Quem, como eu, acredita nas inúmeras vantagens que a opção de escolhermos um Rei proporciona num País com uma História tamanha como a nossa e com um exemplo republicano onde se não descobre nem ética nem vantagem, é confrangedor ver a expressão que sobrou desta formulação partidária que um dia insignes monárquicos como Gonçalo Ribeiro Teles ou Henrique Barrilaro Ruas escolheram para sublinharem a vantagem da Instituição Real para a qualificação e, porque não dizê-lo, para a modernidade das Democracias do Futuro.
Percebi então e continuo a compreender agora que depois da Convergência Monárquica em 1969 e da sua ligação à Sedes e à oposição ao Estado Novo, era difícil no fervor revolucionário do pós 25 de Abril não escolher a formulação partidária para defender este desiderato tão evidente e diferenciador, em especial para um País com as características do nosso.
Com o final da primeira fase de fulgurante intervenção da Aliança Democrática, o PPM deixou de ter fundamento. Mas ironicamente é verdade que foi com o seu apoio que a Aliança Democrática corporizou talvez a última grande esperança dos portugueses numa condução política com inspiração, estratégia e protagonistas.
E se este foi o canto do cisne do PPM com a saída dos seus principais fundadores, foi também a reconciliação do movimento monárquico consigo mesmo e em especial com os que consideraram que a opção monárquica deve-se manter como agregadora das várias sensibilidades partidárias mais ligadas à opção de governação do que à opção de regime que, essa sim, deve motivar e mobilizar o Movimento
Com umas Eleições Presidenciais à vista e a probabilidade alta de os portugueses escolherem alguém fora do sistema partidário como é o General Gouveia e Melo ficam claras duas coisas.
A primeira que nenhum Presidente da República com o apoio do sistema partidário pode deixar de ser aquele que é apoiado por um dos dois maiores partidos portugueses. Assim aconteceu com todos os Presidentes da República civis depois do 25 de Abril. Ou, alternativa, quando por via de uma revolução como foi a do 25 de Abril ou de um profundo desencanto com o sistema partidário como o que hoje vivemos, os portugueses preferem acolher-se no paternalismo de alguém que verdadeiramente represente uma Instituição independente e agregadora como é a instituição militar. Assim foi com António Ramalho Eanes e assim poderá ser com Henrique Gouveia e Melo.
Uma segunda realidade que retiramos dos 50 anos de democracia ou terceira República é a da pequena valorização que os Portugueses dão à eleição presidencial. Não propriamente ao Chefe de Estado que, no final, representa o Estado e a Nação, mas à sua recorrente escolha em eleições presidenciais que têm confirmado categoricamente o valor da continuidade nesta função ao expressarem ao longo destes 50 anos maiorias reforçadas nas votações dos Presidentes eleitos nos seus segundos mandatos.
Acreditamos mesmo que não fora a limitação de mandatos e ainda hoje seria António Ramalho Eanes o Presidente de todos os Portugueses.
Regressando ao PPM, acredito que a grande maioria dos portugueses não confunde o partido folclórico e patético em que os irmãos Câmara Pereira transformaram o PPM com a seriedade e dimensão da proposta do Movimento Monárquico em Portugal. Corporizada na Causa Real, com muitos milhares de associados e uma missão relevante na defesa da nossa cultura e da nossa História e na promoção da Família Real Portuguesa, sempre disponível para servir Portugal e os Portugueses, com independência, suprapartidarismo e representatividade histórica a nível nacional e internacional. Se o que procuramos é uma representação suprapartidária e verdadeiramente representativa e independente, não procuremos mais não arrisquemos na contingência de uma qualquer protagonista.
Esperamos que este tenha sido o último estertor do PPM e com ele a atenção que os portugueses devem dar a esta muito clara ponderação: Porque será que hoje os portugueses parecem desprezar a reeleição Presidencial e, principalmente, porque será que parecem preferir a alternativa suprapartidária de Henrique Gouveia e Melo?
Não será a altura de um reencontro virtuoso com a nossa História e a nossa cultura milenar e universal? Tenho muita esperança de que a Instituição Real venha a ser “o Senhor que segue”!