Com as eleições autárquicas de 2025 à porta, importa refletir que estas não serão iguais às anteriores. Não apenas porque o país mudou desde as últimas eleições legislativas, mas também porque existem hoje três elementos que podem influenciar os resultados: os jovens, os partidos populistas emergentes e, principalmente, a força pessoal dos candidatos.

A juventude costuma distanciar-se das formações políticas tradicionais, não por falta de interesse na política, mas porque não se vê representada por elas. Muitos encostam-se a movimentos independentes ou até a partidos radicais, o que não é necessariamente uma boa notícia. Os independentes podem ser uma porta de entrada para quem não se revê nas estruturas clássicas, mas na prática acabam muitas vezes por repetir os mesmos vícios: personalismos, falta de visão e soluções frágeis. Já os partidos radicais tornam-se motores de ódio e desinformação, em que o único objetivo real é levar o cabeça de lista ao poder.

Este afastamento só pode ser combatido com uma verdadeira renovação dentro dos partidos tradicionais. É preciso abrir espaço real para os jovens na vida política, garantindo que tenham voz, responsabilidade e lugares de decisão. E não nos podemos esquecer de falar das causas que lhes dizem respeito como a habitação, emprego digno, ambiente, futuro do interior, com propostas concretas e não apenas discursos de ocasião. No fundo, é necessário provar na prática que a política pode ser diferente, mais transparente e mais próxima. Se os jovens sentirem que podem fazer parte da mudança, ficam; se não, continuarão a procurar alternativas que, na maioria das vezes, não passam de atalhos sem futuro. E quando não encontram espaço nos partidos tradicionais, ficam mais vulneráveis ao apelo populista.

Por outro lado, o populismo não é futuro. É o presente. Já está aqui. E vai pesar nestas autárquicas. Esses partidos vivem de slogans, de verdades distorcidas e de promessas fáceis para problemas complexos. Dizem às pessoas exatamente aquilo que querem ouvir, mas não oferecem soluções sérias. E isso traduz-se numa ameaça real à democracia local.

Durante décadas, as máquinas partidárias decidiram eleições autárquicas. Em 2025 já não basta ter um logotipo forte ou uma bandeira conhecida. Vai pesar o rosto do candidato. O que fez. O que sabe. A confiança que transmite. Em concelhos pequenos, em vilas e cidades do interior, a escolha não será apenas partidária. Será pessoal. Os eleitores vão querer alguém em quem reconheçam a capacidade real de enfrentar o despovoamento, o envelhecimento e a falta de oportunidades. Cada lista, cada candidato, terá de provar o que consegue trazer para a mesa. No fim, creio que não vencerá quem grita mais alto, mas quem mostrar que pode transformar promessas em soluções reais. E se ninguém o provar, perdemos todos.

É por isso que acreditar que tudo ficará igual é um erro. Ainda há quem o diga, mas custa-me acreditar. Depois do que assistimos nas legislativas, não faz sentido pensar que as autárquicas não terão um reflexo dessa mudança. Claro que haverá municípios onde o sistema continuará a funcionar como sempre, sobretudo nas candidaturas de continuidade. Mas em muitos outros, 2025 pode marcar uma ruptura e trazer mudanças significativas às políticas locais.

Não posso deixar de dizer: se os jovens não ocuparem espaço, alguém o ocupará por eles. Se ficarem de fora, abrirão a porta a quem procura apenas o poder pelo poder, e não a causa pública. A quem grita soluções rápidas sem nunca se sentar à mesa com os eleitores ou fazer contas aos projetos que apresenta. É preciso cativar os jovens de hoje, que serão os cabeças de lista de amanhã e que conduzirão os destinos de tantos concelhos. A juventude precisa de estar presente. Nas listas. Nos debates. Nas urnas. Porque, no fim, estas eleições não decidirão apenas quem governa as câmaras. Decidirão que política queremos para o futuro: uma política séria, feita de soluções reais, ou uma política de ilusões.