Promessas grandiosas, medidas de efeito imediato, contas públicas esquecidas. Pedro Nuno Santos apresenta-se como um salvador, mas o seu programa mais parece um catálogo de imprudência fiscal, onde o futuro do país é hipotecado em nome do curto prazo. Enquanto o Tribunal de Contas alerta para um défice de 228 mil milhões de euros na Segurança Social até 2060, o Partido Socialista continua a apresentar propostas sem base financeira sólida, numa tentativa clara de seduzir o eleitorado com políticas pouco sustentáveis.
Tal como Ícaro, que ignorou os avisos do pai e caiu ao tentar alcançar o sol, Pedro Nuno Santos parece acreditar que as leis da economia são uma questão de opinião. O seu programa eleitoral é um verdadeiro leilão populista, onde o Estado promete mais do que pode cumprir. Vejamos os seguintes exemplos:
IVA em cabaz de bens alimentares essenciais Será este corte fiscal generalizado eficiente na ajuda real de quem precisa?
Aumento do salário mínimo para 1.110€ – Apesar da boa intenção, sem um aumento correspondente da produtividade (que, segundo o Eurostat, cresceu apenas 0,4% em média anual na última década), os custos para as PME podem ser insustentáveis, ainda mais com a diminuição das horas semanais de trabalho.
“Pé-de-meia” de 500€ por criança – A ideia é simpática, mas o financiamento permanece um mistério. Estima-se que o custo desta medida ronde os 200 milhões de euros por ano. Com a Segurança Social projetada para entrar em défice estrutural a partir de 2027, é legítimo perguntar: de onde virá o dinheiro?
Medicina dentária e saúde mental no SNS – Sem dúvida áreas prioritárias. Mas sem uma reestruturação profunda do Serviço Nacional de Saúde, com recursos humanos em fuga e listas de espera que, em 2024, chegaram a mais de 240 mil pessoas só para cirurgia, prometer mais é apenas adiar o colapso.
Enquanto países como a Irlanda e a Estónia investem em desburocratização, digitalização e atracção de investimento estrangeiro, Portugal continua refém de uma lógica eleitoralista de curto prazo.
Pedro Nuno Santos não é um rosto novo na política. Foi ministro, e os resultados estão à vista: na habitação lançou quatro fundos, gastou 3 milhões de euros e não construiu uma única casa. Com uma taxa de execução de apenas 5% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na área da habitação, a crise do setor agravou-se. Nas Infraestruturas, o prometido TGV Lisboa-Porto continuou no papel. A requalificação da ferrovia avançou a ritmo muito lento, com sucessivos atrasos e derrapagens orçamentais. Agora, pede aos portugueses que acreditem que tudo será diferente. Mas com a aquipa que todos conhecemos? Com que credibilidade?
O alerta do Tribunal de Contas é claro: a sustentabilidade da Segurança Social está em risco. A projeção aponta para um saldo negativo acumulado de 228 mil milhões de euros até 2060, caso nada seja feito. E no entanto, o PS continua a prometer mais despesas: Onde está o plano para aumentar a produtividade, que permanece abaixo da média da União Europeia? Onde está a reforma da Administração Pública, que absorve mais de 45% da despesa do Estado? Onde está o controlo rigoroso dos gastos públicos, num país onde o desperdício e a duplicação de serviços continuam sem solução? Em vez de reformas estruturais, temos mais subsídios, mais clientelismo e promessas que desafiam a aritmética.
Pedro Nuno Santos não é Ícaro. É mais perigoso: Ícaro caiu sozinho; as promessas de Pedro podem arrastar o país inteiro. A factura será paga pelos contribuintes, hoje, com impostos mais altos, amanhã, com piores serviços públicos e mais dívida.
Os portugueses merecem mais do que discursos vazios. Precisam de um plano económico realista, assente em crescimento sustentável, produtividade e eficiência. Cada promessa feita sem orçamento claro deve ser recebida com uma pergunta simples: “Quem vai pagar isto?” E a resposta, infelizmente, já todos conhecemos.