Se há coisa que a História nos ensina — embora a esquerda insista em esquecer — é que os desastres ideológicos tendem a repetir-se… primeiro como promessa, depois como falhanço, e por fim como vitimização. Portugal não é exceção. Tem sido, aliás, uma incubadora paciente desse ciclo vicioso, onde a esquerda tem tratado o país como um laboratório social de experiências falhadas… com o povo como cobaia.

Nos últimos 40 anos, estivemos entregues, quase ininterruptamente, às mãos generosas dos que diziam lutar “pelo povo”. Resultado? Temos barracas com 40 mil metros quadrados em pleno concelho do Seixal, um território governado ininterruptamente pelo PCP desde o PREC. Um feito notável, só comparável à persistência do regime cubano em ignorar o século XXI.

Não se trata de um acaso. Trata-se de um legado.
Um legado onde as políticas de habitação serviram mais para distribuir desculpas do que casas, onde a imigração desregulada foi tratada como um sinal de virtude política, e onde a ilusão da inclusão substituiu a realidade da integração. E quando alguém ousa romper com a lógica do deixa-andar — como fez recentemente o Presidente da Câmara de Loures, ao enfrentar com coragem o flagelo das barracas — os OCS (órgãos de comunicação social), sempre prontos a ver fascismo onde há apenas autoridade e responsabilidade, apressam-se a crucificá-lo.

É curioso: quando as barracas proliferam sob décadas de governação comunista, o silêncio é sepulcral. Mas quando alguém tenta resolver em vez de compreender ad aeternum, os microfones ganham vida. Este comportamento é, afinal, o reflexo de uma certa esquerda pós-moderna: adora os problemas, desde que sejam insolúveis. Porque é deles que vive. De cada barraca nasce um pretexto. De cada ilegalidade, um argumento. De cada falhanço, um mártir.

É tempo de dizer basta. De exigir à esquerda que se responsabilize não apenas pelas intenções, mas pelos resultados. Que assuma os erros cometidos durante décadas em nome de uma utopia que só trouxe mais desigualdade, mais guetos, mais divisão e menos futuro.

Sim, há uma crise de habitação. Mas mais grave do que a falta de casas, é a ausência de coragem política para desmontar o teatro de sombras ideológico que nos trouxe até aqui. E enquanto a esquerda continuar a vender ilusões a prestações — com juros pagos pelo contribuinte — não sairemos da barraca onde nos meteram.