Tenho lido alguns livros de autores posicionados à esquerda mas que após o 7/10 demonstraram surpresa perante as reacções dos amigos que consideravam solidários com a segurança de Israel e dos judeus em geral!
Nestes livros que intitulo de livros do desespero iinclui-se um de Brendan O’ Neill, Depois do Pogrom. Neste, na página 13, ele descreve o seu espanto ao ver a piedade para com os pogromistas mesmo das classes intelectuais das Universidades, e logo no dia seguinte, 8/10! Ninguém esquece Guterres e o vácuo…
Ele diz então: Temos de falar! Temos de falar sobre a racionalização da esquerda em relação ao pogrom e à sua posição face a Israel.
Eu não posso deixar de lamentar a leitura que faz a esquerda, ou pelo menos a esquerda mais radical da realidade. Encontro não apenas críticas legítimas a um governo, sempre admissíveis numa democracia, mas também a perigosa tentação de confundir um povo inteiro com a caricatura que dele fabricam os seus inimigos.
Israel tem direito a defender-se e isso não pode ser condicionado pelas simpatias volúveis e efémeras da comunidade internacional para com o seu Governo. Muito menos se pode priorizar o desejo de lugares nos pódios das instituições internacionais, como o próximo Conselho de segurança da ONU, ao que parece.
O “partido” tem de ser Israel. Esta causa é maior do que o facto do partido que está a governar ser da minha simpatia ou não.
A guerra em curso não foi escolhida por Israel. Foi-lhe imposta no dia em que milhares de civis foram massacrados nas suas casas pelo Hamas. Exigir a um Estado democrático que responda a esse horror com passividade é negar-lhe o direito inerente à legítima defesa, consagrado no artigo 51 da Carta das Nações Unidas, e que qualquer outra nação consideraria inegociável.
Invocar hoje a “solução de dois Estados” sem condições, como se fosse Israel o único obstáculo, é reescrever a história. Desde 1947 todas as propostas sérias de coexistência foram rejeitadas pelas lideranças palestinianas, como lembrou recentemente o ex-Presidente norte-americano Bill Clinton, insuspeito de extremismo.
Não há dois Estados possíveis quando um deles insiste em proclamar que o outro deve desaparecer. O Hamas não nasceu para partilhar fronteiras, mas para destruir Israel. Reconhecer um “Estado palestiniano” sob estas condições, com reféns ainda em Gaza e sob o domínio de uma organização terrorista que nunca aceitou nem aceitará a paz, não é um gesto de coragem diplomática, mas um prémio ao extremismo e a confirmação de que o terror compensa. Confortável à distância de Lisboa, intolerável para quem enterra os seus filhos em Jerusalém e ainda procura os seus familiares nos túneis de Gaza.
Referem a reputação internacional de Israel. Israel não nasceu para satisfazer maiorias ocasionais em assembleias e conferências internacionais, mas porque o povo judeu, depois de séculos de perseguição e extermínio, regressou à sua pátria ancestral e decidiu não mais depender da aprovação alheia para existir. A sua legitimidade não decorre de resoluções teatrais, mas da autodeterminação de um povo vivo, digno e soberano.
Os reféns carecem de pressão internacional eficaz sobre os seus raptores, não de gestos simbólicos que apenas reforçam os agressores e prolongam o cativeiro das suas vítimas.
Tanto a ONU quanto o governo português limitaram-se a apelos formais e votos simbólicos, sem qualquer ação concreta ou eficaz para pressionar o Hamas pela libertação dos reféns. A ONU produziu resoluções não vinculativas que foram ignoradas, enquanto Portugal se escondeu atrás de declarações conjuntas vazias, sem usar sua voz diplomática para liderar ou sequer incomodar. Ambos falharam em transformar palavras em resultados.
E os manifestantes em Israel, longe de provarem a fragilidade de Israel, provam justamente a sua força: é a única democracia da região, onde o povo pode sair à rua contra o governo sem medo de prisão ou de morte. Essa diferença, aliás, deveria bastar para esclarecer de que lado está verdadeiramente a esperança de paz.
A posição de Portugal, chamam-lhe um ato simbólico mas é antes um erro histórico. Não é cedendo às conveniências de Paris ou Londres, nem à retórica inflamada de algumas ruas, que Portugal reforçará a sua credibilidade internacional. Os símbolos também têm consequências, e este diz ao Hamas que o massacre de 7 de outubro, longe de o isolar, lhe trouxe dividendos políticos.
A prova da amizade entre povos não se mede em proclamações apressadas e moralizantes, mas na firmeza demonstrada quando a adversidade, a mais dolorosa delas, põe em causa princípios fundamentais. É quando a violência ameaça a liberdade, quando o terrorismo desafia a dignidade humana, que cada nação é chamada a escolher o seu lado. Os que, em vez de se erguerem ao lado da democracia, preferem refugiar-se em expedientes de conveniência e em gestos de diplomacia vazia, não se inscrevem na tradição dos que fazem História, mas na dos que a traem. Não serão esquecidos por ela, nem uns, nem outros.
Israel não pede autorização para existir, nem mendiga reconhecimento para se defender. Pede apenas lucidez moral para distinguir entre agressores e vítimas, entre democracia e fanatismo, entre paz possível e ódio programado. A sua existência é hoje um facto irreversível, conquistado por sangue, suor e lágrimas, e nunca mais – repito: nunca mais – dependerá da validação de terceiros.
Vamos ver se Trump, o não alinhado das decisões dos salões europeus e ONUs, consegue realizar a Paz. Netanyahu já aceitou as 20 condições.
Vamos ver se os Palestinianos mais uma vez, como dizia o diplomata Abba Eban, fazem jus à frase: nunca perdem a oportunidade de perder uma.
Esta sexta feira, dia 3/10/25, poderá ficar na história. O Hamas parece ter aceitado libertar os Reféns. AMEN. Que assim seja. Am Yisrael Chai — o povo de Israel vive, e viverá.
E temos de falar, sim! Israel não deve lutar sozinho.