«Quer deixar um conservador irritado? Minta-lhe. Quer deixar um esquerdista irritado? Diga-lhe a verdade». (Theodore Roosevelt)
«A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado». (Theodore Roosevelt)
«A verdade é inconvertível, a malícia pode atacá-la, a ignorância pode zombar dela, mas no fim; lá está ela [a verdade cristalina]». (Winston Churchill)
«A repetição não transforma em verdade uma mentira (…). A única coisa que devemos temer é o próprio medo». (Franklin Delano Roosevelt)
«Uma mentira dá meia volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de vestir as calças (…). Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir». (Winston Churchill)
Não!
Assim não!
Ouça lá Pedro Nuno, escute, mas escute mesmo. Na política, como em tudo na vida, não vale tudo. A política é nobre quando exercida com decoro, com verdade, sentido de responsabilidade pelo Outro, respeito, carácter, honra, ética e vergonha na cara. Naturalizar-adoptar a banalização da mentira diminui a política e o político. Faltar à verdade (floreado político recto-oratório), isto é, mentir (verdade popular), como arma de arremesso político, fragiliza politicamente (o sábio Povo não é tolinho, «raramente se engana e raramente tem dúvidas»), não colhe, pelo simples facto das pessoas (pelo menos algumas) terem memória e, sobretudo, haver gente com memória política, sem «avulsismo politiqueiro». Até porque, mentir pressupõe uma atitude deliberada, ostensiva, mais ou menos premeditada, e que não assenta nada bem a um candidato a líder político da oposição e putativo Primeiro-ministro. Na vida política, parlamentar e partidária «chega» de intencionalidade-lamaçal, de mentiras e não-factos políticos efabulados. Liderar é conduzir os homens com a verdade.
A mentira na política e em política é profundamente negativa; de efeito devastador no exercício da Res publica. Um político-estadista leva muito a sério o primado-premissa da responsabilidade e verdade da «coisa pública», da «coisa do povo»; o Povo soberano não pode, nunca, nunca por nunca, ser enganado com mentiras e por mentiras alienado no seu juízo sacrossanto. É que acontece que o Estado não é coisa privada, sendo que ao ser de todos nós (fica a teorização), servir a «causa pública» obriga a falar a verdade, doa a quem doer. E o Povo, sem lavagem cerebral, ajuizará, no seu critério, bom-senso, siso e sabedoria – no Estado de Direito Democrático o Povo-cidadania tem direito à verdade – deturpar a factualidade-história política «en passant» é feio, de baixa política, de «traição-estupidificação» das massas populares. Em democracia «o Povo é quem mais ordena»!
A «metrificação política» – novo termo inventado por nós – no sentido da medida e da estrutura do discurso político, de medir o caudal-pulsar da verdade política, em política e em campanha política, visando o apuramento da verdade dos factos políticos presentes e passados; sem sofisma-intenção de indução em erro (do grego antigo, sofisma, que deriva de sophizesthai, que significa fazer raciocínios capciosos) e silogismo equivocado, de non sequitur da(s) falácia(s), nem ad hominem, nem post hoc ergo propter hoc (depois disso, logo, causado por isso), falácia lógica de correlação-conexão coincidente de factologia política de sequência temporal-cronológica e alegada relação de causa-efeito conjuntural – «metrificar» a política é medir a verdade política e discursiva.
A «metrificação política» não se coaduna com a negação da verdade política factual nem com o lirismo-protagonismo esquerdizante na catarse e mea culpa de certos acontecimentos e inverdades (vulgo mentiras) acerca de ex-governante(s), na temporalidade passada e agora ressuscitada, e de mentira descarada. A política romanceada enferma de excesso de sentimentalismo partidário exacerbado, de subjectividade perversa da verdade, da emotividade e musicalidade do aparelho partidário – com exaltação dos pecadilhos alheios e a não assumpção dos próprios erros – com ardor-adição e paixão-viciação.
A «metrificação política» ao medir o analfabetismo político, estuda-analisa as causas e fenómenos político-sociais, da abstenção, da manipulação político-partidária, e do comportamento da massa popular acéfala – ilustrando – «O analfabeto político: o pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguer, dos sapatos e dos remédios que dependem das decisões políticas».
«O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra [de carácter e conduta condenáveis], corrupto [de ideário mentiroso] e lacaio das empresas nacionais e multinacionais». (Bertolt Brecht)
O estado de negação e o lirismo delirante da esquerda política e da direita ultra que fez cair o governo, este é o momento de apresentar programas, reformas, novas ideias, de mostrar mais valia e diferença, de se evidenciar, e não se ficar pela acusação fácil do «bota abaixo». Vamos a eleições e os senhores políticos vão a votos. «Entre a desonra e a guerra, eles [políticos periféricos] escolheram a desonra, e terão a guerra [do veredicto popular]». (Winston Churchill)
A política (do grego, politiká, deriva de polis que designa o que é público e tikós, que se refere ao bem comum, de todas as pessoas) – o Homem ser social – comunitário. Para Aristóteles, a política era uma continuação da ética, aplicada à vida pública, com formas de governo propiciadoras de uma vida e vivência em sociedade melhor; e não do ataque pessoal injusto, da maledicência comprometida e do alheamento da verdade. De diferenciação entre «política» (a arte de fazer o bem comum) e «politicagem» (a política reles e mesquinha de interesses pessoais, de troca de favores particulares em benefício próprio, de vantagem-benefício ao culpar o adversário-inimigo político oponente). «A política não é um faz de conta, isto é, politicagem. Representar um povo exige carácter, humildade e sensibilidade. Deste modo, ser político é um trabalho árduo, e requer coragem». (William Timóteo)
A negação e lirismo da esquerda política prende-se com o facto da apetência pelo poder, do viciamento da governança, de uma sociedade portuguesa subsidio-dependente, clientelar-sociológica, politicamente analfabeta, de exigência do «poucochinho», do caciquismo partidário, das mentes capturadas pela ideologia, dos «mass media; mídia» (do latim, medium, que significa espaço intermediário, meio; expressão-locução inglesa) correligionários e «avençados», e da crítica mentecapta – do latim tardio, mente captu(s), que significa privado da mente – do não uso da razão.
«Não se opor ao erro é aprová-lo. Não defender a verdade é negá-la». (São Tomás de Aquino)
Voltando a Pedro Nuno Santos, não pode, se quer ser uma efectiva, real, verídica, credível e substantiva alternativa e alternância de poder e no poder executivo do país luso-camoniano – a Pátria portuguesa – viver no presente a constância de culpar o passado, como há poucos meses atrás, em 2024, invocando o passado nos idos de uma década atrás. Falamos concretamente da «troïka» e de Pedro Passos Coelho – tal o incómodo da assombração – sendo o «espartilho-conjuntura troikiana» obra e graça socialista, de compulsiva enfermidade-mentira «socratiniana-teixeiriana». Com o partido da «mão do punho fechado» a ter todas as culpas, (ir)responsabilidades e, levianamente, a aligeirar os pecados próprios da (des)governança em que «calamitou» Portugal.
«Um fanático é uma pessoa que não pode mudar de opinião e que não muda de assunto». (Winston Churchill)
A acção política primordial é melhorar a vida das pessoas com acções, medidas, pragmatismo governativo, reformas necessárias, de implementação de políticas e rendimentos para um Portugal de futuro, com futuro, de esperança geracional renovada. A vacuidade das palavras e a dança das cadeiras nada resolve; precisa-se de acção política concreta de resolução dos problemas dos portugueses e das famílias – de políticas-alicerce e não de políticas-subsídio – no sentido da sustentabilidade-responsabilidade e de contas públicas saudáveis. E mais ainda, de uma política de imigração controlada, e não de portas escancaradas. A esquerda romântica tem de dar lugar à esquerda adulta, de trocar a imaturidade política pela maturidade pública estatal oficial; para poder estar apta a governar, a ter desempenho governativo – do latim, gubernativus, que significa próprio para governar – ter a capacidade política para o exercício da Res publica.
O saudoso professor Medina Carreira, que bem que falava, vaticinava e alertava. Cabe ao jornalismo e à cidadania descomprometida, intelectual e assertivamente crítica, realinhar as políticas e redireccionar os políticos. O partido da rosa espinhosa e o partido da seta laranja, ambos, não estão isentos de culpa(s). Com penitência acrescida para o lado rosa e de ventania de esquerda, pelo simples facto de ter muitos mais anos de (des)governança. E o Povo sofrendo, pagando, esperando, desesperando – com a vida adiada – chega! Chega de (a)ventura(s).
Tem de haver estabilidade política – a instabilidade política é a anormalidade – e Montenegro (que tem a presunção de inocência) não está isento de culpas, ficando a lição futura de que a regra de ouro em política tem de ser de absoluta moralidade, com a mais límpida transparência e diafaneidade – o antónimo de opacidade – evitando o cálculo político e o oportunismo político de ocasião, penalizador de quem o pratica.
«A política não é um jogo de partidos nem uma questão que só a eles diga respeito. É um problema da nação [Povo] que a todos os portugueses afecta e na qual todos estão imersos, pois lhe suportam pelo menos as consequências». (Francisco Sá Carneiro, Assembleia da República, 1978)
Parafraseando Sá Carneiro, «primeiro o país, depois o partido e por fim a circunstância pessoal de cada um». A «metrificação da política» tem de ser eticamente irrepreensível, ao serviço dos portugueses e do Estado, sem aproveitamento-enriquecimento e rendimentos milagreiros. De absoluta axiologia-moralidade, de exemplo e exemplar conduta dos políticos portugueses – sem tropeções em malas e afins – o contrário é uma vergonha nacional.
«Considero-me muito mais a pessoa que resolveu trabalhar ao nível da intervenção ética do que um político». (Francisco Sá Carneiro, Imprensa, 1971)
«O fim principal do poder político é o serviço da pessoa. O Estado está ao serviço da pessoa». (Francisco Sá Carneiro, Assembleia Nacional, 1971)
«É preciso que as eleições sejam de facto escolha, que as pessoas quando votam (…) saibam que votando em determinado partido escolhem determinado governo (…); não há nada que pague a sinceridade na acção política, como em tudo». (Francisco Sá Carneiro)
A metrificação da política mede objectivamente a informação veiculada aos eleitores, das tendências, barómetro-, e da qualidade da informação. Explica das origens e das causas da abstenção, que Sá Carneiro criticava: «A abstenção é um acto de covardia política». (Francisco Sá Carneiro, Assembleia da República, 1978)
A metrificação-medição rigor da política portuguesa e dos políticos portugueses, em aproximante véspera de eleições legislativas «grita-nos» para deixarmos aqui, para reflexão pessoal dos leitores-eleitores, palavras sábias para pensarmos e meditarmos – o voto – ponderado.
«Podes, e deves, ter ideias políticas, mas, por favor, as “tuas” ideias políticas, não as ideias do teu partido; o “teu” comportamento, não o comportamento dos teus líderes; os interesses de “toda” a Humanidade, não os interesses de uma “parte” dela. E lembra-te de que “parte” é a etimologia de “partido” [do latim, partitus, que tem o sentido de dividir, de tomar partido, de desfragmentação]». (Agostinho da Silva, Filósofo, Poeta, Ensaísta, Os Três Dragões)
«É essencial que os partidos, as pessoas, os movimentos, as associações assumam as suas responsabilidades e ponham de parte o clima de ataques demagógicos e irresponsáveis, bem como os clamores de sociabilização [a sociabilização é o processo de aprender a viver em sociedade; diferente de socialização, que é o processo de aprender as normas e valores de uma sociedade] imediata, que têm vindo a intensificar-se desde o 25 de abril». (Francisco Sá Carneiro, Imprensa, 1974)
«Para que a democracia perdure em Portugal é necessário que algo mude. É essa a nossa tarefa e o apelo que dirigimos a todos os portugueses». (Francisco Sá Carneiro)
«O nosso Povo tem sempre correspondido nas alturas de crise. As “élites”, as chamadas “élites” [palavra francesa, estrangeirismo], é que quase sempre o traíram, e nós estamos a ver mais uma vez que o Povo Português foi defraudado da sua boa-fé». (Francisco Sá Carneiro, Congresso do PPD/PSD, 1978)
«Acima da social-democracia, a democracia. Acima da democracia, o Povo português». (Francisco Sá Carneiro)