Se no ano 3000 D.C ainda existirem europeus nativos (vulgarmente designados por “brancos”) no Ocidente, e se estes ainda forem maioria, bem como senhores do seu próprio destino, como é que os historiadores do IV Milénio irão analisar a época actual? E que nome lhe darão? A “Época da Grande Loucura”? Ou, melhor ainda, a “Época da Grande Traição”? No sentido de “grande traição” das elites ocidentais que, supostamente, deveriam representar, defender e lutar pela protecção da sua civilização, das nações que a constituem e dos povos nativos, mas não o fazem… Estou mesmo curioso. Mais de 1.500 anos após a queda do Império Romano, ficamos assaz perplexos com a fraqueza dos últimos imperadores, com a corrupção dos senadores e da alta burguesia de Roma e de Ravena — que rapidamente se aliaram aos bárbaros contra o que restava das aristocracias militares romanas e contra os fracos imperadores — e com o facto de os romanos da Península Itálica terem simplesmente, nos últimos vinte anos do Império Romano do Ocidente, desistido de lutar. Mas quando olhamos para o estado actual das nossas nações, diria que os “últimos romanos” tentaram lutar até ao fim com mil vezes mais coragem do que nós.

Todos, ou quase todos, conhecerão agora a história de Henry Nowak: um jovem de 18 anos, esfaqueado até à morte por um sikh, e cujas queixas foram ignoradas pelos polícias (apesar de ele ter sangue a sair da boca). Mesmo estando claramente em sofrimento, um polícia decidiu algema-lo. Como é que chegamos à presente situação? Porque razão os mesmos meios de comunicação que, no dia seguinte à morte de George Floyd, lhe dedicaram páginas e páginas, permaneceram em silêncio sobre a morte de Henry Nowak até já não ser possível fazê-lo? Existem vítimas de primeira e de segunda?

Porque razão o Parlamento Europeu fez um minuto de silêncio em honra de George Floyd na presença das elites da UE, em Junho de 2020, mas não o fez ainda por Henry Nowak? Porque razão a mesma polícia inglesa que, no caso Henry Nowak, se comportou de forma tão criticável, e se preocupa em combater a islamofobia, ignorou durante anos denúncias de violações de jovens inglesas por redes de exploração sexual compostas por muçulmanos paquistaneses (“grooming gangs”)? Será pelo facto de os violadores serem todos eles muçulmanos? Porque razão o Parlamento francês fez um minuto de silêncio em honra de Nahel Merzouk, o jovem magrebino morto por um polícia francês – caso que desencadeou vários dias de motins em França, em 2023, mesmo tendo em conta que o jovem magrebino tentou arrancar quando tinha recebido a ordem de desligar o motor do carro que conduzia (sem carta) – mas não fez um minuto de silêncio em honra de Thomas Perotto, um rapaz de 16 anos esfaqueado por indivíduos de origem magrebina que provocaram desacatos numa festa de aldeia? A mesma pergunta aplica-se aos Estados Unidos: porque razão o presidente da câmara de Providence considerou adequado manter murais em honra de George Floyd, mas pediu a remoção do mural em homenagem a Irina Zarutska — uma jovem refugiada ucraniana morta por um criminoso negro que, após o crime, disse as palavras “matei aquela cabra branca” — por ser, segundo o político, demasiado “polémico”. Eu podia continuar, tantos são os casos que são ignorados pelos meios de comunicação e pelos políticos, apenas porque as vítimas são brancas. Desde o caso de Maria Ladenburger, estudante de medicina de 19 anos, violada e morta por um “refugiado afegão”, ao caso de Kriss Donald, um jovem branco de 15 anos, sequestrado, torturado e queimado vivo por indivíduos de origem paquistanesa, um caso muitas vezes referido como tendo sido deveras ignorado mediaticamente, sem esquecer o homicídio de Sarah Halimi, uma mulher judia de 68 anos, espancada até à morte e atirada de uma janela por um homem de origem maliana que gritou “Allahu Akbar”, e cujo caso foi alvo de forte controvérsia em França quanto à cobertura mediática e enquadramento político, já que os jornalistas preferiam não falar num caso que poderia beneficiar a Marine Le Pen durante as eleições presidenciais francesas de 2017.

Afinal de contas, como é que as elites mediáticas, políticas (que muitas vezes parecem seguir as “modas” definidas pelas primeiras), económicas, académicas e culturais/artísticas escolhem as vítimas que devem ser publicamente lamentadas e aquelas que acabam por ser ignoradas? Existe alguma regra em particular? Infelizmente, há quem entenda que sim… Parece que, quando as vítimas são brancas, tendem a não receber a mesma visibilidade ou enquadramento mediático. Parece que os nativos europeus apenas podem ser os “maus da fita”. E quando são realmente as vítimas, recai sobre eles um véu de silêncio ou de menor atenção mediática. Como é que se chegou a este ponto?

Existe uma teoria, nascida no seio da Nouvelle Droite francesa, deveras polémica, que defende que, mais cedo ou mais tarde, o anti-racismo enquanto “religião institucional” acabaria por dar origem a uma “ideologia anti-branca” institucional. Segundo esta leitura, alguns intelectuais franceses da direita argumentavam que, se na óptica de certos sectores da extrema-esquerda — frequentemente apoiados por parte da esquerda mais moderada — os “brancos” fossem apresentados como responsáveis por todos os males do mundo, isso poderia abrir caminho ao surgimento de formas de racismo anti-branco no seio de comunidades extra-europeias cada vez mais numerosas. Pierre-André Taguieff, respeitado cientista político, recuperou parte deste debate ao escrever o livro L’anti-racisme devenu fou. Le “racisme systémique” et autres fables (O anti-racismo enlouquecido. O “racismo sistémico” e outras fábulas), no qual defende que o anti-racismo nascido nos campus americanos estaria, progressivamente, a contribuir para uma espécie de “caça às bruxas”, sendo que as “bruxas”, neste caso, seriam os brancos. Segundo Pierre-André Taguieff, os intelectuais marxistas associados a este movimento afirmam que o racismo pode existir sem raças – o chamado “racismo cultural” – e pode mesmo haver racismo sem racistas, pois este seria sistémico, estrutural e institucional.

O objectivo passaria, nesta perspectiva marxista, por “desconstruir” a civilização ocidental, cujos alicerces seriam considerados intrinsecamente marcados pelo racismo. Nesta leitura crítica, praticamente toda a cultura ocidental — da música à escultura, passando pela ciência e pela literatura — poderia ser interpretada como atravessada por estruturas racistas de dominação. Os Estados europeus e norte-americanos seriam vistos como construções históricas concebidas, em primeiro lugar, para servir as populações que os criaram (os europeus). Trata-se de uma leitura marxista extremista – a chamada corrente “decolonialista” – que, nesta perspectiva, suscita controvérsia precisamente pela forma como reinterpreta a História e a cultura. Assim sendo, a extrema-esquerda anti-racista acusa os brancos de terem criado nações pensadas para… os brancos (que descaramento e egoísmo da nossa parte). Pierre-André Taguieff conclui, assim, que aquilo a que chama “neo-antiracismo” — para o diferenciar do primeiro anti-racismo, que visava apenas a igualdade entre todos, independentemente da sua origem — utiliza a denúncia do suposto “privilégio branco” como forma de estabelecer, na prática, um racismo anti-branco socialmente aceitável. Por outras palavras, seria aceite por certas elites (felizmente, uma minoria, por agora) que os brancos fossem insultados, humilhados e rebaixados, e que a sua História, cultura e religião fossem atacadas, por tal ser apresentado como um sacrifício em prol da sacrossanta luta contra o “privilégio branco”.

Será exagerado afirmar que o racismo anti-branco tornou-se a ideologia de uma parte das elites de esquerda e dos meios de comunicação? Provavelmente. Porém, o facto é que há quem veja sinais de que certas elites, nos governos, nos meios de comunicação social e no meio académico, terão contribuído para que os brancos passem a ser vistos como os párias das suas próprias nações. Não surpreende, nesta perspectiva, que, após décadas em que alguns professores transmitiram a alunos europeus e norte-americanos uma visão muito crítica — por vezes até auto-depreciativa — da sua própria civilização, episódios como o de Henry Nowak possam ser interpretados como o resultado de um clima cultural extremista e anti-ocidental que se infiltrou até em instituições como as forças policiais. O intelectual da Nouvelle Droite Guillaume Faye cunhou um termo para descrever aquilo a que chamava o ódio de certos ocidentais nativos por si próprios e pela sua própria cultura: ethnomasochisme, ou etnomasoquismo. O conceito viria também a ser referido posteriormente em debates políticos contemporâneos, incluindo por Donald Trump num discurso proferido em 2016. A questão que se coloca, então, é a seguinte: para onde caminham as nações ocidentais? A resposta é, no mínimo, inquietante.

Perigosa situação, a nossa

“Em que momento é que os privilegiados vão compreender que aquilo que está a acontecer é grave? Será quando os bairros mais abastados forem atingidos? (…) Quando amanhã, ou depois de amanhã, vários destes jovens extra-europeus entrarem nas suas casas, talvez comecem a pensar que a insegurança não é simplesmente algo que se pode deixar nos bairros onde os “pequenos brancos”, os “pequenos franceses”, eram espancados de uma forma ou de outra. Neste caso, é preciso dar nome ao que aconteceu, simplesmente. Estávamos perante hordas, hordas vindas dos bairros sociais. Não é possível afirmar que isto nada tem a ver com a imigração. (…) Não estou a falar de todos os imigrantes, evidentemente. Não estou a falar de todos aqueles que são oriundos da imigração. Estou a falar de um fenómeno sociológico significativo, em que aquilo a que alguns chamam a “nova França”, um novo povo animado por uma consciência de vingança, se apropria de todos os acontecimentos desta dimensão para exprimir a sua rejeição da França de forma bastante violenta. Falam-nos “do social, do social, do social”. Se decidirem excluir o factor etnocultural, condenam-se a não compreender. (…) É desagradável reconhecer isto, mas o factor etnocultural é hoje o factor central para compreender as relações sociais. (…) Os agentes da polícia são agredidos, os transeuntes também, os carros são apedrejados, as lojas são saqueadas; trata-se de uma razia. Em certos aspectos, recorda-nos acontecimentos que já tiveram lugar na História.”

(Face à l’Info, Cnews, Mathieu Bock-Coté, Finale de Ligue des champions : des violences explicables ? 01/06/2026)
Eis que, após os motins desencadeados pela vitória do PSG na Liga dos Campeões, muitos jornalistas, académicos e intelectuais — incluindo alguns provenientes da esquerda — começaram a afirmar que existe um grave problema de violência nas cidades ocidentais. Alguns preferiram, como sempre, falar do social e culpar o “desinvestimento” dos governos nos bairros sociais, enquanto outros foram ao ponto de abordar o aspecto mais sensível deste debate: a ideia de que uma parte não negligenciável dos acontecimentos mais violentos dos últimos meses — das facadas em Barcelona, que levaram à morte de uma turista chinesa, ao atentado de Modena, em Itália, passando pelo esfaqueamento de Henry Nowak e pelos motins em Paris — teriam uma mesma origem. Estes episódios estariam ligados a indivíduos de origem extra-europeia movidos por um profundo ressentimento em relação à civilização ocidental e aos ocidentais nativos, bem como por um desejo de vingança alimentado por alegados sentimentos de injustiça decorrentes de discriminações (inexistentes) que consideram ter sofrido, ou, nalguns casos, por hostilidade para com os chamados “infiéis ocidentais”. Voltemos, então, à mesma pergunta: como chegámos a este ponto?

Existem vários fenómenos que, quando conjugados, são apresentados como explicação para a situação actual. Em primeiro lugar, desde o pós-guerra e, sobretudo, a partir das revoltas de Maio de 1968, a esquerda conquistou uma posição de hegemonia cultural em diversos espaços institucionais. Através dessa hegemonia, influenciou a formação intelectual de sucessivas gerações de jovens ocidentais, promovendo uma visão fortemente crítica da sua própria civilização — frequentemente descrita pelos seus detractores como uma forma do já referido etnomasoquismo, isto é, um “ódio de si mesmo”. Segundo esta perspectiva, muitos professores de orientação marxista ensinaram a jovens europeus e norte-americanos que a sua civilização seria intrinsecamente negativa; que os seus antepassados seriam responsáveis por algumas das maiores atrocidades da História; que teriam sido os principais agentes do esclavagismo; que seriam estruturalmente responsáveis pela degradação ambiental; ou que seriam, de forma generalizada, racistas. Trata-se de leituras excessivamente simplificadas ou ideologicamente enviesadas da História ocidental, quando não de omissões ou falsificações. A este fenómeno de erosão daquilo a que alguns autores chamam a “longa memória” e a “identidade cultural” dos povos ocidentais — para utilizar uma expressão de Dominique Venner — juntou-se um segundo processo: o crescimento exponencial da imigração extra-europeia. Enquanto uma parte dos meios académicos, mediáticos e culturais desenvolvia estas leituras críticas da civilização ocidental, as elites políticas e económicas — movidas sobretudo por interesses económicos — promoveram políticas de abertura à imigração extra-europeia em larga escala, facilitando a entrada de mão-de-obra barata. O terceiro elemento reside no facto de que essa imigração massiva introduziu populações com culturas bem distintas da nossa, muitas vezes incompatíveis ou mesmo antagónicas à nossa civilização ocidental de matriz cristã (bem como greco-romana) e, em certos casos, animadas por um sentimento de ressentimento histórico. A isto acrescentar-se-ia outro facto importante, a influência do Islão, através dos seus “grupos de pressão” tais como a Irmandade Muçulmana.

O número excessivamente elevado de entradas fez com que, em qualquer caso, mesmo no modelo assimilacionista francês, a assimilação se tornasse praticamente impossível. Como teria dito De Gaulle: “On assimile des individus, pas des peuples” — “assimilam-se indivíduos, não povos”. Enquanto os jovens ocidentais eram ensinados a criticar a sua própria cultura e, simultaneamente, a Europa recebia fluxos migratórios elevados provenientes de países extra-europeus, as nossas frágeis “elites” instituíram um modelo multiculturalista no qual as culturas nativas ocidentais passaram a ser apenas mais uma entre várias. Tal facto dificultou ainda mais a assimilação dos imigrantes, bem como dos seus filhos e netos. Por fim, a conjugação destes fenómenos deu igualmente origem a outro fenómeno que, segundo alguns autores, se encontra em franco crescimento: o racismo anti-branco. François Bousquet dedicou-lhe já dois livros que se estão a tornar best-sellers em França, nos quais aborda aquilo que considera ser a realidade difícil vivida por certas crianças e adolescentes brancos que frequentam escolas situadas em bairros onde constituem uma minoria. Tudo isto ocorre num contexto em que, no topo das instituições, encontramos algumas das elites mais fracas e incompetentes que o Ocidente alguma vez conheceu. Sem esquecer determinados sectores da extrema-esquerda que continuam a deitar achas para a fogueira. É o caso de Jean-Luc Mélenchon, o pseudo “Che Guevara do século XXI”, que não perde uma oportunidade para atacar os brancos, chegando a lançar em comícios frases como “tout blanc, tout moche” (“todos brancos, todos feios”). Como é que poderia a situação não correr mal?

Os motins após a vitória do PSG em Paris e noutros locais — com cerca de 70 cidades francesas a registarem episódios de violência — mostram, por exemplo, uma degradação progressiva da situação. E há quem argumente que é difícil dissociar completamente estes fenómenos da imigração, uma vez que uma parte significativa dos detidos não seria de origem europeia nativa. Vejam o nome de alguns acusados: Amer K. ; Hichem S. ; Sofiane M. ; Ibrahima B. ; Walid B. ; Amine M. ; Anis C. ; Maheir S. ; Mouhamoudou K. ; Aboubaker H. ; Anas J. ; Oussman C…

Aos que, de forma deveras cobarde, preferem ver nestes motins uma mera tradição francesa, pergunto: e os motins no Reino Unido em 2011 — frequentemente referidos a propósito de episódios de grande violência urbana — são uma tradição inglesa? E os motins em bairros da Suécia? Serão uma tradição sueca? E as agressões sexuais na passagem de ano de 2016 na Alemanha? Serão também uma tradição alemã? Ou estaremos perante soldados russos centenários que regressaram para agredir mulheres alemãs, como em 1945? E as facadas ao som de “Allahu Akbar” na Europa e nos Estados Unidos? Serão uma tradição ocidental? Para alguns, dever-se-ia fechar os olhos a estes fenómenos, como os três macacos — surdo, mudo e cego. Diz-se que o caso Nowak não passa de um fait divers. Claro — tal como o caso de Sarah Halimi, ou de Maria Knoll, ou de Donald Kriss. Seriam todos faits divers, estatísticas perdidas numa folha de papel de algum criminologista de uma universidade europeia. Os milhares de alunos brancos espancados todos os anos em França apenas por serem brancos — tema abordado de forma particularmente dura nos livros de François Bousquet, que descreve a violência física e verbal a que estes alunos estariam sujeitos — seriam também, nesta lógica, meros faits divers. Cada rapariga inglesa violada por redes de abusadores de origem paquistanesa seria igualmente um fait divers. O professor Paty, decapitado em França por um indivíduo de origem chechena, seria um fait divers. As duas mulheres mortas em Lisboa por um indivíduo de origem afegã seriam também faits divers. O caso de Thomas Perotto seria outro fait divers. Todos estes casos seriam reduzidos a meros episódios isolados, e a sua associação a debates sobre imigração seria considerada errada ou mesmo uma instrumentalização política, frequentemente atribuída à fantasmagórica “extrema-direita”, acusados de quererem pôr em causa o multiculturalismo.

Contudo, aos que defendem essa leitura, respondo de forma simples que, quando olhamos para as estatísticas dos crimes cometidos por indivíduos de origem extra-europeia no Ocidente, percebemos que muitos destes fenómenos dificilmente podem ser reduzidos a meros faits divers, devendo antes ser enquadrados como faits de société. Se continuarmos a ignorar a violência crescente que, segundo diversas análises, se manifesta em determinadas comunidades de origem extra-europeia, corremos o risco de evoluir para dinâmicas sociais que lembrarão, em certos aspectos, a antiga Jugoslávia ou o Líbano: contextos em que o ruído das armas se sobrepôs progressivamente à força das instituições democráticas e do debate político. São demasiados crimes, motins, ataques terroristas. São tantos os acontecimentos que, no instante em que escrevo estas linhas, chega-me a notícia de uma violenta tentativa de decapitação de um homem em Belfast, perpetrada por um indivíduo negro, alegadamente de origem sudanesa. As imagens que circulam são profundamente chocantes; convém advertir quem as veja. Mais cedo ou mais tarde, receio que surja aquele “crime a mais” — o que faz transbordar o copo — e desencadeie uma convulsão social num qualquer país ocidental, com potencial para se propagar rapidamente a outros.

Se, por um lado, a esquerda é frequentemente apontada como principal responsável pela situação actual, por outro, a direita não deixa de ter a sua quota-parte de responsabilidade, por não ter conseguido, durante demasiado tempo, reconstruir uma hegemonia cultural capaz de sustentar a consolidação de determinadas dinâmicas sociais e ideológicas, bem como a sua captura pelos interesses económicos, descurando a importância fulcral da cultura e da identidade. A década de 2030 tenderá provavelmente a mostrar aos políticos — tanto de direita como de esquerda — que, como afirmavam alguns intelectuais da Konservative Revolution alemã, “a economia não é o destino”.