No dia em que escrevo este artigo teve início, em Belém, no Brasil, a 30ª conferência anual da Organização das Nações Unidas sobre o clima – a COP30 -, que reúne, entre outras partes, líderes mundiais, cientistas e organizações não governamentais. Habitualmente, são conversações difíceis para se chegar a um consenso, prova disso é o facto de, por vezes, ser necessário prolongar o seu momento de encerramento, como já tem sucedido em anos anteriores.

Vivemos num contexto em que a sustentabilidade ambiental é uma condição inerente à prosperidade económica. É um importante desígnio para as empresas — diria, para todas as organizações – e distintos territórios, seja à escala local, regional, nacional ou mundial.

O mercado é hoje composto por perfis de consumidores exigentes, que muito valorizam produtos e serviços que incorporam práticas sustentáveis. Tais práticas, nomeadamente através do modelo de economia circular, da transição energética e da descarbonização, ajudam a reduzir as importações e, por essa via, a melhorar o saldo externo. Há uma distância que separa o nosso país dos parceiros europeus. A título de exemplo, a produtividade dos recursos em Portugal é de apenas cerca de 58% da média europeia, o que é muito preocupante. O caminho terá de ser feito com ambição, mas não pondo em causa a competitividade das empresas.

Contudo, tudo depende, em grande medida, da capacitação das empresas, em particular das micro e PME, face ao, ainda, insuficiente nível de conhecimento e atuação nestes domínios.

Ninguém poderá ficar indiferente, devemos refletir, mobilizar e agir em favor de um presente e futuro mais sustentáveis.

Foi neste sentido que a AEP lançou na passada semana o projeto Novo Rumo a Norte – Rumo à Sustentabilidade, que assenta na necessidade de dar continuidade a um trabalho em prol das micro e PME, onde o imperativo da sustentabilidade assume o papel central, baseado no desenvolvimento do ecossistema empreendedor da região Norte. É o arranque sólido de um percurso de transformação, perante um contexto de enorme complexidade, incerteza e volatilidade, em que os desafios se multiplicam diariamente.