, cultura ou raça, porque a todas abarca na confissão da única fé. E, por último, é apostólica, porque os seus bispos são sucessores daqueles doze primeiros discípulos de Cristo aos quais foi confiada a plenitude do sacerdócio.

Sendo católica, ou seja universal, a Igreja nunca se identificou com uma pátria, ao contrário do judaísmo, que é essencialmente nacionalista, nem com nenhuma cultura, como o islamismo, que tem uma especial relação com a língua árabe, pelo facto de o seu livro sagrado, o Corão, estar redigido nesse idioma, em que deverá preferencialmente ser lido e meditado, sem que deva ser traduzido.

Mas, apesar de ser universal, a Igreja católica tende a se inculturar, ou seja a adaptar-se às tradições legítimas do país ou região onde realiza a sua acção espiritual, sendo, portanto, portuguesa em Portugal; italiana em Itália, chinesa na China e angolana em Angola. Ao princípio não foi assim, porque os primeiros evangelizadores eram, por regra, missionários estrangeiros, como Paulo o foi em toda a Ásia menor, na Grécia e em Roma. Só num segundo momento foi possível estabelecer uma hierarquia e clero indígenas que, paulatinamente, substituíram a primeira geração de evangelizadores.

Mesmo depois de cristianizados, muitos países continuaram a receber missionários estrangeiros. Por exemplo, na segunda metade do século XX, vários padres holandeses – entre os quais o saudoso Padre Dâmaso – e irlandeses vieram para Portugal e cá se estabeleceram. Mais recentemente, sacerdotes africanos e até indianos têm suprido as carências do clero diocesano, insuficiente para as necessidades pastorais das dioceses portuguesas, nomeadamente do patriarcado de Lisboa. A realidade dos seminários Redemptoris Mater, da responsabilidade das comunidades neo-catecumenais, também veio enriquecer os presbitérios diocesanos com seminaristas oriundos de outros países e culturas que, depois de ordenados presbíteros, permanecem no país onde receberam a sua formação sacerdotal.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.