Há uma política económica para os EUA e resto do mundo que agora inicia, contudo sem grandes projeções quantitativas. Estas tarifas a serem aplicadas como um pacote, onde não se discrimina produtos que não são produzidos dentro dos EUA, produtos que marcam a diferença pois são tradicionais e obedecem a uma chancela de qualidade própria, ou são oriundos de geografias onde os EUA têm territórios reduzidos, vão invariavelmente pôr o americano comum a pagar, ou ficará a prateleira das superfícies comerciais como se vê nos países na senda do comunismo e dos “amanhãs que cantam”.

É certo que há países que têm políticas protecionistas, que até ao momento não tinham reciprocidade nos EUA, exemplo da Índia, China ou até Brasil, mas são países essencialmente fornecedores, ou seja muitos produtos importados pelos EUA a bom preço vão ser transformados, estando aí a verdadeira criação de valor sendo o ganho praticamente todo para a América. As populações desses países dificilmente conseguem aceder a uma mota quanto mais a um Chevrolet… ou seja há pouco mercado há nesses países para os produtos que Trump tanto ama.

A indústria automóvel americana da forma como está montada, com uma cadeia de valor refém de produtos importados não vai conseguir dar resposta no curto e médio prazo, dado que as fábricas de fornecedores dentro dos EUA ainda demoram a ser contruídas. Quem vai pagar? O cidadão estadunidense.

Em relação à UE há um equívoco, sendo que Trump esquece que os europeus vestem Ralph Lauren, conduzem Teslas e Fords, utilizam IPhones, Microsoft, Google, Facebook, Amazon…etc. para além das consultoras americanas terem na Europa um grande mercado. Há um pormenor na balança comercial que se chama turismo, que é considerado como exportação pelos países que prestam este serviço, sendo que tem havido uma grande procura pelos cidadãos estadunidenses pela Europa. Portugal é um caso paradigmático, e tem realmente que estar grato aos turistas americanos que gastam nos nossos hotéis, alojamentos locais, turismo rural, restaurantes, museus, teatros e tanta coisa mais que Portugal oferece, com qualidade, simpatia e genuína hospitalidade.

Por fim faço um apelo a todos os europeus que não respondam na mesma proporção à hostilidade criada. Se os bens e serviços oriundos dos EUA forem de melhor qualidade e acessíveis façam o favor de os consumir, pois o Ocidente, se existe e se impõe como a zona geográfica onde as suas populações melhor vivem, deve-o em parte à concorrência e ao intercâmbio entre os dois lados do Atlântico.