No passado sábado, num concerto, em Amesterdão, o músico Bobby Vylan (nome artístico) celebrou o assassinato de Charlie Kirk, com bandeira da Palestina por trás. E a plateia que havia gritado pela Palestina, gritou pela morte de Charlie Kirk.

Quando Kirk morreu muitos disseram “O que é que importa? Era só um homem!”

Todas as mortes valem o mesmo, mas não significam todas o mesmo.

O irmão do meu avô foi assassinado à saída de uma missa em Goa por um maluco. Foi uma tragédia, mas foi uma morte sem sentido. Kirk não foi morto por um maluco. Foi morto por um rapaz com uma ideologia política confusa. Mas a prova de que havia significado naquela morte foi a onda de celebração que gerou. Se Charlie Kirk fosse “só um homem”, a sua morte não teria sido celebrada por tantos por todo o mundo.

Muitas pessoas com visibilidade nas redes sociais fizeram vídeos que começavam com “Eu nem concordava com o Charlie, mas ele não merecia morrer”. O medo da agressão da esquerda radical é tanto que as pessoas sentem-se obrigadas a demarcar-se de valores de direita antes de dizer o óbvio — Charlie Kirk não merecia morrer — e é irrelevante se concordamos com ele ou não.

Muitos desses corajosos perderam milhares de seguidores. Milhares de seguidores que apoiaram o assassinato de Kirk.

Deixando de parte a deturpação dos discursos de Kirk pela esquerda radical, não podemos ignorar os seus raciocínios perversos e contrários à lógica. Por exemplo: matar é mau, mas querer que a mulher fique em casa a tomar conta de um filho é pior. Ou: matar é mau, mas não concordar com o casamento homossexual é pior.

Falam de Hate Speech (Discurso de Ódio) sem ouvir nenhum discurso. Não estamos no tempo de Cristo em que as coisas foram ditas uma vez e para quem estava presente. Está tudo na Internet. Como um vídeo onde Kirk expôs um apoiante de Trump por não apoiar uma pessoa homossexual! Está tudo na internet, mas ninguém quer ver, porque senão perderiam a justificação para os seus desejos homicidas.

Quando Kirk foi declarado como morto, muitos gritaram “E a Palestina? É só um homem! Há muitos mais a morrer na Palestina! Há quem perca tempo a explicar a estas almas que fizeram da Palestina, a bandeira do seu virtuosismo moral, que há muitas catástrofes que ignoram, como a guerra no Afeganistão, no Congo ou a fome do Yémen.

Mas a grande ironia de tudo é: mataram Charlie Kirk pelas suas opiniões conservadoras que ainda assim são mais liberais do que as de qualquer homem da Palestina! Perguntem-lhes se acham que o Homem da Palestina, de religião Islâmica, vai defender o direito do casamento homossexual? Ou o direito à emancipação da mulher?

Não! Então o homem da Palestina é tão monstruoso como Charlie Kirk. E depois? Merece morrer! Morte à Palestina!!!

Das duas uma, ou a esquerda tem empatia selectiva ou não quer saber da Palestina. Quer saber enquanto for uma minoria, um hashtag. É completamente impossível rirmos da morte de um homem porque pensa de modo diferente do nosso e desejar no coração a paz de todas as pessoas que pensam de modo diferente do nosso. É uma contradição lógica.

E se a Esquerda só defende o direito religioso enquanto é exercido lá longe. Então a esquerda deseja que todos os Palestinos “voltem para a sua terra”. A ironia!

Kirk não atentou contra Tyler Robinson. Tyler era um jovem com ódio no coração e a esquerda entregou-lhe uma pessoa onde despejar o seu ódio. Há muitas mãos sujas na morte de Charlie Kirk. Há uma cultura assassina na esquerda! Lembram-se? Ainda há pouco: #freemangione. Morte ao Capitalista!

Este desejo homicida não é da direita conservadora. A morte de Kirk levantou uma onda de revolta, mas sem montras partidas e carros a arder, porque quem admirava Charlie Kirk era defensor do diálogo pelas palavras e de forma pacífica.

Há uns meses, antes de uma aula na NOVA FCSH fui à casa de banho. Gosto sempre de ler os rabiscos nas portas e paredes. São reveladores do clima das faculdades e usados como lugares onde se pode ser monstruoso no anonimato, coisa que a Internet não permite a 100%. Por baixo de “Justiça por ODAIR”, estava escrito “mata o Colunista do Observador na tua cabeça”. Outra vez, empatia selectiva!

Provavelmente não foi a mesma pessoa, mas é este o clima das Faculdades de Letras: “Justiça porque mataram este homem sem razão!” e “Matem aquele homem sem razão!” Infelizmente, Odair Moniz foi para muitos apenas uma bandeira, mais um hashtag!

A esquerda radical quer decidir quem vive e quem morre e anda pelas faculdades a gritar “ 25 de Abril sempre! Liberdade de expressão! Mas, Morte ao Colunista do Observador! Liberdade de Culto para todos! Mas, Morte os Cristãos Conservadores! And #FreePalestine!