Alegre-se o Leitor pois estamos em plena Primavera! Depois de um mês de Abril que apesar de chuvoso, não correu muito mal com vários feriados e pontes nalguns sectores.
A Primavera vai continuar e daqui a dias vai haver mais umas eleições. Portugal até parece Espanha ou a Itália de outros tempos. O nosso povo começa a achar trivial tantos actos eleitorais. O problema é o enjoo que isso causa pois todos canais de televisão se repetem em difundir o que Montenegro disse de um comentário de Pedro Nuno Santos, ou vice versa e o que o André Ventura tem a dizer em frases ditas à velocidade da luz. Toda a televisão prefere circular nas caravanas dos partidos em vez de ir uma vez por outra ao Portugal “profundo” e auscultar o seu interior. Seria mais cultural e sério os canais de TV não estarem indexados às audiências ( que cada vez são menores entre os jovens) e dar a conhecer as aldeias abandonadas na Beira interior ou dar a conhecer o esforço de sobrevivência em Trás-os-Montes.
Uma coisa é certa! Até 18 de Maio vai haver arruadas em fartura, jantares-comícios – sem porco no espeto (pode-se perder votos com isso) e ainda brindes, emplastros atrás dos dirigentes quando estes são filmados em direto para os canais. Vai aparecer sempre aquela frase eloquente:
– As portuguesas e os portugueses sabem que podem contar comigo para isto e aquilo e não os vou dececionar! E alguns irão prometer mesmo a semana dos 4 dias laborais.
Isto para não ficarmos atrás do vizinho espanhol Pedro Sánchez, aquele que governa Espanha sem ter ganho as eleições . Para nós nada de novo nisso pois tivemos o mesmo com António Costa.
Para os eleitores indecisos são dados aqui alguns aspectos a ter em consideração :
- VOTAR PS:
Se votar no PS e for funcionário do Estado pode dormir mais ou menos descansado. Este, se ganhar (improvável), lutará por manter o fosso que existe entre Estado e sector privado, pois os direitos que deu ao longo da última década dificilmente serão subtraídos. Mesmo que isso cause depois desemprego oculto. Assim se criam duas realidades na actividade laboral. - VOTAR PSD:
Se votar na AD, dominada pelo PSD, pode contar com aumento de impostos a médio prazo dado o panorama económico que se avizinha já em 2025. Assim reza a tradição: foi no tempo de Cavaco Silva, a partir de 1989, que se criou o imposto da “mais-valias” para imóveis que veio a promover o aumento do custo habitacional. Também foi no tempo de Durão Barroso – 1.º ministro, 2002 a 2004 –, que este chamou de imoral ao imposto Sisa e depois mudou-lhe somente o nome para IMT. Também implementou o famoso IMI extrapolando o valor dos imóveis. Até moinhos de água em ruínas junto aos rios foram inseridos em IMI. Tudo com o objectivo de arrecadar impostos substanciais.
Ainda foi com o PSD nas mãos da ministra Manuela Ferreira Leite no governo de Durão Barroso, que o Fisco se tornou na máquina mais bem oleada e informatizada. Reconheço que é o único sector do Estado realmente eficaz tendo já ganho prémios no estrangeiro pela sua inquestionável eficiência.
Depois o PSD teve um interregno com Passos Coelho: este herdou um país à beira do abismo económico e entre muitas medidas, devolveu justiça e mais equilíbrio ao mercado de arrendamento habitacional (com a ministra Assunção Cristas ), equilibrou valores de mercado patrimonial desajustados. A partir de António Costa dá-se a regressão (com legislações lançadas em 2018 e 2022) e consequente mutilação do Código civil, deixando o panorama do arrendamento habitacional no estado actual.
Nesse período os portugueses sentiram o cinto apertado, especialmente os do sector privado, aqueles que não tinham protecção do Estado; mesmo assim Pedro Passos Coelho (1.º ministro entre 2011 a 2015 ) ganhou as eleições em 2015. Vai-se lá saber porquê? Curiosamente hoje o PSD omite esse período pois talvez se encontre mais próximo do PS do que se julga. Ou porque a ambição dos seus dirigentes aconselha ao esquecimento?
2.ª parte
É importante que o Leitor não caia na tentação do tão solicitado “voto útil “ recriando o bipartidarismo que já deu provas medíocres ao longo de décadas. E se lembre (ou até pesquise na NET!) que um país que queira progredir, assenta a sua produtividade e riqueza em certos segmentos; desenvolvimento industrial, Conhecimento e Cultura. Esta última não excessivamente subsidiada. A Cultura traz consigo a aculturação de todo um povo para não ser enganado. E comporta também a preservação de todo o nosso património histórico e se possível a sua reconstrução. Não se pode dar resíduos orçamentais à Cultura como tem sido feito. Mas não se pode criar a subsidiodependência com aquela que existe no sector teatro, por exemplo.
É crucial ajudar a sério (não com medidas avulsas), todo aquele Português(a) que sonha em fazer crescer um negócio seu , qualquer que ele seja , ser dono de si próprio e não ser amputado com impostos que trazem a repetida capa do “socialmente mais justos”. O aumento de impostos provoca sempre mais economia paralela. Nada disso tem sido feito. Esses são aliás os que mais resistem a possíveis crises.
O que aí vem
Seria bom ter consciência que em 2025 se vai assistir a um arrefecimento da nossa pequenina economia e abrandamento do crescimento que aliás é residual comparado com outros países da Europa de Leste. Oxalá eu me engane.
O sector da construção, vive ainda momentos de euforia dada a demora e inércia de todo esse processo. Foram interesses altamente especulativos que alavancaram aliás a construção de raiz . O sector do Estado governado pelo PS não soube contrabalançar nos últimos 10 anos essa tendência criando novas urbanizações, dando novas utilizações a tanta edificação devoluta do Estado. E tinha todas as ferramentas para isso acontecer. Serenou e foi esperando que o sector privado fizesse algo para o cobrir de taxas em licenciamentos. Agradou-lhe também tanta recuperação de património histórico feita pelos privados em imóveis degradados. Ficou-se por programas e leis contraditórias sem surgirem empresas construtoras para as realizar. Conclui-se foram ineficazes, apesar de ter havido tanta propaganda.
A crise industrial está aí à porta mas pouco se fala dela. Fábricas que fecham nos mais variados sectores (para o PCP e BE a culpa é sempre dos patrões) ; exemplo do calçado, do sector têxtil e abrandamento sério no sector automóvel.
É importante que se perceba quais os partidos políticos que aspiram combater a Burocracia, um dos piores travões civilizacionais que fez regredir tantos países. Para isso é preciso haver menos peso do Estado, com reformas objectivas, sem rodeios.
A 18 de Maio ao votar, o Leitor pode ter uma visão ampla para a sociedade que se quer desenvolvida e não ver o futuro de Portugal segundo o seu interesse pessoal, a sua educação, ou quadrante familiar .