“Fui provavelmente a pessoa mais surpreendida” afirmou Geoffrey Hinton no recente episódio do podcast “Babbage” de The Economist.
O cientista laureado com o Prémio Nobel de Física no ano passado, juntamente com John Hopfield refere com algum humor:
“Penso que o que realmente aconteceu foi que eles se aperceberam que muitos dos progressos mais interessantes da ciência neste momento estão na Inteligência Artificial. Não existe um Prémio Nobel para a Inteligência Artificial (IA). Por isso, decidiram redirecionar o prémio de física para recompensar a investigação.“
John Hopfield foi, portanto, reconhecido pela invenção da tal rede neuronal associativa que tem a capacidade de armazenar e restaurar padrões, como imagens, fundamentando-se em conceitos da física. O modelo que ele desenvolveu permite que a rede identifique e reproduza imagens inteiras, mesmo quando os dados estão incompletos ou distorcidos.
Por outro lado, Geoffrey Hinton mobilizou princípios da física estatística para projetar uma máquina que consegue classificar e gerar novos exemplos com base nos padrões para os quais foi treinada. Esta inovação foi fundamental e permanece como uma base essencial da inteligência artificial moderna.
A esperança é que estes assistentes altamente inteligentes possam aumentar a produtividade em muitos sectores de actividade.
Não obstante existem riscos e Hinton, professor da Universidade de Toronto, referiu este tópico no seu discurso no banquete do Prémio Nobel a 10 de dezembro de 2024. Refere o cientista londrino que há riscos no presente, a curto e médio prazo.
Actualmente a IA já é utilizada por governos autoritários para uma vigilância maciça e por cibercriminosos para ataques de phishing. Num futuro próximo, poderá ser utilizada para criar, por exemplo, armas letais, e poderá ser delegada na IA a decisão autónoma do seu uso.
A longo prazo há também uma ameaça existencial que eventualmente surgirá quando criarmos seres digitais mais inteligentes do que nós próprios que não conseguimos controlar.
Mas reconhecer estes riscos não é sentenciar o futuro nem cair no desalento do apocalipse.
A solução é, mais uma vez, investir na investigação científica que envolva também a segurança da IA.
Fazendo a ponte entre a ciência, tecnologia e a sociedade evitaremos ter humanos ao serviço da IA, tendo sim uma IA ao serviço da humanidade.