Quem ouça as notícias fica a pensar que um Estado Palestiniano é um sonho palestiniano negado por Israel. Há um conceito filosófico que fala da transferência de um desejo que se tem para outra pessoa ou entidade. Atribui-se pois esse desejo a outros quando somos nós a tê-lo e apenas não o assumimos.
Na verdade há cada vez mais políticos a exigir um Estado para um povo que já rejeitou, vezes sem conta, essa possibilidade.
Acima de tudo o que os árabes não querem é o Estado de Israel. “From the river to the sea” tem em si um claro desejo de apagar o chão de Israel.
Mas façamos um breve resumo de momentos históricos em que a criação de um Estado Palestiniano foi rejeitado pelos próprios pois não querem a parte, querem tudo. Já os judeus quereriam o tudo ancestral mas contentaram se com a parte.
No fim da I Guerra Mundial caiu o Império Otomano e a Liga das Nações entregou à administração inglesa o território conhecido como Mandato Britânico que seria para dividir pela população judaica e árabe.
Os ingleses entregaram rapidamente 90% do território do Mandato ao emir hashemita Abdullah (em 1921) criando a Transjordânia e exigindo à Liga das Nações que apenas a exígua parte restante, a situada a oeste do rio Jordão, seria divisível por árabes e judeus.
Depois da II Guerra o Plano de Partilha da ONU (Resolução 181-1947) propôs dois Estados – um judeu e um árabe –, com Jerusalém internacionalizada. O plano foi aceite pelos judeus e rejeitado pelos países árabes e pelos líderes palestinianos.
Foi neste quadro que Israel proclamou a sua independência a 14 de Maio de 1948, sendo invadido logo no dia seguinte por todos os Estados árabes vizinhos. Israel vence essa guerra e dela resulta a tragédia ou Nakba para os árabes, pois não conseguiram empurrar os judeus para o mar… Depois da guerra expulsam os judeus dos seus países, enviando-os para Israel, que tem assim de acomodar milhares de refugiados chegados precipitadamente a um país em fundação!
Nessa guerra a Jordânia ocupou a Cisjordânia e o Egipto ficou com Gaza, mas nenhum Estado Palestiniano foi fundado, sucedendo-se várias guerras nas décadas de 1950 e 1960.
Após a guerra de Yom Kippur de Outubro de 1973, uma conferência em Genebra reúne pela primeira vez Israel, a Jordânia e o Egipto. Após o fracasso dessa conferência, Abba Eban, então representante de Israel na ONU, tornou célebre a frase: “Os árabes nunca perdem uma oportunidade de perder uma oportunidade.”
Pouco depois, nos acordos de Camp David de 1979, Egipto e Israel assinam a Paz considerando autónomos os territórios de Gaza e Cisjordânia. A OLP e os países árabes rejeitaram o acordo!
Mais uns anos e chegamos aos Acordos de Oslo de 1993-1995, dos quais resulta o reconhecimento mútuo de Israel e OLP, que acordam um processo gradual para criação de um Estado palestiniano. Procede-se ao estabelecimento de áreas administrativas na Cisjordânia A ,B e C .
Mais uma vez tudo volta atrás e há explosão de violência e mesmo do lado de Israel, com o assassinato de Rabin (1995) .
Na Cimeira de Camp David em 2000, com Barak, Arafat e Clinton, é proposta a criação de um Estado Palestiniano com 91% da Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Oriental, uma solução claramente vantajosa para os palestinianos. Mesmo assim Arafat rejeitou a proposta, por a considerar insuficiente, dando inicio à segunda Intifada…
Passam mais uns anos e 2008 Ehud Olmert propõe a Mahmoud Abbas um acordo péssimo para Israel: Estado Palestiniano com 93% da Cisjordânia, mais trocas de território, mais capital em Jerusalém Oriental e partilha dos locais sagrados. Mahmoud Abbas não assinou!
A história mais recente entrou terrível pelas televisões de todos nós a 7 de Outubro de 2023, filmada pelos próprios carrascos. Os israelitas estavam nas suas casas ou num Festival de Musica e a barbárie impensável aconteceu. Quem diria que rapidamente a política mundial esqueceria este abismo e os reféns para apenas falar num cessar fogo. Os israelitas só querem regressar à paz relativa de do dia anterior aos massacres, mas precisam de ter, vivos ou mortos, os seus em casa.
Mesmo assim eis que a criação de um Estado Palestiniano emerge na geopolítica como uma novidade, a bênção que falta, como se Israel não lutasse pela existência desse Estado há anos, na esperança de assim poder viver em Paz com os seus vizinhos.
Então porque Israel resiste agora a algo que sempre quis? Porque neste momento o poder seria entregue ao Hamas, um grupo terrorista para Israel mas também para os palestinianos.
O Hamas reprime e usa a sua população como escudo, desvia recursos que deviam ter sido usados na criação de estruturas de um Estado, neste momento controla mesmo a ajuda humanitária privando a população de alimentos. Usam uma propaganda mentirosa para retirar de Israel a autoridade moral na guerra. A Autoridade Palestiniana de Abbas está subjugada a este poder terrorista.
Isto enquanto Israel não confia nos negociadores internacionais que esquecem a segurança de Israel há 70 anos ameaçada e os reféns sequestrados há 600 dias. Até Portugal cede agora à orientação de Joseph Borrell, um Torquemada contemporâneo, e de Pedro Sánchez.
Recorde-se que Josep Borrell, enquanto Alto Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança até dezembro de 2024, não participou diretamente na 35.ª Cimeira Luso-Espanhola, mas a sua influência foi sentida no alinhamento das posições de Portugal e Espanha em relação a temas internacionais, como o conflito no Médio Oriente, o que conhecendo o seu enviesamento não augura nada de imparcial.
Borrell promoveu em setembro de 2024 – isto é, depois do 7 de Outubo de 2023 – uma parceria global para a implementação da solução de dois Estados. Para ele a situação dos reféns israelitas não é prioritária…
No dia 23 de outubro de 2024, o Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, participou na 35.ª Cimeira Luso-Espanhola, realizada em Faro. Este encontro reuniu os chefes de governo e vários ministros de Portugal e Espanha, incluindo Luís Montenegro e Pedro Sánchez. Durante a cimeira, foram assinados 11 instrumentos jurídicos, com destaque para acordos na área da gestão da água, que foi o assunto central da reunião. Mas abordaram-se outros temas e foi reafirmada a coordenação e convergência de posições de Portugal e Espanha em relação a diversos temas internacionais, incluindo o conflito israelo-palestiniano…
Posteriormente, em Fevereiro de 2025, Paulo Rangel reiterou o apoio de Portugal à solução de dois Estados durante uma visita a Israel. Mais recentemente ainda, em maio de 2025, Portugal apoiou o pedido dos Países Baixos para a revisão do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel .
Acresce a necessidade que Portugal tem de agradar nas Nações Unidas pois formalizou a sua candidatura a Membro Não permanente do Conselho de Segurança da ONU no biénio 2027/2028.
Está em grande a actividade diplomática europeia. Reuniram-se a 23 de Maio na Sede da ONU, em Nova York, para estabelecer as bases para uma Conferencia que consideram crucial no mesmo local, conferência marcada para 2 de Junho e destinada à promoção de esforços globais para a criação dum Estado Palestiniano.
Estarão reunidos os grandes deste Mundo, representantes da Europa, da ONU-Unrwa que continua a financiar o Hamas sem se preocupar qual a utilização dos milhões que teriam dado para criar um belíssimo Estado se efectivamente fosse esse o desejo .
Será este 2 de Junho o dia D ou o Dia H, o do Hamas?
Consigam que os Reféns voltem! Consigam o reconhecimento do Estado de Israel pelos palestinianos! Consigam um Estado Palestiniano pacífico!
Só assim será um Dia D de libertação!