No sexto livro da saga Harry Potter, J.K. Rowling apresenta aos leitores uma curiosa poção chamada “Felix Felicis”, conhecida também como Sorte Líquida. Quando bebida, esta concederá sorte durante um determinado período de tempo, findo o qual tudo volta ao normal.

No capítulo 2018/2019 da história do Sport Lisboa e Benfica, os seus adeptos foram apresentados a João Félix e vice-versa. A estreia oficial na equipa principal aconteceu no Estádio do Bessa, na 2a jornada do campeonato, mas a apresentação “oficial” aos adeptos encarnados aconteceu na jornada seguinte, em casa, frente ao grande rival da 2a Circular. O miúdo de apenas 18 anos foi chamado a jogo aos 79 minutos, com a sua equipa em desvantagem, entrando para empatar o jogo, numa fase em que o Benfica apresentava já sinais de desespero e frustração. Uns podem chamar-lhe sorte, outros podem dizer que é algo mais. A única certeza: aqueles que o presenciaram ao vivo, jamais esquecerão o cartão de visita que Félix apresentou.

É inegável que, desde o primeiro momento, houve um encantamento, uma química, entre adeptos e João Félix, de quem sabe que o que está ali não é apenas mais um produto da cantera. Félix é João Pinto na mobilidade, nos slaloms de bola colada ao pé e no excelente jogo de cabeça. Mas também é Rui Costa, na forma como pega na bola e a trata por tu, jogando de cabeça levantada, seja no miolo ou nas alas, a descortinar uma linha de passe quando e onde ainda ninguém o conseguiu.

Para além de marcar ao Sporting, João Félix tem deixado a sua marca ao longo desta época, com destaque para o importante golo no Clássico no Estádio do Dragão, que ajudou o Benfica a vencer o Porto e a passar para a frente do campeonato.

Na noite desta 5a feira, Félix voltou a ser decisivo e mostrou-se ainda mais na montra europeia. Manteve a titularidade, mas sem a companhia habitual de Seferovic, e bateu-se que nem gente grande com os imponentes alemães, não se escondendo e assumindo as lides do ataque benfiquista. Muitos terão questionado a decisão de deixar Félix sozinho no ataque, em detrimento de Seferovic, que atravessa um bom momento de forma e possui características que, à partida, eram mais favoráveis para o embate com os germânicos. Mas João Félix mostrou estar à altura do que lhe foi exigido, correspondendo com três golos e uma assistência. Com isso, tornou-se o português mais jovem de sempre a assinar um hattrick nas competições europeias, superando o registo de Eusébio.

Na época de estreia na equipa principal do Benfica, João Félix Sequeira conta com 36 jogos oficiais e 15 golos marcados. A juntar a estes números, incontáveis jogadas, pormenores e movimentos que não deixam ninguém indiferente e que fazem qualquer adepto que goste de futebol sentir que o bilhete que pagou valeu cada cêntimo. Porque não tenhamos dúvidas, jogadores do calibre de João Félix (ainda) fazem os adeptos ir aos estádios. Não sabemos até quando teremos a sorte de ver Félix de águia ao peito. Por isso é melhor aproveitar, porque essa sorte não será eterna.