Os dados do comércio internacional de bens relativos a 2025, divulgados pelo INE, evidenciam tendências para as quais devemos estar atentos.

O abrandamento, em termos nominais, do ritmo de crescimento das exportações, de 2% em 2024 para 0,5% em 2025, foi sustentado, sobretudo, pelo mercado da União Europeia, onde as exportações cresceram 2,4%, com destaque para o aumento expressivo no mercado alemão. Em 2025, os três principais mercados – Espanha, Alemanha e França – representaram, conjuntamente, 52% do total das exportações portuguesas, atingindo o peso máximo da última década. Para países fora da União Europeia registou-se um agravamento na diminuição das exportações, refletindo quebras significativas em destinos relevantes, como os Estados Unidos da América, num quadro vincado por medidas protecionistas e outros fatores geopolíticos adversos.

Esta tripla realidade — abrandamento das exportações, quebra nos mercados extra União Europeia e maior concentração geográfica — coloca desafios claros à estratégia de internacionalização do país. Embora a integração no mercado único constitua uma vantagem inegável e uma âncora de estabilidade, a elevada concentração geográfica das exportações eleva a vulnerabilidade do tecido empresarial a choques específicos nesses mercados, expondo-o a riscos acrescidos de natureza conjuntural ou estrutural.

Estes dados reforçam a importância de se continuar a apostar no apoio à diversificação dos mercados externos, no reforço da competitividade das empresas e na valorização de setores com elevado potencial de crescimento e valor acrescentado. Portugal dispõe de empresas competitivas, com experiência internacional, cujos produtos são bem reconhecidos além-fronteiras. É fundamental apoiar e estimular a presença em mercados de maior crescimento, nomeadamente em geografias emergentes, e reforçar ou consolidar posições naqueles em que existem afinidades históricas ou culturais.

Acompanhar as empresas a mercados não tradicionais e aproveitar as múltiplas oportunidades que se abrem com os recentes acordos comerciais que a União Europeia firmou com grandes blocos económicos (de que é exemplo o Mercosul e a Índia) continuará a constituir um desígnio para a intervenção da AEP.

A internacionalização não pode ser encarada apenas como uma opção empresarial, deve ser entendida como um desígnio nacional. Internamente, importa garantir outras condições favoráveis, onde destaco as infraestruturas de transporte e logística, hoje ameaçadas pelos impactos climatéricos muito severos.