Lá dizia o Pinheiro de Azevedo que não gostava de ser sequestrado. Pois eu também não. O que neste caso se aplica ao meu voto ou à minha decisão eleitoral. Não é difícil de perceber que, tendo sido Presidente da Causa Real, o que assistimos é a prova do que sempre defendi, a da não imparcialidade de um Chefe de Estado em República com os efeitos futuros subsequentes. O que dos dois candidatos for eleito representará sempre, e extremada desta vez, uma facção contra a outra. Mas nem é ai que quero ir e não, o ir à urna e escrever “viva o rei” não resolve coisa nenhuma. Se bem que se isso descansa alguns ou se é o momento revolucionário do ano, força.  Só que o “estado de sítio ” em que este mundo se encontra exige que todos se envolvam, de uma forma ou de outra, na escolha do mais alto magistrado da Nação. E por isso votei em quem acreditava ter para isso qualidade na primeira volta. Depois o resultado foi o que conhecemos e temos que aceitar.

Acontece que logo nessa noite de dia 18 apareceu assim uma espécie de “trend” de insignes personagens da nação a clamar pelo voto “democrático” num dos candidatos, Seguro, que de desaparecido passa a ser, para eles, e de uma hora para a outra, o do bem contra o mal. Dá-se o caso que eu não gosto que me passem certidões de incapacidade em nada, muito menos eleitorais. Mesmo para um órgão de soberania que eu defendo dever ser outro. Mas que respeito enquanto assim for. Não gosto, e não quero que tentem condicionar escolhas, as minhas e a dos portugueses. Pior, muitos fazem-no não por acreditar nas qualidades do candidato (o que seria compreensível) mas para condicionar em bloco o voto na outra candidatura. Apelo ao contra, não ao acreditar. Não saem do mesmo.

Democracia não é isto, meus senhores. Se continuam a querer a eleição do Chefe de Estado então deixem, livremente o povo, escolher. Promovam o conhecimento, exigam respostas a matérias relativas a temas da competência presidencial. E são tantas as que estão em cima da mesa. A um e a outro. Começando nas questões de veto por exemplo quanto à reforma laboral e terminando no posicionamento de Portugal no momento de rutura com a já velha ordem mundial. Medo de quê? De não ser esmagadora a vitória de um dos lados? De se tornar ainda mais visivel a mediocridade em causa versus um turbilhão que existe precisamente por causa disso? Melhor seria que pensassem no que nos trouxe aqui. E reflectissem ou impulsionassem o debate estrutural de que Portugal precisa. A começar pela representatividade política.

Quanto à minha pessoa e só a ela, estou entre o “voto é secreto” do meu pai e a volta à minha costumada, consciente e desta vez ainda bem mais merecida abstenção (o único protesto que conta para as contas finais, já agora ) nestas eleições.  Tenho dito (que também tenho direito a declarações de voto, já agora). Todos temos.