A recente carta do Presidente do Conselho Europeu Donald Tusk dirigida a todos os governos dos 27 Estados-membros que participaram na cimeira informal em Malta, é merecedora da minha total concordância, algo que não acontece todos os dias. No entanto, padece de um problema fundamental que se prende com o facto de que nenhum dos compromissos enunciados estar presente nas conclusões desta cimeira.

Num momento em que o Presidente Trump e os seus companheiros políticos suportam de modo flagrante movimentos nacionalistas e populistas por toda a Europa, é urgente e vital que estes compromissos se tornem uma realidade para defesa da Europa. Infelizmente, parece que Trump ignora que milhares de Americanos tombaram em duas Grandes Guerras a lutar exatamente contra este populismo que, no caso Europeu, sempre se baseou num populismo Étnico. O Presidente François Mitterrand resumiu-o bem em 1995: “O nacionalismo é sinónimo de guerra. Equivale à guerra”.

Donald Trump está a seguir a lógica de Huntington, promovendo ativamente o choque de civilizações e demonstrando uma visão do mundo extremamente negativa. Uma batalha constante entre religiões, entre pessoas e recursos. Um mundo que se define por vencedores e perdedores.

Nesta sua visão do mundo, uma União Europeia forte representa uma ameaça. E por isso anseia e tenta fomentar a sua desintegração.

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E não se trata só de palavras, mas também de factos. O website de notícias falsas, Breitbart, dirigido pelo chefe estrategista de Trump, Steve Bannon, quer abrir filiais em Paris e em Berlin para apoiar pessoas como Petry e Le Pen na sua tentativa de destruir a Europa a partir do seu interior.

Normalmente o Presidente americano afirma-se como líder do mundo livre. Trump pretende ser o líder na luta contra o mundo livre.

Este é um momento existencial para a Europa. Estamos a ser ameaçados internamente por nacionalistas e populistas. Estamos a ser ameaçados externamente por uma Rússia mais assertiva e por extremistas radicais. E agora, temos de lidar com um Presidente americano que demonstra abertamente a sua antipatia para com a União Europeia.

Como tal, mais do que nunca, temos de contra-atacar de forma inteligente e através. Devemos fazê-lo, por exemplo, intensificando ativamente os nossos contactos e acordos com outros países, como por exemplo o Canadá, o Japão e a Índia. Necessitamos de acelerar as negociações comerciais com o México, algo já declarado num comunicado emitido pela Comissária Cecilia Malmström. Fortalecendo a governação do Euro. Estabelecendo uma União de Defesa Europeia. Dando início a uma Capacidade Europeia de Informação.

Só desta forma vamos conseguir demostrar mostrar a todas as pessoas talentosas que trabalham para a Google, Microsoft, Twitter, entre tantas outras, que serão sempre bem-vindas à Europa. Nunca discriminaremos negativamente pessoas com base na sua religião, cor de pele ou outra visão política.

A Europa tem de contra-atacar e liderar a luta pelo mundo livre. É agora ou nunca.