Mário Soares nunca colocou o socialismo na gaveta (como afirmou em 1978). Em março de 1979, foi publicado Dez anos para mudar Portugal: Proposta do PS para os Anos 80, repleto de numerosas referências à alienação do homem, exploração económica, abolição de monopólios e libertação dos oprimidos (uma linguagem tipicamente gnóstica). Todos estes elementos foram retirados do Manifesto Comunista, e o PS sempre foi um partido marxista, moldando as suas estratégias conforme as circunstâncias.
É a mesma cartada usada hoje por Pedro Nuno Santos em relação à imigração. Quando falou num sistema “humanista”, na verdade defende o reforço do apoio social aos imigrantes, através de programas que promovam a sua “integração” na sociedade portuguesa, incluindo ensino, saúde, habitação e oportunidades de trabalho. O secretário-geral do PS jamais pretende travar a invasão oriunda de outros continentes. Isto falhará redondamente porque, além de expandir o Estado social (aumentando a despesa pública), estamos a cultivar uma sociedade sedentária e a fomentar a criminalidade. No fundo, continua a promover o multiculturalismo e a noção crédula de que todas as culturas são igualmente relevantes e que partilham a mesma ética de trabalho. E, como sempre, “emprego” significa o Estado a disponibilizar crédito barato através de juros negativos, artificialmente criando empregos e aquecendo a economia antes de esta colapsar, causando uma recessão. “Regular” a imigração é puro hegelianismo: um argumento propositadamente construído de contradições para ganhar votos.
Após a sua entrevista ao Expresso ter sido publicada, os seus comentários provocaram uma avalanche. Os seus camaradas estavam a espumar da boca da raiva! Ascenso Simões aproveitou a oportunidade para destilar o seu ódio visceral, classificando Portugal como um país racista devido ao seu legado colonial (ignorante do facto que a promoção da democracia racial foi feita quando foi abolida o Estatuto do Indigenato, ou a construção das novas escolas e hospitais no Ultramar acessível a todos). Que blasfémia o Secretário Geral do PS a discursar contra a imigração, alinhando-se com os “fascistas”! E sabendo que os fascistas são nacional-socialistas que regulam o trabalho e a mão de obra, os hipócritas não estão assim tão errados. Alguns na direita sentem-se vingados, mas esquecem-se de que o esquerdista, para amigos e inimigos, sempre ambiciona a sua destruição; esse é o código de aniquilação que Estaline e Lenine ensinaram aos seus seguidores para espelhar o marxismo pelo mundo.
Existe também um componente racista subjacente às suas declarações porque, ao falar em integração, certamente não se refere a incorporar imigrantes de outros países europeus, mas sim de outros continentes. Os progressistas são obcecados com raça nas suas agendas públicas e, aos seus olhos, o homem branco é menos digno de subsídios do que os outros.
Como secularista, o humanismo de Pedro Nuno Santos não deriva da transcendência, mas sim do divórcio com o divino e, por não reconhecer qualquer obediência a uma metafísica para além do plano humano, concede ao homem a desculpa falível para controlar os outros. Em 1844, antes de se tornar infame, Karl Marx escreveu: “O comunismo, enquanto naturalismo completo, é humanismo, e enquanto humanismo completo, é naturalismo. É a resolução definitiva do antagonismo entre o homem e a natureza, e entre o homem e o homem. É a verdadeira solução do conflito entre existência e essência, entre objetificação e autoafirmação, entre liberdade e necessidade, entre indivíduo e espécie.” Pedro Nuno Santos segue à risca o plano delineado por Marx para uma nova sociedade dedicada inteiramente ao enriquecimento e bem-estar do homem, eliminando todas as divergências sociais sob a égide do comunismo. Naturalismo e humanismo representam, então, a rejeição total de Deus e a importância do Cristianismo. No século XXI, a exploração económica já não convence (tanto) o eleitorado; agora, os temas de venda são o feminismo e o racismo. Estas abordagens “humanistas”, através da intervenção estatal para eliminar antagonismos sociais, na verdade agrava os problemas já existentes, continuando a erodir ainda mais os nossos valores e tradições culturais, já em perigo devido à subpopulação.
Vale, portanto, a pena analisar as propostas do Pedro Nuno Santos (no dia 31 de Janeiro) para mitigar os problemas causados pela imigração em massa:
- O Estado deveria regular a oferta de trabalho, proibindo as empresas de determinar o número de imigrantes a contratar, submetendo-as a quotas definidas pelo Estado, que pode arbitrariamente aumentar ou diminuir o número de estrangeiros admitidos, este último deixando postos de trabalho por preencher. O IEFP concederia vistos de trabalho, tornando a renovação de qualquer contrato dependente dos programas estatais e não da procura do mercado.
- O secretário-geral do PS sugeriu facilitar autorizações de residência para empregadores que cumpram as directivas do Estado e, embora não tenha detalhado esta medida, obrigaria as empresas a fornecer benefícios sociais – não aos nativos, mas sim aos trabalhadores migrantes – distorcendo as remunerações de mercado e tornando a economia ainda mais ineficiente. Além disso, os empregadores seriam forçados a providenciar habitação, formação profissional e cursos de língua aos trabalhadores estrangeiros para facilitar a sua integração, agravando os custos de conformidade e penalizando as empresas que não conseguirem suportar estas despesas impostas contra a sua vontade. Quero apontar a gravidade destas medidas, tendo em conta a péssima reputação do ensino português, onde décadas de democratização das massas resultaram numa geração de jovens sem capacidade de compreensão intelectual, sem literacia e com aptidões matemáticas atrozes. Mas, de algum modo, acredita-se que o ensino disponibilizado a indivíduos desinteressados, oriundos de diversos contextos a milhares de quilômetros de distância, concederá a Camões e Garcia de Resende um amor não correspondido por parte deles?
- A cereja no topo do bolo é a proposta do Instituto da Segurança Social, juntamente com as autoridades tributárias, de manter uma lista de empregadores “de confiança” que seguem as directrizes do Estado – uma tática clássica de favoritismo regulatório e promoção da corrupção. As grandes empresas (especialmente aquelas ligadas ao PS) podem suportar esses custos, enquanto as pequenas empresas enfrentam o labirinto de burocracia pela frente, sufocando a concorrência no mercado de trabalho. Já em 1935, Estaline instruiu os seus agentes, através do Partido Comunista Americano, a infiltrar-se no meio empresarial e nos meios de comunicação social para espalhar propaganda comunista utilizando uma linguagem inofensiva, como democracia e direitos humanos. É o mesmo truque usado pelo líder socialista para seduzir os capitalistas com os encantos do igualitarismo étnico.
- Para reforçar ainda mais o controle estatal, o líder do PS propôs reduzir os prazos de processamento de vistos para 30 dias para as empresas que cumpram as exigências – presumivelmente as mesmas favorecidas – concedendo-lhes um tratamento preferencial e usando isto como uma ferramenta para “ditar” as condições de emprego. Isto é puro corporativismo, não muito diferente das práticas de Salazar. Um mercado de trabalho saudável é dinâmico, nunca estático, mas se estas medidas estiverem em vigor, a escassez de mão de obra persistirá.
Como acabamos de ler, os socialistas não querem resolver qualquer problema, não concederam derrota face à realidade. Através da manipulação da linguagem, PNS está a empregar as mesmas estratégias usadas pelos agentes do estalinismo para se infiltrar e capturar posições de destaque no Ocidente. Trata-se de uma jogada astuta para roubar votos tanto ao PSD (posicionando-se como social-democrata) como ao CHEGA, cujo discurso se foca fortemente na imigração em massa. Isto terá o efeito nefasto de confundir os eleitores e fragmentar os votos, enquanto o verdadeiro progresso para resolver os problemas é travado pelos conflitos parlamentares. A ética do socialista sempre foi anémica, sem qualquer base sólida.
O objectivo não é apenas regular a imigração, mas sim a forma como esta é executada, e cada partido deve distinguir-se com base nisso. Se Portugal fosse realmente um país livre, seriam os proprietários privados a decidir se integram ou excluem indivíduos com base na sua própria escolha. Nem isso implica “liberdade de circulação”, a não ser que aqueles que já residem no país tenham consentido essa movimentação. Chama-se liberdade de escolha. Eles deveriam decidir o fluxo de trabalhadores estrangeiros para Portugal, através de contratos voluntários. E não é “nacionalismo” um proprietário recusar contratar alguém com base na sua etnia, género ou religião. Temos de respeitar isso.