Envolvimento do Governo britânico, falta de números das Nações Unidas sobre os óbitos e utilização de militares mortos como civis massacrados. Estas são as justificações dadas por Moscovo para afirmar que o massacre de Bucha foi “uma falsificação total”. Esta quinta-feira, foi apresentado um relatório “independente” sobre Bucha pelo chamado Tribunal Público Internacional sobre os Crimes dos neonazis ucranianos.

“Temos números e factos que nos permitem afirmar, com absoluta convicção, que toda a história em torno de Bucha é uma falsificação total e, diga-se de passagem, muito descarada, na qual foi atribuído um papel central precisamente à BBC, ao jornalismo ocidental — infelizmente, também isto tem de ser colocado entre aspas agora, porque se traiu a si próprio ao envolver-se nisto. E tudo foi feito por encomenda do Governo britânico”, afirmou Maria Zakharova, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, citada pela agência de notícias russa TASS.

As conclusões do relatório serão divulgadas por Sergey Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, sendo que, de acordo com Zakharova, verificadores de factos de todo o mundo estão a conduzir uma “investigação sobre a provocação em Bucha em várias frentes”.

Zakharova afirma que o massacre de Bucha foi “encenado” devido ao “desagrado” ocidental sobre os acordos de Istambul de março de 2022, que terminaram com a possibilidade de Kiev não aderir à NATO, mas com garantias de segurança dadas por outros países.

Uma das justificações dadas pelo relatório é, segundo Moscovo, a inexistência de dados sobre os mortos do massacre divulgados pelas organizações internacionais ou por Kiev, e a apresentação de combatentes do batalhão Azov como civis mortos. Segundo Zakharova, a Rússia pediu a Guterres a lista de civis mortos, mas nunca obteve resposta, e acusa o secretário-geral da ONU de ter feito parte da “campanha antirrussa”.

“Este foi apenas um dos fundamentos para considerar que toda esta história não passa de uma provocação sangrenta. Foi, diria eu, mais um fator que nos convenceu de que tudo isto não é apenas uma provocação do regime de Kiev, mas uma campanha de informação global”, refere.

Além disso, Zakharova afirma que o relatório do Alto-Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, divulgado em dezembro de 2022, continha acusações “infundadas e inabaláveis” e que deveria ter sido objeto de verificação de factos.

Bucha foi invadida no final de fevereiro de 2022, nos primeiros dias da invasão em larga escala da Ucrânia. As forças russas acabaram por sair a 30 de março, tendo sido encontrados mais de 400 corpos com sinais visíveis de tortura, com mãos atadas atrás das costas ou queimaduras, assim como um grande cenário de destruição.

Rússia vai apresentar relatório sobre “falsificação” do massacre de Bucha