Israel não é o pior país do mundo, está muito longe disso. Quem disser o contrário não está a ser intelectualmente honesto. Neste momento, existem mais de 100 conflitos armados em todo o mundo. A guerra de Gaza nem sequer é o conflito que tem provocado mais mortos e o número de baixas civis não está assim tão longe daquele que se verificou até agora na guerra da Ucrânia (isto já descontando o número de militares abatidos ao número total de vítimas, segundo o cruzamento de informações admitidas pelo próprio Hamas e ONU – e incluindo também os “combatentes” menores de idade, do Hamas).

Mas vamos ao que vos interessa, respondendo à notícia polémica dos últimos dias, para acabar (espero eu) com todas as especulações. Afirmo que é verdade que Israel levou um grupo de “influencers” portugueses a conhecer aquele país, não só com a intenção de visitarem os locais mais emblemáticos, mas igualmente para melhor compreenderem a sociedade e a cultura da região. De igual modo, visitaram os locais onde ocorreu o Genocídio do 7 de Outubro, incluindo os túneis usados pelo Hamas. Também tiveram oportunidade de falar com várias pessoas que viveram a experiência na primeira pessoa, sobreviventes dos kibutzim, com os pais das crianças druzas assassinadas em Majdal Shams, com árabes israelitas que servem nas IDF, com activistas pelos Direitos Humanos que tiveram que fugir do Líbano para não serem mortos.

Também visitaram hospitais, clínicas humanitárias onde se tratam gratuitamente crianças de todo o mundo (incluindo palestinianas), visitaram o Museu do Holocausto – Yad Vashem em Jerusalém, o Peres Center para a Paz e Inovação, tendo ainda visitado lugares sagrados, tanto para cristãos como para judeus e muçulmanos!

Também é verdade que a intenção de Israel com esta viagem (e outras análogas que já fizeram com pessoas de todo o mundo) é melhorar a sua imagem nas redes sociais. Certo! Mas… onde é que está o mal disso? Todos os países se promovem, e Israel não é nem será caso único! Provavelmente Portugal deveria pensar mais nisso, em vez de se acomodar unicamente com a força da imagem do Embaixador CR7.

Hoje, o que mais se encontra nas Redes Sociais é propaganda mentirosa, falácias e meias-verdades, contadas de forma a diabolizar a única Democracia Liberal no Médio Oriente, Israel. Ora, face a tão elaborada campanha de desinformação, por que razão parece tão errado, numa sociedade onde o Estado de Direito é um pilar fundamental, que Israel tenha igualmente o direito de apresentar os seus argumentos, as suas dores e as suas razões? Ainda que se corra o risco de se continuar a discordar de Israel, porque não dar oportunidade de argumentação? Porque não deixam as pessoas ouvirem todos os lados, todas as versões dos acontecimentos, e depois que cada um decida pensar o que quiser?!

Eu conheço todas as publicações relativas a essa viagem, todas as imagens, incluindo aquelas que ainda não foram e/ou nem serão publicadas. Não vi que tenha sido publicada qualquer mentira. Nada que não se tenha visto ou ouvido realmente no terreno. Em lado algum vi apelos à guerra, referências de desprezo pelas vítimas palestinianas, ou justificações que branqueiem os dramas da guerra. A missão assumida por toda a delegação foi de informar sobre Israel na esperança de pelo menos, contrariar a desinformação feroz contra aquele país.

O tom de algumas publicações pode estar sujeito a crítica? Claro que sim. Mas lembremo-nos que se trata de figuras “influencers” bastante conhecidas nas Redes Sociais, e que actuam neste contexto, com estilos próprios, com posições ideológicas assumidas e com um público específico. Eu também já vi o Ricardo Araújo Pereira falar de coisas sérias na televisão, sem desistir do seu registo sarcástico, e nem por isso deixou de passar a mensagem, chamando a atenção para as problemáticas da humanidade. E alguém lhe levou isso a mal? Não. É simplesmente o Ricardo a ser o Ricardo, tal como nesta viagem foram os “influencers” a ser exactamente aquilo que representam.

Esta viagem foi feita completamente às claras, e assumidamente financiada pela Embaixada de Israel em Portugal. Ninguém o escondeu. Toda a gente deu a cara, sem medo e sem perfis falsos. Sem camuflar financiamentos obscuros com dinheiro de sangue do terrorismo. Sem festarolas boémias de libertinos, sem preservativos espalhados pelo chão ou qualquer consumo de drogas. Mas apesar disso, os participantes desta viagem foram violentamente ofendidos em alguns órgãos de comunicação social reconhecidos, num explícito ataque à sua honra, e tornaram-se alvos de mensagens privadas de ódio e ameaças contra a sua própria integridade física.

Em forma de conclusão, não deixa de ser estranho que de todos os conflitos no mundo, muitos deles bem mais violentos, apenas este conflito preencha tamanha atenção dos principais tablóides! Isso não significa que se esteja a ter uma consciência genuinamente humanista (e que me perdoem aqueles que realmente a têm). Isso representa mais um sinal de perseguição.

Apesar de muitos outros “influencers” defenderem diariamente outros países, incluindo o Irão que oprime o seu próprio povo e matou em dois dias muito mais inocentes do que aqueles que morreram em Gaza, ou a Rússia que é governada por uma ditadura cruel que envia para a morte certa centenas de milhares de jovens em início de vida, parece que para o Ocidente apenas é pecado defender Israel… Ter voz activa e assumir simpatia por um Estado de Direito em pleno coração do Médio Oriente, onde as pessoas não são presas apenas por causa da sua opinião ou ideologia, passou a não ser bem visto pela opinião pública mais ingénua na Europa. Em Portugal também existe esse tabu, mesmo que os árabes que vivem em Israel afirmem a pés juntos que é ali o único sítio naquela região onde podem realmente ser livres e viver em segurança sem temer pelas suas famílias.

Quanto a mim, que não sou “Influencer” nem ouso sê-lo, considerem-me apenas alguém que possui opinião própria e não prescinde do livre pensamento. Mas assumo que também fiz parte dessa famosa viagem embora noutra qualidade que não a de influenciador. Acompanhei-os e observei-os a todos, por isso sei do que falo.

E posso também assegurar pela minha honra que ninguém nos pediu para escrever algo específico, ou para não revelar alguma coisa que tenhamos visto ou ouvido. Muito menos nos pediram para pintar um quadro muito bonito sobre Israel. Nem tão pouco nos pagaram um único níquel para integrarmos essa delegação ou para fazer qualquer publicação (ora bolas, afinal nunca existiram os tais 7000 dólares por post que davam tanto jeito). Todos aceitaram fazê-lo livremente e por convicção. Só nos pagaram as despesas.

Ora, um Estado manipulador, como dizem que é Israel, jamais agiria dessa forma. Se fosse realmente um Estado manipulador, ter-nos-ia manipulado, de facto. E não venham tentar passar-nos por parvos nem passar-nos qualquer atestado de ignorância, porque somos adultos e experientes o suficiente para perceber quando um itinerário faz parte de uma encenação ou de uma tentativa de instrumentalização da informação.

Sendo assim, não façam filmes onde eles não existem. Eu sei que os filmes e a polémica vendem mas se têm algum respeito pelas vítimas civis (de ambos os lados), ou por aquelas populações que sofrem há décadas por culpa de um conflito que precisa mais de vozes conciliadoras do que berros da polémica… então por favor não alimentem casos onde eles não existem. Sejamos verdadeiros, honestos e elevados, quer concordemos ou não com as políticas de Israel.