Os países que consistentemente têm melhores desempenhos ou que mais têm progredido são os que formam os melhores professores, promovem o seu desenvolvimento profissional e incentivam a colaboração.
Nas últimas quatro décadas Portugal fez um progresso substantivo na educação. Temos hoje uma população mais escolarizada. Temos menos jovens a abandonar precocemente a escola, mais a concluir o ensino secundário e um desempenho cada vez melhor dos alunos portugueses nas sucessivas edições de estudos de avaliação internacional (e.g., TIMMS, PISA). Mas é possível progredir mais. Apesar da evolução, a escolaridade média da nossa população ainda é baixa e o insucesso, expresso nas taxas de retenção e na percentagem de alunos com aptidões insuficientes, merece particular atenção.
Para sermos capazes de enfrentar os desafios de uma sociedade global, cada vez mais competitiva, onde o desenvolvimento económico e o bem-estar social estão fortemente dependentes do conhecimento, é imperativo continuar a apostar na preparação das gerações futuras e universalizar a qualidade da educação. Ciente da necessidade de um melhor sistema educativo, a Fundação Belmiro de Azevedo apresentou em abril de 2016 um think tank para a Educação, o EDULOG, que tem por missão ajudar a identificar os problemas reais da Educação no nosso país; promover o seu estudo, contribuindo com dados objetivos e cientificamente fundamentados; propor soluções e debatê-las, envolvendo a sociedade para que o consenso e estabilidade emerjam.
O primeiro ano de actividade do EDULOG arrancou com uma conferência onde dois economistas, John Friedman e Pedro Carneiro, apresentaram dados que uma vez mais salientam a relação inequívoca entre o nível educacional e o estatuto socio-económico da população, o papel da educação no combate às desigualdades sociais e mostram o retorno económico do investimento público em educação. Das comunicações e debate sobressaíram dois elementos comuns. Primeiro, os estudantes que aprendem com os melhores educadores/professores têm uma melhor progressão escolar, maior probabilidade de ingressar no ensino superior e, no futuro, tendem a auferir melhores salários e a viver em contextos mais favoráveis. Segundo, os professores diferem significativamente entre si na aprendizagem e resultados escolares que são capazes de promover. A mensagem foi clara, o Professor é um elemento-chave se se pretende melhorar o sistema educativo, combater desigualdades e promover oportunidades.
Parte destes dados não nos deve surpreender. Empiricamente – enquanto professores, alunos, ou encarregados de educação – temos certamente a perceção de que o sucesso na aprendizagem está intrinsecamente relacionado com a qualidade do ensino e da interação que o professor é capaz de estabelecer com os seus alunos. Os resultados apresentados na conferência de lançamento do EDULOG e os estudos desenvolvidos por outros investigadores confirmam esta impressão.
O estudo e debate acerca do impacto do professor na aprendizagem dos alunos não é propriamente um tópico novo. Na área da Economia foi investigado nos anos 70 por Hanushek (1971) e recentemente, após 2005, readquiriu um novo fôlego. A existência de grandes bases de dados longitudinais, onde a caracterização socio-demográfica dos alunos e os seus resultados escolares estão associados aos dos professores, permitiu a vários cientistas explorar o efeito do professor no desenvolvimento e resultados dos alunos.
No domínio das Ciências da Educação, o extenso trabalho de análise de centenas de estudos realizado por John Hattie, da Universidade de Melbourne, é esclarecedor. O professor é quem mais faz a diferença. A interação que o professor estabelece com os seus alunos e aquilo que faz na sala de aula (e.g., o propósito e clareza com que ensina, a forma como monitoriza o ritmo de aprendizagem, o feedback que dá aos alunos) são cruciais para o sucesso escolar. Por cá, o recente projeto AQueduto revelou o contributo determinante que as variáveis relacionadas com os professores (relacionamento, motivação e formação pedagógica) tiveram para a progressiva e sustentada melhoria dos resultados a Matemática no PISA entre 2003-2012.
Um outro dado relevante, os países que consistentemente têm melhores desempenhos ou que mais têm progredido são os que atraem e formam os melhores professores, promovem o seu desenvolvimento profissional e incentivam a colaboração que assegura a transmissão de conhecimento entre professores mais e menos experientes. Não admira, pois, que isso se reverta num ensino de elevada qualidade e no reconhecimento e valorização social da profissão.
A magnitude do efeito do professor, a variabilidade entre professores e o seu potencial para melhorar a qualidade da educação no nosso país despertou a atenção do EDULOG que assim decidiu abrir candidaturas para o estabelecimento de parcerias com vista ao estudo do tema. O concurso desafiava à investigação centrada na pessoa e papel do professor como elemento-chave à aprendizagem do aluno. Foi selecionado o projeto “O Impacto do Professor nas Aprendizagens do Aluno: Estimativas para Portugal”, apresentado pela parceria entre a Universidade Nova e o University College of London. Nos próximos 3 anos a equipa de investigadores propõe-se estimar o contributo individual do professor, anonimizado, a partir da análise dos dados nacionais que têm sido recolhidos ao longo dos últimos anos pelo Ministério da Educação, o que representa um importante passo na investigação da Educação no nosso país.
Os resultados deste estudo são um primeiro passo que por certo abrirá caminho a novas linhas de investigação. Qual a relação entre a distribuição dos professores por escolas e regiões e as diferenças que se encontram nos resultados escolares? Existe convergência entre a eficiência estimada e a perceção dos gestores escolares, pares, encarregados de educação e alunos? De que modo essa perceção influencia as tomadas de decisão na gestão das escolas ou o apoio dos encarregados de educação aos seus educandos?
No conjunto espera-se que a resposta a estas questões contribua para a definição de medidas que permitam elevar a formação inicial e contínua dos professores, preparar melhor a transição da formação académica para a atividade profissional, aperfeiçoar o recrutamento e a gestão escolar e contribuir para uma cada vez maior valorização do papel e missão do professor. Numa altura em que se perspetiva, por razões demográficas, a saída a médio-prazo de uma considerável proporção do atual corpo docente, pode ainda representar um estímulo a práticas de partilha de conhecimento e experiência entre aqueles que constituem a chave para a universalidade da qualidade na Educação: os Professores.
Prof. Auxiliar da Universidade de Évora, Conselho Consultivo do EDULOG
‘Caderno de Apontamentos’ é uma coluna que discute temas relacionados com a Educação, através de um autor convidado.
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