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Andam por aí muitos pais escandalizados com “Destemidas”, uma série de filmes de (des)animação passada no programa Zig Zag que, segundo a RTP, é um espaço infantil “dedicado a crianças entre os 18 meses e os 14 anos”. Um dos episódios conta a vida de Thérèse Clerc, pioneira do aborto livre e do movimento feminista em França.

Thérèse nasceu numa família católica conservadora, valha a redundância, e, por isso, é representada com uma cruz ao pescoço. O pai diz-lhe que deve ser dócil, enquanto a mãe acrescenta que se deve manter virgem até ao casamento. É óbvia a intenção de ridicularizar a moral cristã: a troça é o elogio que o vício presta à virtude.

Na cena seguinte, Thérèse, no leito matrimonial, com a cruz ao pescoço e sob um grande crucifixo, espera de forma submissa o marido, que lhe diz que quer ter mais uma criança. A mulher é, portanto, reduzida a um mero instrumento de reprodução, ou seja, uma proletária. Enquanto o homem tem uma vida profissional activa, a mulher fica em casa, escrava das tarefas domésticas e do cuidado a dar à numerosa geração.

Em jeito de ‘distração’ – é assim que se diz na curta-metragem – Thérèse frequenta a igreja. É aí que, por intermédio dos padres operários, conhece a obra de Karl Marx. É O Capital que a inspira a dar um novo rumo à sua existência: se todos os homens devem ser livres, as mulheres também!

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