Pelo menos desde a idade média (séculos V-XV), nada de substantivo muda nas revoltas populares. Quando as populações nativas europeias atacavam cobradores de impostos, castelos ou casas senhoriais ou agora imigrantes os alvos a atingir sempre foram governantes e demais poderes que ameaçam o seu modo de vida. A intuição popular sempre soube que quanto mais poderoso é quem manda, tanto maior a sua capacidade de instrumentalizar barreiras intermediárias que o escudem da insatisfação e revolta populares.
Se qualquer manifestação de violência e destruição é condenável, independentemente das razões, o autor moral da violência social é o principal responsável. No caso das revoltas dos povos nativos europeus, é regra o poder ser insensível à insatisfação das pessoas comuns, a ponto da sua teimosia o manter predisposto a salvar a pele sacrificando o elo frágil, em séculos passados o cobrador de impostos e hoje o imigrante.
É como se os governantes da Europa atual andassem a concentrar imigrantes nas praças centrais das povoações e, nos mesmos locais, juntassem lenha, gasolina e fósforos. Depois ficassem à espreita para, ao primeiro sinal, acusarem de criminosos uns quantos populares que decidam acender os fósforos.
O que está em causa nada tem a ver com golpes militares ou movimentos ideológicos instigados por elites minúsculas. São manifestações seculares genuinamente da terra, telúricas, nascidas da alma dos povos. Daí a imigração ser o rastilho que veio reativar, no século XXI, o que sempre caracterizou os ciclos de rotura entre o poder e o povo na Europa.
Trata-se de revoltas populares endémicas que, persistindo, podem degenerar em revoluções bem mais sangrentas, destrutivas, incontroláveis. O ponto de viragem ocorre quando as barreiras que protegem o poder do povo vão enfraquecendo, até serem por completo destruídas. A razão é a de sempre: o poder teimar nas suas posições contra o acumular de evidências na rua. Aconteceu na Revolução Francesa (iniciada em 1789) ou na Revolução Russa (1917).
A diferença do século XXI é o sentimento de insatisfação popular se espraiar, em simultâneo, por todo o continente europeu. Em tais circunstâncias, só querem e podem travar a violência social todos quantos exigem e impõem transformações profundas na atitude de governantes e elites face à imigração. Com tantas universidades, juristas, académicos, intelectuais, analistas, investigadores, jornalistas, debates, congressos, seminários – torna-se colossal a ignorância sobre o óbvio, pois não está em curso nada de novo desde a idade média.
Quando os europeus nativos por todo o continente evidenciavam sintomas de saturação com a imigração, entre a legal e a crescente ilegal, quando a associavam a impactos cada vez mais negativos na sua vida quotidiana e sentido existencial – degradação da segurança, economia, ensino, saúde, habitação, justiça, nível de vida, coesão social, bem-estar –, a bolha dos atuais donos do poder (os partidos políticos do centro, toda a esquerda e respetivas elites) insiste há anos em legitimar mais e mais imigração, até ao ponto de instigar explosões de revolta popular. Demasiada estupidez.
Tal reação é do mesmo tipo das reações da nobreza feudal antes das revoltas camponesas na idade média, da nobreza francesa em vésperas da revolução de 1789 ou da teimosia de Costa Cabral antes da revolta camponesa da Maria da Fonte iniciada na região da Póvoa do Lanhoso (1846), entre diversos exemplos.
A linguagem dos donos do poder também nunca enganou. Dos celestiais multiculturalismo e globalismo que forçaram a abertura das mentes dos nativos europeus para uma futura era cor-de-rosa de grande imigração, à medida que esta se vai concretizando na sua natureza cruel, a etapa seguinte passou a ser a fuga em frente dos donos do poder. A condizer, o vocabulário torna-se bem mais ofensivo, assente na generalização de acusações aos nativos europeus: racistas, xenófobos, fascistas, radicais de extrema-direita, ameaças à democracia.
Estranho seria não haver revoltas populares. Regressaram à ordem do dia há meses no Reino Unido e, entretanto, abre-se uma nova frente no sul da Europa, em Espanha, na localidade de Torre Pacheco (Múrcia). Agora como há séculos, a violência social dessa natureza só se trava secando a fonte que a alimenta.
O necessário e indispensável é hoje evidente: reduzir de forma significativa a imigração, impor a sua regulação eficaz, reintroduzir o controlo efetivo das fronteiras externas europeias, proteger as nacionalidades e promover a identidade dos povos nativos europeus, reverter o processo em curso de substituição demográfica. Dignidade e coragem é travar aqui e agora revoltas, revoluções e guerras. Irresponsabilidade, cobardia e traição é oferecer como herança a filhos, netos, bisnetos banhos de sangue futuros.