As autárquicas de 12 de outubro voltaram a pôr o país com os pés bem assentes na terra. As eleições locais contaram com equipas de obra e proximidade, não de slogans nacionais, e a prova está à vista. O PS recuperou o fôlego nestas autárquicas, o PSD manteve-se e alargou o alcance, algo absolutamente normal, sendo este o partido do Governo. Outros, cantaram muito a salvação do país, e apesar de terem crescido em votos, falharam o salto e até a meta para o poder executivo local, bastante longe das 30 prometidas. Diria eu, que o grande crescimento foram os grupos de cidadãos que seguraram 20 câmaras.
Este resultado não desmente o que escrevi há tempos: os jovens, o populismo e os candidatos contam. Apenas ficou claro, como contam.
Os jovens continuam afastados das máquinas tradicionais, quando não lhes é dado o espaço real. Mas onde as listas abriram lugar a quadros novos e a causas concretas, houve uma maior mobilização. O populismo pesa, mas não governa por si. Os eleitores entenderam reforçar a representação do Chega em assembleias, mas hesitam em entregar-lhe a execução municipal; a prova, foram 3 presidentes de câmara eleitos e apenas 1 com maioria absoluta. Contra 128 presidentes de câmara PS com 101 maiorias absolutas, e 136 do PSD e coligações com 109 maiorias. Os números falam por si só. Por fim, o peso dos candidatos foi decisivo. Em muitos concelhos contou mais a obra feita, o historial político, competência técnica e claro a proximidade, que as promessas vazias ou slogans sem sentido.
Mas nem tudo se manteve. Com menos maiorias absolutas nas câmaras municipais face há quatro anos, vem também mais negociação. E não só nas câmaras municipais, as assembleias municipais, e assembleias de freguesia não ficam de fora desta complexidade governativa. Orçamentos, habitação, licenciamentos, entre muitos outros assuntos, exigem entendimentos rápidos se não quisermos perder o PRR e o PT2030. Neste cenário, cabe aos grupos de cidadãos e aos partidos políticos que ficam na oposição saber opor-se, não criticar por rotina, nem fazer política de demolição. Cabe-lhes fiscalizar, propor alternativas realistas e viabilizar o que é bom para cada concelho, para cada freguesia. Foram eleitos para servir e melhorar, não para impedir por impedir.
As autárquicas de 2025 não foram uma sondagem das próximas legislativas. O eleitorado radicaliza-se no discurso nacional, mas centra-se quando decide quem gere a rua, a escola, o saneamento. O eleitor separou o discurso de obra e pediu governação séria, execução e contas claras. Com menos maiorias e mais negociação, quem foi escolhido para liderar tem de construir pontes e quem está na oposição tem de fiscalizar e propor, não obstruir o caminho. A bússola para 2029, está traçada, menos barulho, mais obra, mais resultados. Quem aceitar governar com esta bússola, governa. Quem não aceitar, volta ou continua na oposição.