Mais um fim de ano a chegar, e o frio vai ficando mais intenso à medida que o inverno se aproxima. Com ele, surgem também as euforias exageradas das compras. Seja para o Natal ou para o Ano Novo, uma coisa é certa: as pessoas mudam nesta altura do ano.
“Saldos: 50% desconto”; “Leve 2 pelo preço de 1”; letras enormes sobre fundos vermelhos que piscam como alertas urgentes, captando imediatamente a atenção do cliente, que, sem pensar duas vezes, se deixa levar pela ideia errónea de que está a poupar, quase como se a palavra “promoção” tivesse poderes mágicos.
Se o Natal é, teoricamente, aquela época em que as pessoas deveriam ficar mais empáticas e voltadas para o outro, quando o assunto são compras, o efeito é precisamente o contrário.
A partir do momento em que entram no centro comercial em busca daquilo que as “obrigou” a lá irem, deixam uma parte da empatia à porta, junto dos casacos pesados e da pressa que carregam.
Ao entrar numa das lojas mais movimentadas do maior centro comercial de Lisboa, observo o quão desvalorizado é o ser humano que está por trás do atendimento ao público. E antes fosse “só” por culpa da empresa ou do capitalismo; mas também o é por aqueles que ali vão comprar, muitas vezes com uma superioridade que parece aumentar proporcionalmente às luzes de Natal.
“Bom dia”, diz o empregado. “Vou querer contribuinte”, responde o cliente, sem sequer levantar os olhos…
“A fila não anda mais rápido?” ou “Isto está muito lento” já fazem parte do menu desta época. A educação de muitos fica em casa – juntamente com os sacos reutilizáveis que tantos compram e depois se esquecem de reutilizar. Ironias da vida moderna…
Nem tudo é mau, atenção. Existe, sim, aquela pequena percentagem de clientes que se recorda de que os empregados também são, tal como eles, seres humanos, com uma vida para além de todo aquele stress. Não são muitos, mas os que entendem sabem que, se para o cliente tudo está caótico e ele só lá permanece alguns minutos, para o empregado, que ali fica horas a fio, durante dias de verdadeira batalha. Tudo está ainda mais confuso, mais pesado e mais exaustivo.
O Natal está próximo, tal como o Ano Novo, mas que estejam também a empatia, a compaixão e a compreensão pelo próximo. Sem isto, esta época festiva – tão bonita, celebrada e adorada por muitos – perde um pouco daquele que é o seu brilho.
Afinal, luzes desligam-se; pessoas, não deviam.
A todos, um bom Natal!