A Covid-19 não foi muito grave em Itália e Espanha? O sistema de saúde desses países não colapsou?

Os profissionais da área da saúde foram tão influenciados pelo medo como a restante população. Este fenómeno explica-se sobretudo pela influência exercida pela retórica do medo difundida incessantemente pela comunicação social. Sem acesso rápido e generalizado a informação científica que lhes permitisse confirmar ou infirmar a gravidade da situação veiculada, a generalidade dos profissionais de saúde acreditaram nessa propaganda mediática, amplamente mal informada e descontextualizada. Alguns meteram baixa para escapar ao problema. A grande maioria manteve-se a trabalhar e adotou as medidas impostas de utilização de equipamentos de proteção, o que, por sua vez, contribuiu para aumentar o medo entre a população: se os profissionais de saúde estão a aderir às normas de segurança e ao confinamento, então é porque o problema deve ser muito grave. Entre a propaganda mediática, que vive da exploração das emoções da sua audiência, e a adesão acrítica dos profissionais de saúde às medidas sanitárias impostas, instalou-se o pânico entre políticos e população em geral.

Neste ambiente, adotaram-se medidas políticas e de gestão de cariz irracional que prejudicaram o processo de assistência hospitalar. A Covid-19 tornou-se na prioridade dessa assistência, negligenciando todas as outras patologias e necessidades de cuidado. Como consequência, verificou-se o bloqueio ao acesso a cuidados de saúde a muitos doentes crónicos com patologias graves. Os casos agudos foram sendo atendidos, mas mesmo esses foram submetidos com frequência a testes ‘Covid’, o que provocou atrasos no atendimento, os quais, em algumas situações, resultou no óbito do doente.

A propaganda do medo pressionou os profissionais de saúde a tratar todos os doentes como ‘suspeitos de Covid’ até serem feitos dois ou três testes com resultado negativo.

Isto significa que houve o internamento de pessoas apenas por haver suspeitas de estarem contaminadas com a Covid-19, apesar de serem assintomáticos. Tal excesso de internamento de pessoas não-contaminadas resultou numa pressão desnecessária sobre os sistemas hospitalares, ou seja, não foi por doenças efetivas que o sistema atingiu o limite da sua eficácia, mas sim por suspeitas, com frequência, infundadas. No pico da crise, um médico espanhol dizia numa entrevista televisiva que não eram precisos ventiladores, mas sim camas e pessoal para todos os casos suspeitos. Isto significava que não houve uma rutura do funcionamento das unidades de cuidados intensivos (UCIs), mas sim um colapso administrativo.

É habitual que os sistemas de Saúde funcionem perto da sua capacidade máxima em situação normal. Como tal, é igualmente habitual que, sazonalmente, quando acontecem surtos  mais fortes de gripe comum, o sistema “colapse”. Há imensos relatos de “caos” nas urgências hospitalares em todos os países e em quase todos os anos. Faz parte do funcionamento “normal” dos sistemas de saúde nacionais. Daí as inúmeras imagens que surgem de pessoas acamadas em corredores das urgências que nem sequer chegam as enfermarias e muito menos a UCIs.

Há cientistas, médicos e outros especialistas que defendem a necessidade das medidas de distanciamento social, a quarentena e até mesmo o confinamento de pessoas saudáveis. Quais as evidências científicas que suportam esta posição?

Não há qualquer evidência na literatura científica que sugira a eficácia de quarentenas ou de medidas de confinamento de pessoas saudáveis para a prevenção da disseminação de uma epidemia. Historicamente não se conhece a sua prática a nível das nações em nenhum momento passado para lidar com alguma epidemia ou pandemia. A quarentena recomenda-se para pessoas doentes ou infetadas, ou que tenham estado em real risco de infeção, como nos casos de proximidade continuada com um doente. A OMS nunca fez recomendações em tal sentido, apenas mencionou o que a China tinha feito, sendo que pode ser argumentado que essas medidas eram mais de cariz político do que sanitário. (Referências 1, 2, 3 e 4)

Mesmo hoje não há prova científica relevante e significativa de que o confinamento tenha afetado o curso da pandemia. A pouca publicação nesse sentido assenta essencialmente na execução de simulações que dizem que sem confinamento teria sido pior e que com o confinamento foi menos mau. No entanto, as simulações não refletem a realidade. São realizadas por computadores que fazem cálculos de acordo com as variáveis que alguém lhes apresenta. Com frequência, essas variáveis são insuficiente, havendo variáveis ocultas que não são tidas em conta. Por exemplo, a simulação do Imperial College, inicialmente tomada como a teoricamente mais credível, foi entretanto desacreditada e o seu autor demitiu-se de conselheiro do estado Britânico. As suas previsões falharam de forma desastrosa e já tinham falhado no passado em diversas infecões veterinárias que levaram ao abate de mais de 6 milhões de animais. (Referência)

Mas muitos dos países que fizeram confinamento tiveram menos mortos do que os países que não fizeram. Não é isso prova de que o confinamento?

As diferenças verificadas não têm correlação com o tipo de medidas nem com o momento em que foram implementadas. Têm sim uma grande correlação e sem o mesmo padrão que se conhece de outros surtos noutros invernos: no início de Maio, deixou de haver um número relevante de mortes em excesso. Assim foi em todos os países europeus.

A Noruega e a sua Agência de Saúde, equivalente à DGS, já vieram a público reconhecer que o “lockdown” era desnecessário, que provavelmente não influenciou a propagação da infeção que, na altura da sua implementação, já estava em queda. O confinamento foi motivado pela identificação de sintomas, mas essa manifestação aconteceu vários dias depois de ter ocorrido o pico da infeção. A Noruega reconheceu ainda que o encerramento das escolas poderá mesmo ter piorado a evolução da epidemia.

A Suécia tomou uma decisão racional, baseada nos conhecimentos científicos disponíveis a todos, porque a decisão esteve legalmente nas mãos de epidemiologistas e o governo não pôde tomar decisões sobre saúde pública. A taxa de mortalidade, ao contrário do que é veiculado repetidamente pela comunicação social, não é elevada e está perfeitamente dentro da variação normal dos anos anteriores.

As diferenças que a Suécia apresenta em relação aos países vizinhos não têm qualquer significado, como não tem as diferenças que a Bélgica, em quarentena total, apresenta para com a Holanda, com quarentena leve, ou para com a Alemanha, ou ainda a equivalência que a Galiza, com uma lei duríssima, apresenta para o norte de Portugal, com menos restrições. Ou as diferenças do norte para o Alentejo. Só para dar alguns exemplos.

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O Japão, a Islândia, Malta, a Estónia, a Bielorrússia, o Equador e, em certa medida, a Holanda, seguiram abordagens em tudo semelhantes à Suécia ou ainda mais leves e não apresentam um cenário catastrófico. Muito pelo contrário, os seus resultados são benignos e perfeitamente equivalentes a países totalmente fechados.

Outras agências de saúde de vários países recomendaram o mesmo curso de ação, mas os políticos impuseram uma visão catastrofista. Deixaram-se guiar pelo medo, tal como as populações, e agiram de modo intuitivo e emocional, não científico ou racional. (Referência)

Mas os profissionais de saúde continuam a mencionar risco real e consequências médicas dramáticas.

Sim, porque não podem perder a face. Apostaram o prestígio quando a crise se instalou. Comungaram do medo sentido. Perante a falta de formação específica e avançada em epidemiologia, tiveram a reação mais natural: prevenir. Como a profissão de muitos profissionais de saúde é aconselhar e vivem da imagem de credibilidade que criam e mantêm, têm dificuldade em admitir que erraram. É o seu estatuto social e profissional que está em causa.

Para sustentar as posições tomadas são invocados novos casos e mais mortes, mas de forma descontextualizada. O problema é que os números ditos ‘Covid’ não têm validade estatística:

  • testes PCR não fiavéis porque dão muitos falsos positivos, até com sumo de frutas;
  • testes serológicos com boa qualidade mas que num caso destes, de uma doença supostamente nova com prevalência de 3% (segundo a OMS) têm uma margem de erro enorme;
  • critérios subjetivos de morte por ‘Covid’, que variam entre países e regiões;
  • introdução nas certidões de óbito da opção obrigatória: Sem Covid, Supeito Covid e Covid, sem que se saiba como serão classificados na verdade os “suspeitos”;
  • ausência de autópsias que provem a causa de morte como atribuída ao vírus.

Mas está a acontecer um novo surto em Lisboa, estamos a arriscar tudo. Não devíamos confinar tudo novamente?

Os “casos” detetados nos últimos dias são fantasmas. Detetaram mais de mil “casos” e o número de internados continua a descer vertiginosamente (já tivemos 1301 internados, sem que tenha havido colapso do SNS).

Enquanto continuarem a procurar fantasmas vão encontrar. Os critérios de teste hoje não tem qualquer relevância médica ou epidemiológica. São uma aberração. Os testes PCR conseguem detetar partículas de vírus mesmo que estas já não sejam capazes de infetar pessoas, mesmo que estejam já destruídas pelos raios utra-violeta ou que seja eliminadas facilmente pelo sistema imunitário no que será uma infeção extremamente leve.

Testar 833 pessoas num armazém das quais 175 dá positivo — um número que gera medo e dos quais os meios de comunicação se apropriam para aumentar o seu protagonismo — e que resulta em apenas um internamento é uma inutilidade. Uma qualquer outra testagem médica feita pelo SNS a 833 pessoas que resultasse apenas na necessidade de uma intervenção clínica, seria severamente contestada pela oposição! É um desperdício de recursos em tempo e testes. Alimenta sobretudo clientelas que ainda não ficaram contentes com os milhões de euros que choveram do governo.

Como se pode ver neste gráfico da DGS, o número de testes positivos continua alto, mas o número de pessoas que refere e apresenta sintomas tem descido vertiginosamente.

Fonte DGS

A cada dia há menos internados. O melhor facto tem sido o do número nos cuidados intensivos estar sempre a descer. Há capacidade no SNS para muito mais, nunca estivemos sequer perto da capacidade máxima.

Para quem não se lembra: o objetivo de confinar o país era APLANAR a curva. A curva JÁ NÃO EXISTE, com ou sem estes testes sem critério.

As escolas devem continuar fechadas? Não podemos arriscar a saúde das crianças!

As crianças não correm qualquer risco de vida significativo por esta infeção. Para as crianças, a Covid-19 é muito menos perigosa que uma gripe, a qual pode, de facto, afetar crianças saudáveis e causar complicações negativas mais permanentes.

É importante também referir que as crianças têm um papel irrelevante na progressão da infeção. São mesmo peças fundamentais na imunidade de grupo, ajudando a prevenir um potencial retorno do vírus no próximo inverno (o qual, a acontecer, não terá risco relevante, sendo ainda menos presente que o primeiro).

As escolas estão abertas para uma elite escolhida. Essas crianças vão continuar a progredir normalmente na sua educação.

Os filhos de quem tem que trabalhar todos os dias, de quem não tem rendimentos garantidos, ficam reduzidos a olhar para a televisão, provavelmente com algum estigma de atraso educacional em relação aos colegas da elite ou que tem pais capazes de os acompanhar diariamente.

O estado, aquele que devia assegurar acima de tudo igualdade de oportunidades, assobia para o lado a servir exclusivamente aqueles que escolhe.

Nenhum país que reabriu as escolas relata qualquer subida de infeção, Dinamarca, Áustria, Republica Checa e muitos outros. Apenas a França fechou setenta escolas pontualmente, das 40 000 que reabriram, vinte e cinco das quais numa única cidade por causa de UM ÚNICO CASO.

A Noruega retirou na primeira semana de Junho todas as restrições e medidas nas escolas. (Referência 1 e 2)

O confinamento salvou vidas em Portugal ou não?

O estudo que estima que o confinamento salvou 146 vidas tem graves fragilidades técnicas. Não apresenta qualquer formulação matemática ou técnica-científica da projeção do que seria a curva de óbitos sem confinamento. Mais ainda, a curva de óbitos observados encontra-se dentro do intervalo de confiança da projeção, ou seja, é uma variação dentro da norma, pelo que não se pode dizer que “o confinamento fez a diferença”.

O número de suicídios já relatados como causas diretas com as condições económicas e de desespero social em consequência das medidas largamente ultrapassa quaisquer ganhos residuais do confinamento. Há uma relação muito forte e bem establecida entre desemprego dificuldades económicas e  suicidio, tememos que as consequencias imediatas na população sejam muito mais gravosas por essa via que nas vidas supostamente salvas.

Pelo contrário, sabemos hoje que houve aumento da mortalidade em Portugal por causa direta e indireta do confinamento. Morreram pessoas por suicídio induzido pela ansiedade do confinamento, por ataque cardíaco associado ao pânico gerado, por falta de cuidados de saúde hospitalares, tanto pela demora na prestação desse serviço enquanto se esperava pelos resultados dos testes da Covid-19 como pelo evitamento de idas a instituições de cuidados de saúde, motivado pelo medo de contrair a Covid-19. Estas “causas” ainda não estão devidamente contabilizadas nas estatísticas oficiais nem nos estudos existentes. O  excesso de mortalidade ocorrido entre 1 de março e 22 de abril foi três a cinco vezes superior ao explicado pelas mortes por Covid-19 reportadas oficialmente, uma tragédia várias vezes maior que o próprio vírus. (Referência)

Vai haver segunda vaga?

Muito provavelmente não. O padrão do vírus e infecção são perfeitamente banais para uma infecção desta natureza e tudo indica que está agora num estado endémico, estável e que viveremos com ele para sempre, como mais um vírus entre milhares. A ciência na Itália indica que já desapareceu do país.

Poderá haver nova infecção no outono-inverno, como é habitual com os coronavírus. Ainda não sabemos se este vírus vai circular significativamente no hemisfério sul temperado no inverno deles e regressará no nosso inverno.

Mas se regressar, terá de se ter em conta alguns factores: Primeiro, haverá mais imunidade entre a população do que durante o primeiro surto. Mesmo que seja baixa, será suficiente para reduzir a letalidade do vírus para níveis não preocupantes. De recordar que também haverão menos pessoas vulneráveis disponíveis – praticamente os únicos que a Covid-19 matou até agora. É na fase inicial de surgimento de um vírus como este que a taxa de infeção e de letalidade é mais acentuada.

Segundo, durante uma próxima vaga, a Covid-19 terá de competir com outros vírus de gripe e afins pela influência sobre corpos vulneráveis. Significa isso que haverão menos disponíveis. Se outro vírus gripal infectar essa pessoa e lhe causar a morte, a Covid-19 não terá probabilidade significativa de também infectar e contribuir como evento terminal para esse óbito. Dificilmente um número relevante de pessoas será infectado por dois vírus no curto período que medeia entre a infecção e a morte.