Precisamos de uma educação forte, as oportunidades da 4.a revolução industrial estão a deixar milhões para trás, a desigualdade de rendimento aumenta em Portugal e pelo mundo fora e o populismo ameaça os valores basilares da democracia. Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, quando confrontado com o fenómeno Trump, respondeu prontamente que uma competência essencial nos dias de hoje é saber identificar falácias e argumentos dúbios.

Thomas Friedman, jornalista do New York Times, ilustra como a “era da aceleração”, a velocidade de transformação num ritmo alucinante de hoje, exige uma educação que capacite e que crie autonomia. Primeiro, a AT&T, uma empresa líder de telecomunicações nos Estados Unidos, criou um novo “contrato social” com os seus colaboradores assente na aprendizagem ao longo da vida. Quem quiser manter os seus empregos, e ambicionar empregos para a vida, terá de fazer mini-cursos financiados para actualizar as suas competências. Quem quiser um emprego para a vida, terá de aprender toda a vida. Segundo, a Internet, ambiente onde estamos todos em contacto sem filtros ou moderação, dá ao cidadão comum um poder de criação e destruição sem precedentes.

Este ambiente sem moderação cria a necessidade de ensinar às crianças e jovens o pensamento crítico, aliado a valores e ética, para se tornarem em cidadãos digitais conscientes e agentes de mudança positiva. Não existem fórmulas mágicas nem atalhos para estas questões, precisamos de uma educação robusta. Mesmo na 4.a revolução industrial, qualquer que seja o modelo de ensino, e melhor ou pior que seja, serão sempre os professores a dar corpo à educação, dia a dia, aluno a aluno.

E qual é o impacto dos professores na educação e nos alunos? É sabido que o que melhor explica o desempenho escolar dos alunos é o seu contexto socioeconómico, que tem sido medido através do nível de educação dos seus pais. Mas, no sistema de ensino, os professores são o factor que maior impacto tem no desempenho escolar dos alunos, isto quer seja segundo o estudo PISA da OCDE ou segundo o estudo Atlas da Educação, realizado pela Universidade Nova. Um ponto importante é que se o aluno não tem um estatuto socioeconómico alto, este aluno dependerá dos seus professores para atingir todo o seu potencial de sucesso escolar.

Os professores precisam e merecem inspiração. Ser professor é extremamente desafiante e fazer esse reconhecimento é essencial para valorizar o trabalho realizado e, consequentemente, contribuir para a sua motivação e melhoria. Um aluno do 10º ano dizia, ao participar na campanha “Inspira o teu Professor”, em que alunos criam conteúdos para inspirar professores, que ele nunca poderia ser professor, porque apesar de ele aluno estar sempre a falhar, os seus professores nunca desistiam dele, e isso exigia uma força que ele pensava não ter em si.

Para além da resiliência, um professor, primeiro tem de se actualizar constantemente, quer sobre as suas disciplinas quer sobre os interesses dos seus alunos, pois na era da aceleração o ritmo de mudança é exponencial e, na mesma velocidade que esta mudança ocorre, mudam os seus alunos. Segundo, cada aluno é único e traz consigo o seu contexto familiar e social. Quem ensina, ensina um aluno no seu todo, sendo necessário adaptar a linguagem utilizada, conteúdos aplicados e planos de aprendizagem desenvolvidos. Terceiro, ensinar implica um grande envolvimento emocional com os alunos, o que tanto é uma fonte de inspiração como de frustração. Fazer um bom trabalho em todas estas frentes requer um elevado nível de motivação e investimento pessoal, que começa com empenho e convicção mas que, para continuar ao longo da carreira docente, pede o reconhecimento e o encorajamento que os alunos, os pais e os outros professores podem dar.

A evidência é clara, no sistema de ensino são os professores quem têm maior impacto no desempenho escolar dos alunos, são eles que garantem a agilidade do sistema e todo o potencial da educação.

Temos de saber agradecer e encorajar os bons exemplos e inspirar todos a querer melhorar. Esta poderia ser uma citação de qualquer guru da gestão ou CEO carismático pois estudos em comportamento organizacional sugerem que atitudes e emoções mais positivas levam a melhores níveis de desempenho. Quando dizemos que a maioria dos professores dá aulas porque não arranjou outro emprego, estamos a fazer um mau serviço à educação. Estamos simplesmente a encorajar à mediocridade, pois dizemos que, faça o que fizer, não reconhecemos mérito no trabalho do professor. Também não quer dizer que todos os professores sejam perfeitos, que é fácil de imaginar que não.

No entanto, quando pais e alunos valorizam o trabalho dos professores, nasce uma clara afirmação do impacto que o professor tem na sociedade e da responsabilidade que tem na formação de gerações futuras. E é neste clima de colaboração construtiva e alinhada entre pais e professores que os alunos tiram o maior proveito da sua educação. Em alemão existem duas palavras diferentes para educação, Bildung é a educação que recebemos na escola, e Erziehung a educação que recebemos em casa dos nossos encarregados de educação. Irina Bokova, secretária geral da UNESCO, no Global Education and Skills Forum de 2017 lembrou-nos que a educação tem um papel preponderante no contrato social europeu, e que a educação da escola, ministrada pelos professores, detém o papel principal. É tempo de aprender a elogiar os professores, porque eles têm o nosso futuro nas mãos!

Fundador das Mentes Empreendedoras, Inspira o teu Professor e Professor Universitário na Nova SBE

‘Caderno de Apontamentos’ é uma coluna que, às quintas-feiras, discute temas relacionados com a Educação, através de um autor convidado.