Após um processo de negociações intenso, que durou um quarto de século, vai finalmente ser assinado o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.
Perante um contexto mundial vincado por uma forte e crescente instabilidade geopolítica, a formação desta significativa zona de comércio livre posiciona-se como uma antítese às tendências protecionistas e materializa um claro sinal de abertura, de laços de cooperação e de multilateralismo.
A aproximação entre os dois blocos económicos potenciará a integração de cadeias de valor, um passo importante para a Europa reduzir a sua dependência face a outros parceiros comerciais, em especial aos Estados Unidos da América e à China.
Como tenho vindo a sublinhar, o Mercosul, pelo distinto perfil de mercados, não poderá substituir integralmente os Estados Unidos da América, mas traduzirá algum alívio no impacto negativo das tarifas impostas por Trump. Tenho fortes expectativas de que a concretização do acordo representará uma oportunidade para as empresas e a economia portuguesa no seu conjunto, sendo uma importante via para reforçar a desejável – e necessária – diversificação dos mercados de destino das exportações, pois a eliminação ou redução de tarifas permitirá vender para os quatro mercados do Mercosul a preços mais competitivos, abrindo um leque de vantagens para vários setores de atividade (agroalimentar, mas não só), sendo de destacar a existência de mais de três dezenas de Indicações Geográficas protegidas. Por outro lado, as afinidades culturais e linguísticas adicionam vantagem competitiva a Portugal, face a outros mercados europeus.
Neste contexto, a AEP continuará a robustecer o seu compromisso com o apoio à internacionalização das empresas, através de iniciativas concretas, como o BOW – Business On the Way, um programa que conta com o apoio dos fundos europeus e que tem desempenhado um papel relevante no acesso a mercados externos, promovendo ações de prospeção, missões empresariais e parcerias de negócio, entre outras ações. Perante este potencial acrescido que decorre do acordo UE–Mercosul, a AEP apoiará a presença qualificada das empresas portuguesas na América do Sul, contribuindo para transformar oportunidades comerciais em projetos efetivos de exportação, de cooperação empresarial e de investimento.
A todos os leitores do Observador, os meus votos de um bom Ano Novo!