Assistindo aos debates que têm vindo a suceder, e aos comentários que após eles são transmitidos pelos diversos canais televisivos, segundos após a sua conclusão, reconheço estar desalinhado com a maioria daquilo que ouço, estou certo que o mal será meu, perante tantos a remar para o mesmo lado!
Acredito que é na simplicidade das ideias e palavras, que se consegue o melhor resultado para conquistar um eleitorado.
O CHEGA conseguiu isso nas eleições passadas, interpretando de uma forma clara as ideias que emergiam na sociedade, massacrada pela ideologia socialista.No entanto o panorama político mudou, e há que perceber que muitas das ideias do CHEGA foram abraçadas por outros partidos.
Como terceira força política nas eleições passadas, o CHEGA teve que jogar o jogo democrático de forma estratégica. Foi aí que o não é não de Luís Montenegro, limitou as possíveis ambições políticas de André Ventura. Esta situação exigia uma resposta ágil e eficaz, mas, em minha opinião, Ventura não conseguiu reagir positivamente a este cenário político. A falta de uma estratégia clara para contornar essa barreira, ficou evidente, passando do combate de ideias para tudo o que pudesse levar a derrubar o seu opositor Luís Montenegro , esquecendo-se das suas responsabilidades de defensor também da direita!
O que poderia ter feito, perguntam muitos! Bastaria ter ignorado a ferida do não é não, e contribuído para melhorar as políticas apresentadas pelo governo, e com isso desanuviar o ambiente, tirando pressão à crispação incentivada pela esquerda, e na qual ele se deixou enredar.
André Ventura tem inteligência para isso, e a responsabilidade representativa de 1 milhão de portugueses o obrigava, percebendo o momento político e as ideias que o tinham levado até aí. Poderia com sentido de Estado ter apoiado o governo, optando por isso ser o mal menor, ao invés de votar ao lado do PS, esquecendo que 1 milhão de Portugueses não votaram nele imaginando que isso pudesse vir a suceder algum dia!
Assim, aqui chegados, como remediar tudo isto? Talvez o primeiro passo que André Ventura devesse dar perante aqueles que representou, seja um ato de contrição e mea culpa, por o que disse e fez de errado, sem qualquer outro objetivo a não ser obstrução a tudo o que viesse da AD. Isso poderia ser visto como uma tentativa de se afastar de uma postura de confronto, e criar um caminho diferente daquele que teve até agora.
Quem sabe, com esse ato de humildade política, ele pudesse contribuir para defender a direita que tanto apregoa, e ainda assim, tentar reconquistar parte do eleitorado que possa estar zangado com ele. Além disso, essa atitude poderia ajudar a manter sua base de apoio. Tudo vai depender do seu discurso nas próximas semanas e de sua capacidade de resistir às provocações feitas pela Comunicação Social.
Está na hora de aprender com o passado, e convencer os eleitores que está à altura das responsabilidades. Precisa mostrar que pode ser uma opção de apoio ás politicas de direita, mesmo que em posições extremas, o não é não, possa estupidamente voltar a ser reeditado