À medida que o mundo procura soluções eficazes para enfrentar as alterações climáticas, a economia circular ganha destaque. Na COP30 mostra claramente que a circularidade — repensar como usamos e reutilizamos materiais — é agora uma peça central da agenda global de sustentabilidade, a par da biodiversidade, dos sistemas alimentares e do desenvolvimento social.

Sabia que quase metade das emissões globais resulta da extração e processamento de matérias-primas? Apesar dos avanços na descarbonização da energia, as emissões associadas aos materiais continuam a ser um desafio. Adotar a circularidade — desenhar produtos para durabilidade, reparação e reutilização, mantendo os materiais em uso por mais tempo — pode ajudar as empresas a reduzir custos, aumentar a resiliência das empresas, e a abrir novas oportunidades.

O último C-Suite Sustainability Report da Deloitte assim o confirma: a sustentabilidade continua no topo das prioridades das organizações, particularmente no que diz respeito a tecnologias para a transformação do seu modelo de negócio. Tal inclui soluções de negócio que ativamente promovem a conservação de recursos, e que contribuem para outros resultados – 66% dos CEO inquiridos atribuem o aumento do rendimento do negócio a estas ações.

Reconhecendo a necessidade de passos claros e acionáveis, o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), com contributos de +100 empresas e parceiros globais, e juntamente com a Deloitte, desenvolveu o Global Circularity Protocol (GCP). Inspirado no sucesso do GHG Protocol, uma das metodologias de cálculo de pegada de carbono mais utilizada pelas empresas, o GCP pretende oferecer uma forma efetiva de medir e comparar os esforços de circularidade e de, paralelamente, identificar oportunidades de melhoria nas operações e cadeias de valor para responder às crescentes expectativas de clientes, investidores e reguladores.

O GCP foi desenhado para ser prático e acessível, ajudando organizações de todas as dimensões a passar da ambição à ação. O seu desenvolvimento e elaboração implicou várias sessões de interação com as empresas membro do WBCSD, de todos os continentes, e milhares de comentários e sugestões. Foram feitas seis Readiness Clinics com seis empresas com presença internacional, para testar o nível de prontidão na utilização do GCP.

O facto é: o risco é real, mas a oportunidade também. O contexto regulatório está a evoluir rapidamente, com novas regras sobre eco design, matérias-primas críticas e responsabilidade do produtor. Ao mesmo tempo, a tecnologia — como a rastreabilidade baseada em IA e os passaportes digitais de produto — está a abrir novas formas de monitorizar e otimizar o uso de recursos.

O que é claro é que nenhuma empresa ou setor conseguirá avançar sozinha. A colaboração, a partilha de conhecimento e a abertura a novas ideias são essenciais para tornar a circularidade uma realidade. Se a sua organização está a explorar como integrar a circularidade na sua estratégia, desafio-vos a explorar o Global Circularity Protocol, e a discutir o que pode significar para o seu negócio.

Só juntos podemos fazer progressos para um futuro mais sustentável, resiliente e inovador.