Dia 27 de junho fez precisamente 49 anos da realização das primeiras eleições livres, por sufrágio universal, para a Presidência da República Portuguesa, com a eleição de António Ramalho Eanes, as primeiras eleições para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores e as primeiras eleições para Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira.

49 anos desta jovem democracia que contribuíram para o desenvolvimento da nossa nação, mas que também merecem uma profunda reflexão sobre o Ontem, o Hoje e o Amanhã.

Numa altura em que se intensificam grandes e profundos conflitos a nível global, num reavivar de velhos conflitos que se encontravam latentes ou adormecidos, o que podemos esperar daqui para a frente?

Portugal segue o seu caminho, mantendo o papel relevante que sempre lhe foi consagrado desde a sua fundação. No entanto, as mudanças sociais e os efeitos da crescente globalização, e movimentos populacionais desta era, revelam um clima que coloca várias interrogações sobre o nosso futuro.

Hoje o Mundo caminha à velocidade da Internet e das Redes sociais, criando novos paradigmas e ressuscitando velhos problemas. A crescente vaga de sentimento nacionalista e a desinformação dominam o nosso dia a dia.

A desconfiança, a falta de segurança, as tensões sobre migrantes, tendem a crescer e a dominar a mente dos mais incautos ou menos instruídos. O défice populacional português faz com que os idosos e jovens se sintam esquecidos e injustiçados, num fosso geracional cada vez mais intensificado pela falta de resposta das garantias que o Estado Democrático prometeu promover, mas que tardam se tornar justas e efetivas. Por outro lado a crescente descrença na classe política, assim como a subsídio dependência e a necessidade de manter, pelo menos o modo de vida atual, explicam em parte este estado da nação.

Os últimos Governos abriram feridas e deixaram marcas que levarão muito tempo para sarar, desde os casos de corrupção à desagregação das medidas ideológicas de pertença de cada partido, tudo se faz hoje em nome da tentativa de resolução imediata dos problemas do comum cidadão. A diferença entre as políticas de esquerda e direita esvaem-se no debate do hemiciclo e na propaganda interna, pouco significando para o cidadão, atente-se à crescente perda de eleitores da esquerda em Portugal.

Assiste-se a uma clara falta de debate e diálogo nos fóruns tradicionais e as elites políticas são a imagem desta desregulação anti natura da política a reboque do que se passa a nível internacional. Subir no elevador político, nos dias de hoje, não é sinónimo de garantia do saber, muito menos da capacidade de oratória e retórica, mas sim uma questão se subserviência nas relações de poder ou do índice de popularidade de um determinado cidadão.

Digamos que não se procura o saber, ou a escolha de um caminho de crescimento a médio prazo. Os grupos são fechados e só entra quem tem um determinado perfil. Tudo funciona com base no imediato e na necessidade de eleger alguém ou da sua manutenção de poder.

As elites serão sempre o garante da melhor escolha para o nosso futuro, no entanto, uma elite sem caminho e em constante guerrilha interna a todos os níveis, coloca-nos politicamente ao nível das descrições de Eça de Queirós ou Almeida Garrett, demonstrando que ao nível social, a política e a sociedade pouco evoluiu neste aspeto, moldando-se apenas de acordo com as mudanças sociais e mundiais que vão acontecendo.

A democracia portuguesa continua ligada à máquina, nos cuidados intensivos, sem resolução das suas maleitas a curto prazo.

Perante a velha e atual necessidade de demonstrar que a Política é o serviço ao próximo e não o servir-se do próximo, será que os “caminhos” atuais são garante da mesma no futuro?