É uma conquista por dentro, um totalitarismo de uma outra natureza, vírus que penetra a inteligência, corrói a vontade, fazendo de cada vitima um instrumento de propagação da infecção.. É a convergência do que Amin Maalouf designa por “novos cavaleiros do apocalipse”, o identitarismo, o ultra-liberalismo, o islamismo, que se não forem vencidos conduzirão ao “naufrágio das civilizações”.

Não se trata duma decadência como houve outras no tempo e nos espaços. É uma regressão civilizacional. Como se assistíssemos projectado ao contrário a um filme sobre a “escalada do Homem”, tal como é narrada no livro admirável de Jacob Broinoswky, The Ascent of Man.

Não uma decadência como a ligada à queda do Império Romano, com que alguns a comparam pela semelhança aparente de algumas manifestações.

Porque essas invasões bárbaras trouxeram povos com ambições, forças físicas e anímicas que viriam a ser seiva, matéria-prima, para o reflorescimento civilizacional feito com as sementes do saber antigo, da centelha demiurga de inspiração e génio, preservadas em mosteiros remotos perdidos nos confins da Europa.

As invasões de hoje, pelo contrário, transportam germens de dissolução, de degenerescência, de morte. “Nós amamos a morte”, é o grito islâmico revelador com que matam e se matam.

E os novos mosteiros que deviam ser hoje as Universidades foram contaminados e tornaram-se centros de propagação da pandemia.

Estranho é tudo acontecer quando parecia definitivamente enterrado o horror depois de vencidos os antigos demónios em 45 e na queda do Murro de Berlim, no dealbar de um mundo novo como anunciara outro grande livro, O Fim da História, de Francis Fukuyama.

Não surpreende ser dos Estados Unidos que agora chega o delírio que está a alastrar na Europa. As notícias desse naufrágio da civilização em curso são de todos os dias e sempre mais surpreendentes: universidades rendidas à auto-destruição, reitores e professores a viverem a humilhação extrema de pedirem desculpa por serem… brancos. Grandes figuras das artes acusadas sem provas, punidas sem processo nem julgamento, numa clara violação dos direitos humanos e do mais elementar das constituições civilizadas.

Na França é a aliança islamo-esquerdista. Entre nós, o activismo “anti”-racista racista, negro e branco – que o esquerdismo cavalga e alimenta julgando poder servir-se dele. Ponta de lança do islamismo para entrar em Portugal, país pouco aliciante para as ondas de migrantes do Médio Oriente e da África muçulmana. Fugitivos da fome, do medo e da morte, que por isso não deixam de ser reserva de recrutamento de assassinos logo que chamados para o combate fanático ao serviço de um deus satânico.

Na escola, reduzido e pervertido como vem sendo o ensino da História, foi criada a disciplina “História, Culturas e Democracia”, que apesar da designação ambígua é mais uma manifestação da dissolução em curso.

Foi isso que Jaime Gana percebeu. E por isso lhe saiu ao caminho um catedrático de uma estranha História, o mesmo que um ou dois anos antes decretara ser falso um quadro numa exposição do Museu de Arte Antiga por não representar a realidade como a ideologia que o cega quer impor . Depois da verificação da autenticidade do quadro, nem a trepa intelectual e profissionalmente humilhante que levou de um verdadeiro conhecedor da matéria, Fernando António Baptista Pereira, o calou definitivamente.

A estratégia dos peões saídos à liça para apoiar o novo passo que o Ministério da Educação se atreveu agora a dar foi cautelosa. Um saco de poeira lançado aos olhos dos incautos ou pouco instruídos, confundindo e evocando conceitos que na verdade infirmam a concepção obscurantista e ideológica da História que praticam.

Ao contrário do que o tal catedrático pretendeu sugerir, é a posição de Jaime Gama que se identifica com a de Herculano, ambos a defenderem uma História que procura a verdade dos factos, não o uso deles e a sua deturpação para fins políticos ou de crenças. Uma História que não se confunda com outras realidades distintas, respeitáveis ou não.

E que dizer da afirmação “A Guerra Colonial concorre, aqui, com a exploração de outros temas, que vão do trabalho forçado ao Holocausto (…)”? Holocausto? Para além da enormidade histórica eis-nos perante a relativisação, o branqueamento anti-semita do verdadeiro holocausto, o horror maior da história da humanidade.

Registe-se ainda o abuso que Ramada Curto fez do nome de João Gouveia Monteiro, associando-o a uma concepção ideológica da História, à anti-História, que estou certo repugnará àquele historiador.

A História é critica, das fontes e no método, para se aproximar progressivamente da verdade dos factos. E deve desde logo lembrar-se ao catedrático que ele parte de uma asserção que é uma redundância: a História ou é crítica ou então não é História, mas apologia, ideologia, manipulação. Que é o que fazem os que procuram interpretar os factos históricos em função de objectivos sectários, identitários, religiosos, racistas, supremacistas (e o supremacismo não é só “branco”…), revisionistas; transferir para o passado os diferendos contemporâneos e julgar esse passado. Como faz, conclui-se, Ramada Curto.

É oportuno referir uma evidência histórica que destrói pela raíz a chantagem que o “anti”-racismo racista negro e branco vem tentando fazer sobre os Portugueses: o passado árabe e negro-muçulmano não deve nada em crueldade ao europeu e português, neste com uma religião que no espírito e letra era moderadora; ao contrário do islão que na própria letra incita à violência e à crueldade. (Leia-se Tidiane Diaye, O Genocídio Ocultado, Gallimard, Gradiva.)

Não temos que pedir desculpa por episódios lamentáveis que também houve no passado histórico de Portugal. O senhor Mamadou Ba e os outros como ele, esses, sim, devem reconhecer a crueldade e o crime que continua HOJE a grassar na sua Terra e o islamismo continua a infligir ao mundo. É isso que querem trazer para Portugal?

Culpabilização de nós que nos querem impor para iludirem a responsabilidade que é só deles na tragédia africana, que continua a grassar na África muçulmana.

Sugiro ao catedrático Ramada Custo e ao ministro da Educação a leitura do Tratado Sobre a Tolerância em que já nessa época Voltaire ridicularizava a visão de anti-História que HOJE se quer impor e o ME dissemina na escola.

“Seria absurdo dizimar hoje a população da Sorbonne por ela ter, em tempos idos, apresentado petição no sentido de levar à fogueira a Virgem de Orleães (…) 

Fazê-lo seria não apenas injusto, seria de uma loucura comparável à de purgar hoje todos os habitantes de Marselha por terem tido a peste em 1720.

Iremos nós saquear Roma, como fizeram as tropas de Carlos V, porque em 1585 Sisto V concedeu nove anos de indulgência a todos os franceses que pegassem em armas contra o seu soberano? E não será suficiente impedir Roma de voltar a chegar a excessos semelhantes?

Regressão civilizacional, portanto, de que o catedrático Ramada Curto e o Ministério da Educação são instrumentos ou cúmplices.

É à difamação, tentativa de chantagem, humilhação de Portugal e dos Portugueses, que o Estado, o Governo, os Partidos, a Assembleia da República, o Presidente da República continuam a assistir com um silêncio para mim inexplicável.

Responsabilizo-os pela tragédia a que esse alheamento estão a deixar conduzir o meu País, por oferecerem a novos fascismos, que temo venham, a defesa, que seria perversa, do que cumpre aos homens livres e à democracia defender.