Para quem se deu ao trabalho de começar a ler este artigo, espero não ser processado pela Decathlon, minha loja favorita de desporto, mas estou apenas a usar, como cidadão preocupado, as mesmas armas dos media: alertar a maioria silenciosa perante o ruído de uma minoria!
Os valores democráticos estão perante desafios que nenhum de nós imaginava neste cantinho; desafios que nos obrigam a tomar uma posição para podermos ser cidadãos que, no fim do dia, encostam a cabeça e sentem que fizeram todos os possíveis para cumprir o seu papel na sociedade.
Há quem diga que, muitas das vezes, não há como não nos colocarmos na posição dos outros para podermos tomar uma posição sensata e equilibrada sobre qualquer questão.
A decisão da juíza Ana de Campos, que autorizou a Renata Cambra a acampar no Rossio, deixa-nos surpresos e obriga-nos a alguma reflexão: Será que a juíza se colocou no lugar dos acampados e isso motivou este despacho?
A Lei de 1974 que vigora é suscetível de exceção para um cidadão?
Como é que as forças de segurança, encarregues de garantir a lei e as liberdades do cidadão na democracia, devem agir perante isto?
Não sou jurista, mas sempre defendi que a engenharia, no mínimo, é o curso que nos dá a possibilidade de raciocinar com uma base pragmática. Recordo um humorista que dizia que a matemática era para ser uma coisa fácil até ao dia em que alguém disse que X + Y = Z!.
Perante isto, as autoridades, os manifestantes e o cidadão em geral têm grandes desafios:
A polícia: “Vamos defender a lei de todos ou a tenda da Renata da Cambra dos outros manifestantes?”
Os manifestantes: “Vamos arranjar uma tenda para a Renata onde caibamos todos e cumprir a lei ou continuamos a fazer com que ‘eles’ se atropelem mais?”
O cidadão comum: Gostaria apenas de fazer as compras de Natal e desfrutar das tradições em família, mas depara-se com um cenário cujo sentido poucos entendem, mesmo compreendendo o grave problema da habitação.
E agora, o que fazer, Senhor Primeiro-Ministro e Senhor Presidente da República?