Ontem ouvia o debate entre Mariana Mortágua e André Ventura.

E ainda tocado pela morte de Francisco, o Papa do fim do Mundo, puro e simples que gostava tanto de futebol, cogitei como podiam um e outro, nos seus antípodas ideológicos, defender com a mesma veemência e convicção esta figura incontornável e talvez principal deste novo Milénio.

E depois pensei em todos os Outros – os que defendem autocracias protecionistas. Os que manipulam a fragilidade para se enfeitarem das plumas voluptuosas do poder. Certamente me dispensam de os citar, mas a relevância que têm assumido nos últimos anos faz perigar as Civilizações do pós guerra como as conhecemos.

Pensei ainda em Jesus e na forma como quis dar exemplo de Vida e de Morte. E ainda nesta bendita coincidência de Francisco ter assistido à última Páscoa – o reencontro e fundamento de Jesus connosco que ao partilhar a sua Morte connosco, partilhou também a Ressurreição e a Vida.

Coincidência que ainda por cima ocorre num ano jubilar que faz apelo àquilo que o Mundo e a Humanidade mais precisam – Esperança!

E pensei de que lado estaria Jesus? Da guerra, do ódio, da luta contra os migrantes, do repúdio dos pobres e pecadores, da marginalização das minorias, da perseguição aos excluídos e marginalizados.

Não, claro que não! E Francisco sabia disso muito bem.

O seu funeral do próximo sábado estará, diria, cheio de fariseus. Daqueles contra cujas ideias Francisco dedicou a sua vida.

Ou para ser mais verdadeiro – porque Francisco era activo, não reactivo: aqueles que desprezam a luta de Francisco pela paz, pelos migrantes, pelos desfavorecidos, pelos excluídos da sociedade, pelos simples e humildes e até, claro, pelos pecadores.

Francisco era amor, tolerância, perdão, abertura e esperança. A imagem deste pastor humilde a atravessar sozinho, em plena pandemia a Praça de S. Pedro, jamais se apagará do meu coração.

E os Outros?

Os fariseus que apregoam a defesa da ordem, da disciplina, do protecionismo, da legitimidade da guerra ou da invasão, do castigo, da punição e do ódio.

Poderão talvez estar aparentemente contritos no funeral de Francisco, mas só estarão dentro do seu coração porque, ao contrário deles próprios, a caridade de Francisco funciona como uma mola que o faz abrir compassivo os braços a… todos, todos, todos!

Por amor de Deus, distingam em Portugal e no Mundo, quando por exemplo forem chamados a votar, ou quando simplesmente Vos pedirem opinião ou testemunho, os simples e mansos de coração como Francisco, dos soberbos, daqueles que vivem a vida cheios de vaidade, de proselitismo, de moralidade se perigosamente se arvoram em futuros governadores do Mundo ou líderes de uma nova Ordem Mundial.

Estou certo de que a memória e o exemplo de Francisco acabarão por triunfar e o Mundo da esperança e do reencontro com Deus poderá voltar a cativar o coração e a vontade das novas gerações de todos, todos, todos, os Povos da Terra.