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Tentamos sempre acreditar. Agora é que é, agora é que vai ser, agora é que vamos corrigir de vez os problemas orçamentais que nos perseguem há décadas. Pensamos e queremos acreditar. Quisemos acreditar quando conseguimos entrar para o euro em 1999. Quisemos acreditar depois, quando José Manuel Durão Barroso com Manuela Ferreira Leite disseram em 2002 que António Guterres tinha deixado o país de tanga e se comprometeram a reduzir o défice público escondido, na altura, e descoberto, a pedido do Governo, pelo Banco de Portugal. Saímos desse défice excessivo em 2004. Quisemos acreditar quando José Sócrates voltou, em 2005, a fazer o mesmo, pediu também ao Banco de Portugal para avaliar as contas e voltou a descobrir um défice escondido, e a anunciar com Fernando Teixeira dos Santos que o tinha corrigido em 2008. Voltaremos ao défice excessivo em 2010 para sairmos em 2017.

Queremos acreditar agora, com António Costa e Mário Centeno, que não vai haver de novo um momento, algures depois das eleições de 2019, em que se dirá que afinal o défice é muito maior. Ou até antes, se a instabilidade que vivemos na Europa e no mundo não se agravar inesperadamente. Queremos acreditar, mas aquilo que começou por ser cepticismo, passando depois pela fase do “afinal se calhar é possível”, regressa agora sob a forma de fundadas dúvidas sobre este sucesso orçamental. A expressão maldita “défice escondido” regressou, exactamente no ano em que o primeiro-ministro promete “contas certas”

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