Por estes dias celebrou-se o Dia Mundial da Saúde Mental. É um tema de que ninguém gosta de falar, nem quando está sozinho. Mas é daqueles temas em que o silêncio mata. Talvez mais do que a Covid 19.

Trazer este tema sem tabus para a praça pública é hoje, depois de um ano e meio de pandemia, mais importante do que nunca. Verdadeiramente nenhum de nós sabe as sequelas que ficaram na nossa casa, na nossa família, entre os nossos amigos, depois de tantos meses fechados em casa. E o facto é que mesmo antes disso esta já era uma doença escondida em muitos lares.

O Observador iniciou, e bem, um ciclo de entrevistas com testemunhos de figuras públicas que assumem publicamente os problemas que já enfrentaram e as dificuldades de perceber e tratar uma doença proscrita e estigmatizante.

A saúde mental afeta nas suas diversas formas, mais aguda, mais crónica ou mais episódica, muitos milhares de pessoas no mundo inteiro. Tantas que deveria ser normal ouvirmos falar de tratamentos e descobertas científicas nesta área com tanta frequência como ouvimos sobre outras doenças como o cancro ou as doenças cardíacas. O silêncio em torno da doença mental também afeta a prioridade que se dá à ciência e à investigação. O preconceito e o medo de nos expormos ou às nossas famílias deixam o doente mental sem lugar.

Nos últimos meses tenho colaborado com o Instituto das Irmãs Hospitaleiras que gere em Portugal, de norte a sul e ilhas, 12 unidades de Saúde Mental e Reabilitação. São uma IPSS que dá resposta, a par com os Irmãos de São João de Deus, a uma grande percentagem (mais de 50%) dos casos de saúde mental no país. Por conhecerem a realidade e por saberem que podem dar resposta a muitas famílias em dificuldade, o Instituto das Irmãs Hospitaleiras criou uma campanha (que pode ver aqui: https://www.instagram.com/p/CU5J19Bsb7k/?utm_medium=copy_link) de sensibilização e de alerta para esta pandemia oculta na nossa sociedade.

Falar sobre o que nos vai na cabeça, dos oito aos oitenta anos, é o primeiro passo para começarmos a mudar alguma coisa. É por isso que esta campanha é muito importante. Cuidar da saúde mental na nossa sociedade é um imperativo que nos deve mobilizar a todos, sobretudo porque, como em qualquer pandemia, nenhum de nós está livre de ser afetado por ela. Nesse momento precisamos de saber a que portas bater e a quem recorrer, até porque a saúde mental é um dos parentes pobres do nosso SNS.

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Mental é uma secção do Observador dedicada exclusivamente a temas relacionados com a Saúde Mental. Resulta de uma parceria com a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e com o Hospital da Luz e tem a colaboração do Colégio de Psiquiatria da Ordem dos Médicos e da Ordem dos Psicólogos Portugueses. É um conteúdo editorial completamente independente.

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