Leu bem o título, caro leitor. A minha família materna tem história e tradição de gerações e gerações entre Portalegre, Castelo de Vide, Marvão e Nisa. Pelo nome que assino, não chegarão lá porque é do meu pai. Mas facilmente chegarão pelo lado da minha mãe. Pelo lado da minha avó materna e pelo lado do meu avô materno não é difícil perceber o quanto estas famílias fizeram pela vila, concelho e concelhos circundantes e cidade de Portalegre. Posto isto, também quero fazer.

Andei à procura dos programas eleitorais das principais forças políticas com possibilidade de disputar a Câmara. Não encontrei nada. Na expressão mais recente, nem nas redes sociais, nem em sites partidários, nem em lado algum. Devem estar, imagino, depositados no Turismo ou, talvez, numa das duas farmácias. Quiçá nos correios ou na própria Câmara para consulta. E, porque não, na papelaria FotoVila, onde vejo despender dinheiro em raspadinhas como em nenhum outro lado de Portugal. Fiquei dececionado com o pouquíssimo que encontrei porquanto esperaria encontrar algo mais estruturado e que não fosse folclore para inglês ver. Há algumas postagens nas redes sociais, claro, mas nada tem estrutura, um fio condutor ou uma lógica para o Concelho. Concelho que já teve mais de 7.000 pessoas, já foi sede de Comarca e que, neste momento, terá cerca de 3.200 pessoas e, infelizmente, francamente envelhecidas.

De tudo o que percorri não me deparei senão com o projeto “bata branca para Castelo de Vide, saúde para todos” e que materializa a necessidade de ter médicos de família para o Concelho pelo lado de uma das candidaturas. E também um gabinete de comunicação para a Câmara (hélas, é preciso ter o que comunicar!). O da bata branca não me convence enquanto projeto. É um básico pelo qual todos devemos lutar. Ponto. O da comunicação, pois claro. Mas é preciso ter o que comunicar e não serão os encontros de pasteleiras ou os jantares de todos os de 77 anos do Concelho (nada contra). Nas palavras de outra candidatura, igualmente com possibilidade de ganhar, aparece a prioridade à ação social e, igualmente, à educação. E li, também nesta candidatura, que a Barragem de Póvoa e Meadas tem andado um pouco esquecida. Sério?

Pois bem, do meu programa constam muitíssimas ideias, das quais destaco apenas quatro, como exemplo:

  • Revitalizar o turismo de saúde (não esquecer que a água Vitalis, e outras mais) são de Castelo de Vide e que a região conta com aquíferos interessantes. Isto dito, as termas e a correlação com a mitigação da diabetes são uma prioridade do meu programa. Turismo de saúde e revitalização das termas que, não sei explicar porquê, foram fechadas.
  • Concessionar a barragem de Póvoa e Meadas para construir uma praia Fluvial. Há todas as condições para fazer crescer uma dinâmica de concessões e conseguir mecenas/patronos para se poder ter um espaço que, ainda que sazonal, possa estimular o turismo da região e proporcionar momentos de lazer a quem lá vive.
  • Desenvolver a cerveja regional (temos, e bem, a Barona) e os vinhos da Serra de São Mamede, que merecem encontros internacionais anuais de cervejas regionais e de vinhos de altitude, captando produtores de todo o mundo.
  • Associar Castelo de Vide, de forma indelével, ao Festival Internacional de Música de Marvão, o evento mais importante – minha opinião – da região e que se afirma com posicionamento diferencial. E nós temos, só em Castelo de Vide, 19 Igrejas que podemos franquear para concertos de música clássica.

Enfim, teria muito mais a dizer. E posso enviar o meu programa (ideias) pela volta do email usando o leitor crespo.carvalho@gmail.com. Quais as minhas dores? Não li nada sobre economia, empresas, valor, crescimento, internacionalização, atração de turismo estratificado (turismo de saúde, turismo judeu – não esquecer que esta é uma vila com origens também judias, e por aí fora). Não ouvi falar, por conseguinte, naqueles que me parecem ser os pontos chave para a vila mais bonita de Portugal.

Tenho um problema adicional. Não tenho partido político pelo que para avançar, seria como independente e, para meu mal, só daqui a 4 anos. Entretanto, continuarei a passar fins de semana e sempre que posso a refugiar-me na casa de Castelo de Vide, cheia de histórias e memórias dos meus antepassados e, eu pessoalmente, cheio de esperança no futuro.

Castelo de Vide, repito e sublinho, é a mais bonita vila que Portugal tem. Merece ser gerida e desenvolvida em conformidade. Mas para isso é necessária ambição e, não apenas, gerir para os que lá estão. A ser assim, Castelo de Vide definhará e tornar-se-á irrelevante, como vem sendo desde a sua grande preponderância durante pelos menos um século, entre 1860 e 1960.

Nota: Mexia do lado da minha avó e Pinto Fraústo do lado do meu avô. Quem vive na vila, no concelho e nos concelhos limítrofes, depressa fará associações.