O ator e comediante Russell Brand apresentou-se, na manhã desta segunda-feira, no tribunal de Southwark, em Londres, para o primeiro dia do julgamento criminal que enfrenta por várias acusações de violação e agressão sexual.
Acompanhado da mulher, Laura Gallacher, Brand foi recebido por uma multidão de jornalistas dado o interesse mediático que o seu caso reúne e não prestou declarações. Ao entrar na sala do tribunal, o ator ajoelhou-se brevemente, como se estivesse a rezar, escreve o The New York Times.
O Ministério Público do Reino Unido baseia a sua acusação nas denúncias de seis mulheres, sendo que as suas alegações remetem para incidentes que ocorreram entre 1999 e 2009, quando Brand se tornou uma estrela no mundo do entretenimento, como comediante de stand-up e como apresentador de televisão e rádio.
Estando neste momento em liberdade sob fiança e encontrando-se a residir nos EUA, Brand enfrenta sete acusações criminais: três de violação, três de agressão sexual e uma de atentado ao pudor. O ator negou todas as acusações nas duas audiências em que esteve presente, tendo mais tarde clamado pela sua inocência num vídeo publicado nas redes sociais.
“O que eu nunca fui foi um violador. Nunca me envolvi em atividades não consensuais”, afirmou, dizendo-se ainda “incrivelmente grato” por “ter a oportunidade de se defender destas acusações em tribunal”. Já numa entrevista à jornalista conservadora Megyn Kelly, ocorrida em abril deste ano, Brand admitiu que teve relações sexuais consentidas com uma menor de 16 anos quando ele tinha 30 anos.
Marcado para 16 de junho, este julgamento foi entretanto adiado para outubro, tendo este primeiro dia servido para iniciar o processo de seleção do júri, esperando-se que os 12 elementos que sobrarem prestem juramento esta terça-feira perante o juiz responsável pelo caso, Joel Bennathan.
Está também previsto que as alegações iniciais tanto da acusação como da defesa decorram esta semana, na quarta-feira. De acordo com a BBC, Bennathan disse aos potenciais jurados que espera que o julgamento dure cerca de seis semanas, mas que poderão ter de estar disponíveis até 11 de dezembro.
A emissora britânica noticia também que Bennathan perguntou aos jurados se tinham conhecimento de Brand e da sua persona mediática, inclusive das investigações televisivas de que foi alvo e que espoletaram as investigações criminais, advertindo-os para não fazerem qualquer investigação a título particular sobre Brand.
Quem é Russell Brand, o auto-intitulado viciado em sexo? Da comédia às acusações de agressão sexual
O juiz referiu-se assim à investigação do jornal The Times e do canal televisivo Channel 4 em setembro de 2023, revelando várias alegações graves de agressão sexual contra Brand. Até então, o visado tinha construído uma carreira de alguma dimensão e rodeada de polémicas durante os anos 2000 e 2010, tendo mesmo chegado a singrar em Hollywood.
Desde as acusações, Brand deixou de entrar em filmes ou projetos de entretenimento, concentrando-se em gravar vídeos no YouTube de comentário político, social e religioso. Este processo foi acompanhado de uma viragem ideológica à direita, tendo inclusive anunciado publicamente que tinha feito uma conversão ao cristianismo, tendo sido batizado no rio Tamisa pela personalidade de reality shows Bear Grylls.
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