Quem viveu nas décadas de 70 e 80 do século XX, sem dúvida nenhuma, que ouviu falar, inúmeras vezes, do fim do petróleo e do facto de ser uma matéria-prima finita, e dos enormes constrangimentos que isto iria colocar no bem-estar e desenvolvimento das pessoas, famílias e empresas. A par desta visão apocalíptica, juntava-se a possibilidade de uma III Guerra Mundial com os consequentes efeitos de um Inverno nuclear.

Na origem disto, esteve um geólogo da Shell Oil Company, Marion King Hubbert, que em 1956,  publicou um modelo previsional para o crescimento e declínio, ao longo do tempo, da produção de petróleo. Empregando uma estimativa para a quantidade de petróleo recuperável e uma curva logística para a taxa de produção de petróleo, na sua primeira previsão, estimou que o pico para produção de petróleo ocorreria em 1970, e que consequentemente a partir do ano 2000, já não haveria petróleo.

Nos últimos 60 anos foram bastantes as pessoas que, usando modelos semelhantes, mas com dados actualizados, anteviram igualmente o fim do petróleo, tendo todos eles falhado redondamente.

De acordo com a U.S. Energy Information Administration’s (EIA), as reservas mundiais provadas de petróleo, no ano de 2018, eram de 1,66*10+12 barris de petróleo, o equivalente a 2,26*10+11 Toneladas Equivalentes de Petróleo (TEP). Já de acordo com a versão – mais abrangente do conceito de reservas provadas de petróleo dadas pelas Shell – os valores relativos às reservas mundiais provadas de petróleo atingem o extraordinário número de 4,66*10+15 TEP. Assumindo o mesmo valor para o consumo no ano de 2019, isto significaria que existiria petróleo suficiente para os próximos 107 anos. Será importante realçar que apesar do período parecer bastante extenso, o mesmo poderá ser várias vezes multiplicado se forem tidas em consideração as reservas mundiais que se enquadram nas categorias de reservas possíveis ou prováveis.

O insucesso na previsão da produção global de petróleo deve-se à dinâmica subjacente ao conhecimento e respectivo crescimento das reservas minerais, a qual é pouco compreendida e, embora muitos autores tenham feito previsões relativas ao pico de produção e tempo de depleção do petróleo, e de outras matérias-primas, nenhum estudo pode ser considerado como muito fiável, ocorrendo apesar da introdução e estabilização das normas internacionais para definição das reservas de minerais e denominadamente de petróleo.

No ano de 2019, foram várias as empresas e entidades que apresentaram os respectivos relatórios de “Outlook” para o sector energético e em todos documentos, apesar da multitude de cenários apresentados, há um aspecto que é comum, que é a progressiva importância que as energias renováveis irão ter no mix energético, em contraciclo com a importância decrescente do petróleo. Mesmo nos cenários mais conservadores, como são os casos dos apresentados pela Exxon e BP, o pico de consumo de petróleo será atingido antes do ano 2040, completando a profecia de Marion Hubbert.

O facto extraordinário será que a profecia (modelo) de Hubbert se cumprirá, no entanto por um motivo completamente diferente do apontado por ele, isto é, o pico máximo de consumo de petróleo é atingido, não pelo caracter finito da matéria-prima, mas antes pelo facto do surgimento de fontes e tecnologias alternativas, com custos económicos menores e, acima de tudo, custos ambientais e climáticos muito inferiores.

A conclusão que se pode retirar é que a dimensão humana é bastante reduzida, quando comparada com a dimensão do planeta terrestre, em que com o aumento do conhecimento, tecnologia e por factores económicos, a base de recursos minerais (por factores geológicos, técnicos e económicos) tende consecutivamente a aumentar.