Esta manhã, ao levantar-me, notei que estava mais frio. Achei bem e fez-me sentir que a vida de sempre continua, as Estações vão rodando e que o Outono, na sua missão encantatória de crepúsculo do Verão, está a dar os ares da sua graça.

Na trapalhada de comunicação de que o mundo actual padece impondo constante aterrorização do comum dos mortais com o Clima que nos vai matar, a Saúde que nos vai faltar, o Efeito de Estufa que nos vai sufocar, é bom sentir que, no recanto da minha aldeia, à sombra da serra telúrica que disciplina e impõe a meteorologia, as coisas continuam aproximadamente como sempre foram.

Não que não saiba que existam diferenças à medida que os anos passam. Há cinquenta anos fazíamos a vindima no fim de Setembro, princípio de Outubro, e agora fazemo-las no fim de Agosto, mês de Setembro. Ou seja, há que concluir que, por haver mais calor mais cedo, dá-se mais cedo a maturação do fruto.  Não posso assim contestar que o que para mim é uma evidência: o tempo atmosférico sofreu alterações durante a minha vida.

A ideia de que tal aconteceu por acção do homem é que já fia mais fino.  Nunca encontrei nenhuma justificação precisa de que seja por essa acção e o facto de se constatar que o mesmo homem, sobretudo pela sua quantidade e natural voracidade, faz muito mal ao nosso mundo, não chega para justificar que a minha vindima seja mais cedo.

Esta entrada serve para me situarem junto daqueles que não mastigam tudo o que os media nos querem vender e persistem em ter uma opinião contrária ao mainstream se assim o pensarem.

Sobretudo custa-me engolir a má criação e li, na Imprensa, que os nossos poderes públicos foram realmente inconvenientes.

Assim verifiquei que, no dia preciso da assinatura do fecho de venda do Novo Banco entre a entidade que, legalmente, o detinha e a entidade que, legalmente, o vai comprar, o Ministério Público achou que era a altura ideal para:

“…A Polícia Judiciária (PJ), através da Unidade Nacional de Combate à Corrupção (UNCC), está a realizar, hoje, na zona da Grande Lisboa, uma operação policial, no âmbito de um inquérito dirigido pelo DCIAP, que visa a execução de dezenas de mandados de busca e apreensão e de pesquisa informática, em que se investigam factos susceptíveis de consubstanciar a prática dos crimes de corrupção passiva e activa no sector privado, burla qualificada e branqueamento.

Em causa estão suspeitas de terem sido praticadas diversas ilegalidades na venda de activos imobiliários detidos por uma instituição bancária apoiada financeiramente pelo Estado português, através do Fundo de Resolução, resultando dessas operações avultados prejuízos para o Banco em questão e para os interesses do Estado.

Participaram na operação mais de 100 elementos da Polícia Judiciária, 14 Procuradores do Ministério Público, 3 Juízes de Instrução Criminal e um elemento da AT.

A UNCC da PJ prosseguirá a investigação, com a realização da subsequente análise aos elementos probatórios recolhidos, visando o apuramento integral de todas as condutas criminosas e a célere conclusão dos inquéritos em apreço.”

…”

Percebe-se que uma acção destas, sobre entidades privadas, na data escolhida, não pode ser mais que provocatória.

Sabe-se da impunidade e inimputabilidade do Ministério Público em todas as suas acções.

Sabe-se da luta da parte “à esquerda” da nossa sociedade na procura desenfreada de desencadear acções “contra o capital”. Sabe-se que não olham a meios, nem argumentos, para atingir o que entendem como socialismo.

Sabe-se a tinta que fez correr o BES, a sua venda, tudo o que envolveu a sua transformação em Novo Banco.

Para nosso descanso seria bom saber que o Procurador que chefia todo este processo será, certamente, do CDS.