Este melodrama de que temos uma polícia estruturalmente racista, que age de maneira desproporcional e ostraciza as minorias, é cansativo e despropositado.

A operação no Martim Moniz tem merecido um lugar de destaque na agenda pública. Os partidos de esquerda não demoraram a apontar o dedo ao Governo, com acusações de instrumentalização das forças policiais. No entanto, se há alguma instrumentalização passível de punição é a da própria esquerda, que teima em instrumentalizar os imigrantes como forma de capitalizar votos.

Parece também que há quem queira importar para Portugal o movimento norte-americano Defund the Police. Este melodrama de que temos uma polícia estruturalmente racista, que age de maneira desproporcional e ostraciza as minorias, é cansativo e despropositado. Não existem quaisquer tabus na realização de rusgas. Não são novidade nem exclusividade de nenhum lugar.

Não podemos continuar a consentir posições enviesadas que favorecem o sensacionalismo. Exige-se maior seriedade aos meios de comunicação e aos responsáveis políticos. Miguel Coelho, que insistiu repetidamente na necessidade de intervenção policial para lidar com a situação crítica no Martim Moniz, agora critica a intervenção policial realizada para atenuar o problema que ele próprio havia apontado como urgente. Também Pedro Nuno Santos afirmou que este era «o Governo mais extremista» das últimas décadas, por ter levado a cabo tal operação. Pois bem, a memória seletiva do líder socialista não lhe deve permitir recordar todas as operações que, tal como esta, foram conduzidas durante os governos de José Sócrates.

Tudo isto não deixa de ser, no mínimo, irónico.

No entanto, e curiosamente, foi a tal polícia “racista” e “desmedida” que chamaram para garantir a ordem nesse mesmo sítio, no seguimento da rixa que causou sete feridos.

Ainda mais curioso é o facto de as vítimas terem sempre nacionalidade e etnia amplamente divulgadas, enquanto as dos delinquentes são frequentemente omitidas, talvez na esperança de evitar confrontos com verdades inconvenientes. A generalidade da classe mediática opera hoje com tamanha promiscuidade que não existe qualquer pudor em ocultar toda e qualquer informação que não convenha a determinados interesses políticos.

Os moradores portugueses da Rua do Benformoso têm sido silenciados de modo a alimentar a narrativa falaciosa da extrema esquerda. Relatam um quotidiano marcado por desacatos recorrentes, tráfico de droga e assaltos, tudo isto à porta das casas onde habitam. Mas alguém que lhes diga, estão totalmente equivocados pois não estas passam certamente de meras “sensações”…